quinta-feira, 14 de abril de 2011

Poeta ou poetisa?

Aproveitando o belíssimo trabalho de “diqueira” da Língua Portuguesa que a nossa querida mestra e amiga professora Edinalda faz, aproveitei e lancei uma pergunta que sempre arrastei durante todos esses anos de professor e de cuja resposta desconfiava, mas sem o embasamento necessário.
Perguntei-lhe por que as pessoas utilizam a palavra "poeta" para designar mulher que compõe poema, se na nossa Língua há "poetisa" para se referir ao gênero feminino? Inclusive, percebo claramente que até mesmo as poetisas se autointitulam “poetas”.
Sei que muitas vezes não é fácil responder certas perguntas sem ferir suscetibilidades, mas... vamos à resposta:
Já escrevia Cecília Meireles, no poema "Motivo":

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta".

O feminino de poeta sempre tinha sido poetisa; contudo, essa forma adquiriu um tom pejorativo, por lembrar aquele tipo de senhora que se veste espalhafatosamente, ‘carrega’ no perfume francês e participa das reuniões dessas dezenas de “academias femininas de letras” que brotaram como flores silvestres por todo o território nacional na primeira metade do século XX. Na sua santa ingenuidade, ao criarem essas instituições femininas paralelas, estavam simplesmente reforçando a crença chauvinista de que as “verdadeiras” academias eram privilégio dos homens.
Por causa disso, alguns críticos e intelectuais, ao falar de alguém do quilate de uma Cecília Meirelles, por exemplo, começaram a dizer: “É uma grande poeta!”. A moda pegou no meio literário e acadêmico: o vocábulo passou a ser usado por muitos como se fosse um comum de dois (aqueles substantivos como atleta, artista, estudante, jovem, etc., que têm uma só forma para os dois gêneros, mas se distinguem pelo artigo). Hoje, portanto, podemos escolher entre as duas formas de feminino: ou usamos poetisa, ou simplesmente poeta.
Não podemos nos esquecer, no entanto, da formação do afixo –isa, como em “profetisa” e “sacerdotisa”, conforme as gramáticas de Bechara e de Cunha, e os dicionários Houaiss e Aurélio.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mostrando a língua - 04

Salve, gente!
Toquem sinos, trombetas, carrilhões e tudo mais que transmita a alegria de receber em nossa lista a professora Dra. VANIA BERNARDO, expert em Língua e Literatura, apaixonadíssima pelas variantes que tão belamente caracterizam a fala generosa deste país imenso. Seja bem vinda, Vandinha! Vc ocupará a cadeira 110!

Nossa dica será simples, mas necessária. Divido a sala, aqui no IFF com a queridíssima Odila, com quem divido também preocupações, alegrias, projetos (ela é bamba!), risadaria e alguns silêncios muito bem compreendidos por ela.
Pois bem: hoje conversamos sobre uma expressão usual entre os falantes, embora equivocada.
Usamos à vontade a expressão MAL E PORCAMENTE (quando queremos indicar que algo foi mal feito) que, pasmem, não existe! Talvez tenha sido associada aos pobres dos porcos pelas condições em que vivem, não é?
A expressão correta é MAL E PARCAMENTE, pessoal! Um fonema muda tudo! 
Explicando: MAL, porque quem agiu deixou a desejar.
                 PARCAMENTE, porque se a ação deixou a desejar, foi pequena, insuficiente como nossos PARCOS salários!
Ex.: Fez a prova, mas se saiu MAL e PARCAMENTE.
       Atendeu ao meu pedido MAL e PARCAMENTE.

É isso, pessoal!
Até domingo, abçs da Edinalda

terça-feira, 12 de abril de 2011

7 pecados da reunião pedagógica

Sabe aquelas reuniões marcadas em sua escola e que após o encerramento você tem a impressão de que perdeu o seu tempo, pois é, a Revista Nova Escola aponta os erros mais comuns nesses encontros, que deveriam ser o ponto de partida na solução de muitos problemas dentro da instituição escolar.


1. Participação facultativa à A escola não obriga os professores a comparecer aos encontros de formação, pois:

- A rede não paga pelos horários de estudo coletivo.
- Os docentes trabalham em mais de uma escola.
- A prioridade é dada às tarefas individuais (como corrigir lição de casa), em detrimento das coletivas.

 

2. Ausência de regularidade das reuniões à Às vezes, o problema da obrigatoriedade é solucionado, mas não existe periodicidade para os encontros porque:
- As reuniões não estão previstas no calendário.
- Os encontros, quando marcados, são cancelados.
- A equipe só se reúne quando há alguma urgência. 

3. Inexistência de plano anual de formação à Ainda que os encontros sejam frequentes, o deslize aparece quando os temas não têm progressão ou conexão uns com os outros ou tratam de assuntos sazonais, como Copa do Mundo ou gripe H1N1. Isso acontece porque:
- Falta formação para o coordenador ser formador.
- Os profissionais não têm tempo de planejamento e instala-se a cultura do improviso na escola. 

4. Indefinição de pautas à O coordenador pedagógico pode até fazer um plano de formação, mas peca na condução dos encontros e se deixa atropelar por temas que não se relacionam com a prática de sala de aula. Isso geralmente ocorre quando ele:
- Esquece as necessidades de aprendizagem dos alunos ao organizar cada reunião.
- Detecta as necessidades, mas não estuda os conteúdos nem as didáticas específicas.
- Deixa que os docentes falem aleatoriamente sobre suas experiências sem relacioná-las às teorias.
- Tenta dar conta de muitos assuntos e não se aprofunda em nenhum deles.
- Fala sozinho durante todo o encontro, sem promover a interação entre os professores.
- Utiliza o tempo disponível para divulgar informes oficiais e administrativos. 

5. Inadequação do espaço à Não basta ter pautas bem planejadas e relacionadas com a prática pedagógica se os encontros de formação são realizados em locais tumultuados, como a secretaria da escola, ou em salas inadequadas. Os problemas com o espaço em geral surgem quando:
- A escola é pequena e não há sala para reuniões.
- Não há planejamento para o uso dos ambientes escolares e, na hora da reunião, arranja-se um local qualquer, com mobiliário improvisado (mais uma vez, a cultura do improviso ditando as regras). 

6. Uso de atividades de motivação à Às vezes, a gestão do tempo e do espaço é bem feita, mas os encontros são recheados com leituras para emocionar ou transmitir lições de moral; encenação de peças teatrais; apresentação de canções e propostas de pinturas e desenhos que nada têm a ver com a prática pedagógica; desabafos sobre fatos do dia a dia; palestras com profissionais que promovem a autoajuda; atividades em que os professores são desafiados a dar respostas certas e recebem prêmios; e uso de textos motivacionais. Isso ocorre porque:
- Os gestores não compreendem que tais atividades não melhoram de fato a prática pedagógica.
- Há confusão entre o que são questões pedagógicas e profissionais e o que são questões pessoais. 

7. Dispensa dos alunos à Ainda que os deslizes anteriores tenham sido evitados, na hora das reuniões os alunos não têm aulas - ou voltam para casa ou ficam soltos pela escola. Em geral, isso acontece porque:
- Os professores precisam participar da formação continuada no horário de aula, pois não recebem pelas horas de estudo.
- Não há professores auxiliares ou outros profissionais que desenvolvam alguma atividade ou projeto enquanto os docentes estudam. 

Para saber as soluções, acesse:

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mostrando a língua - 03

Hoje blogaremos duas dicas da Professora Edinalda, em decorrência da lacuna deixada na quarta-feira passada, dia 03, quando não publicamos o Mostrando a língua. Curtam!

Bom dia, Edinalda! Não sei se essa (ou esta?) dica já foi solicitada, mas vamos lá: ENTRE ou DENTRE, quando usar? Entre ( ou dentre )  as conquistas alcançadas...Na verdade são duas dicas né fessora? Achei a idéia do encontro dos diqueiros genial. Beijos e obrigada! (Lucia Valente)
RESPOSTA: 
“Dentre" é a contração de “de” + “entre”. Significa "do meio de". Seu uso só é possível com palavras que regem a preposição "de", como "sair", "surgir/ressurgir" e "tirar": "Saíam formigas dentre (de + entre) as rochas"; "Cristo ressurgiu dentre (de + entre) os mortos"; "Tirou a mais bela dentre (de + entre) as moças do salão".
A preposição “entre” é utilizada quando algo diz respeito a mim e outra pessoa, ou seja, dois indivíduos ou em toda circunstância que se quer ter o sentido da colocação de espaço e tempo de alguém ou alguma coisa em relação à outra pessoa ou coisas. Veja:
a) Estou entre os impactados pela tragédia de Realengo. (o sujeito “eu” ocupa um lugar em meio a outras pessoas.)
b) O menino passou entre mim e a cadeira (o menino ocupou um lugar entre a pessoa que fala e um objeto).
c) Entre as manias que eu tenho, uma é gostar de vocês.
-x-x-x-

Sobre dicas da semana que tal aquele assunto (, etc) etc não podemos escrever - banana, maça e etc, e colocar vírgula antes do etc, pode? (Salvador Pires)
RESPOSTA:
Apesar de et cetera (do lat. et coetera) significar e as demais coisas, ou seja, apesar de haver a conjunção ‘e’ na expressão, é lícito empregar-se vírgula antes da abreviação etc. Apegar-se a regras caquéticas, que em nada contribuem com a evolução da língua, evidencia o retrocesso de que tantos são vítimas. Uma delas, contida, por sinal, no famoso Dicionário de Questões Vernáculas, de Napoleão, proíbe vigorosamente o emprego de vírgula antes da abreviação etc. O autor argumenta que, por não se usar, em série de termos coordenados, o sinal de pontuação antes da conjunção aditiva ‘e’, também não se deve virgular a abreviação porque a conjunção (e) está presente em etc. E está! Mas o argumento está ‘furado’, pois, fugindo do latim, essas três letrinhas tomam rumo bem diferente em português. Napoleão é rigoroso demais! E não é mal do nome, porque a força (????) do outro era questionável! Rsssssssss
Celso Pedro Luft considera facultativo tal uso, isto é, podemos colocar a vírgula ou não. Eu também considero!
Por isso, em relação ao ‘e etc’ NÃO SE PODE ADMITIR O USO DO E, uma vez que ele está presente na estrutura et cetera.
Outro uso que tenho observado é, fora da pergunta do meu Cumpadi, o uso de etc com nomes próprios. (Ex.: Estavam na badalada festa Manuel, Antonio, Júlia, etc.). Ora, pessoal, gente não é coisa, não é? Então não se pode enumerar pessoas e concluir com etc. Neste caso, podemos escrever: Estavam na badalada festa Manuel, Antonio, Júlia, entre outros. (aplicamos a dica de Lúcia, não é?)
Grande abraço, até quarta, Edinalda

domingo, 10 de abril de 2011

E agora?

De nada adianta me lembrar do meu aluno que, décadas atrás, fui visitar na prisão, junto com minha amiga, também professora, quando soube que ele havia sido preso por tráfico de drogas. Tampouco me alivia a lembrança da família dele, com a qual fomos estar em seguida, num subúrbio de Niterói, dando apoio e tentando ver do que precisavam naquela hora tão surpreendente em suas vidas...

Havíamos saído do Conselho de Classe da escola em que trabalhávamos e o diretor havia se pronunciado, solenemente, sobre o drama da escola (não do menino), com a descoberta de seu envolvimento com drogas. Mas, ao contrário de nós, estupefatas diante de circunstância tão inusitada, ele, o diretor, estava tranquilo, o flagrante não fora dentro da escola, assim sendo, a instituição estava liberada de culpa.  Céus! Até hoje me causa náusea, mas era isso mesmo: o temor do “cidadão” era diante de algum respingo vir a macular a imagem da escola e ele, indicado para o cargo pelo político da ocasião, vir a perder os seus caraminguás, exígua gratificação a que tinha direito a cada final de mês.

Presunçosa, me senti “a” educadora, diante daquele sujeito egoísta e pouco sensível. Mas, hoje, ante a tragédia, me olho de frente e não adianta: também sou cúmplice pela desgraça deflagrada pelo jovem das manchetes destes dias ter se tornado um assassino e matado outras tantas vítimas, além dele próprio, sob a fúria de sua arma de fogo. Os gritos que dera antes (Onde os terá dado? Quem os terá ouvido?) para aliviar o próprio sofrimento de vítima, nós, educadores, não os ouvimos. Simbolicamente eu também estive surda e alheia aos horrores pelos quais passou esse menino. Pura obra do acaso não ter sido um aluno meu, de carne e osso, quem veio a aterrorizar a todos nós, pela fatídica inauguração de um crime tão bárbaro, até ontem totalmente distanciado de nossa alardeada “índole pacífica” de brasileiros.

Quem garante que não poderia ter sido de verdade um de meus alunos? Quem me assegura que algum deles não padece, talvez não de um mal tão devastador, mas de dores que o faz menos humano do que poderia e pode ser?

Pois o império também isso nos tirou, globalizando a monstruosidade. E eu não vi que tal tragédia se anunciava, silenciosa e célere.

Perdão, alunos meus, que sofreram sem que eu os tivesse ouvido e entendido!

Voltei-me para outras franjas do cotidiano e não vi o seu olhar, não atentei para sua angústia, não ouvi o seu pedido de socorro. Pensei em Filosofia, pensei em Educação, e não me voltei para você, diante de mim, com sua vida a lhe rasgar o peito, fazendo- o infeliz à beira de uma mórbida necessidade de vingança. Afinal de contas (tento aqui me defender), a me corroer o peito, eu também vivia minhas próprias dores...

Fora da escola, bem que lutei junto a meus pares por melhores condições de ensino e por melhores salários. Pretendi ter menos alunos em turma, como forma de garantir uma maior atenção a cada qual e uma menos árdua tarefa de educar.

Demonstrei meu inconformismo quando, no início de cada ano, minhas turmas tinham em torno de 50 alunos e a coordenação da escola, diante da minha ”grita”, me pedia calma, alegando que vários deles iriam desistir e a turma passaria a ter um número mais razoável de integrantes, naturalizando, covardemente a evasão escolar.

Mas, e daí? Nem isso nem escudar-me nos desmandos dos governos que se sucedem, cada vez mais retardando a oportunidade de virmos a ter a educação pública, democrática, de legítima qualidade social, laica e universal que é devida à população de nosso país não me tira o gosto de fel da boca nem tampouco as lágrimas renitentes do olhar.

O fato, para mim, é que três dias de luto é o mínimo. O máximo vamos ter que descobrir juntos.

Profa. Carmen Lozza (enviado pela Profa. Beth Tavares) 

sábado, 9 de abril de 2011

STF decide que piso do professor se refere a salário base

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram esta semana (6/4) a favor do piso nacional para professores como valor mínimo a ser recebido por educadores por 40 horas semanais. A lei 11.738 proposta pelo Ministério da Educação e aprovada no Congresso Nacional era questionada desde sua publicação em 2008 por ação conjunta dos governos do Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com o julgamento, o valor que na época era de R$ 950 e hoje está atualizado em R$1.187 está vigente.
A ação dos Estados pedia que fosse considerada a remuneração total dos professores, incluídas gratificações e bônus e alegava que poderia faltar dinheiro para o pagamento dos educadores. Os ministros consideraram que um piso mínimo para valorização do professor foi previsto na Constituição e cabe à União agora complementar o orçamento dos governos que comprovadamente não possuírem recursos para pagá-lo. O Ministério da Educação já adota essa prática.
Outro argumento da ação, o de que a lei feria o princípio de autonomia das unidades da federação ao estabelecer que das 40 horas semanais e que, destas, um terço deveria ser reservado a atividades extraclasse - como planejamento pedagógico, formação profissional e pesquisas para aulas - foi considerado procedente.
A votação final seguiu o parecer do relator do caso, o ministro Joaquim Barbosa, que foi favorável à instituição do piso, mas manteve o pedido de inconstitucionalidade em relação ao estabelecimento de tempo fora da sala de aula. “A união não pode esgotar todas as particularidades locais”, disse.
O ministro Luiz Fux, mais recente empossado no STF por indicação da presidenta Dilma Rousseff, votou pela aprovação da lei na íntegra, mantendo a imposição da carga horária reservada ao planejamento e formação de professores. “Não enxergo nenhuma ruptura do pacto federativo, não acho possível falar em piso nacional sem falar em carga horária”, afirmou durante o debate.
Gilmar Mendes e Marco Aurélio argumentaram que alguns Estados são dependentes de repasses da União e que a lei era “sucinta e superficial” em relação a complementação da união. "Não cabe ao governo federal legislar sobre funcionalismo estadual e municipal, depois eles não conseguirão pagar e cairão na lei de responsabilidade fiscal e, então, não poderão receber recurso da união. É preocupante", colocou Mendes. "A lei é justa, mas não é constitucional", complementou Aurélio.
Barbosa ponderou que em relação a verbas, os representantes dos Estados no Congresso tinham "plena consciência" quando votaram pelo piso.
Por último, o presidente do STF Ayres Brito destacou os dois pontos da constituição que falam em valorização do professor e que prevêem piso federal para professor. “Portanto, não há como dizer que não seja constitucional. A cláusula da reserva financeira não pode operar sobre a educação, tão importante para a legislação que é citada 96 vezes na constituição."
Fonte: IG Educação

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Reforma interior

A reforma ortográfica está aí.
Em casos como AUTOESTIMA, o hífen cai. A sua é que não pode cair.
Em algumas palavras, o acento desaparece, como em FEIURA, aliás, poderia desaparecer a palavra toda.
O acento também cai em IDEIA, só que dela a gente precisa. E muito!
O trema sumiu em todas as palavras, como em INCONSEQUÊNCIA, que também, poderia sumir do mapa. Assim, a gente ia viver com mais TRANQUILIDADE.
Mas nem tudo vai mudar: abraço continua igual, e quanto mais apertado, melhor.
AMIZADE ainda é com "z", como vizinho, futebolzinho, barzinho.
Expressões como "EU TE AMO." continuam precisando de ponto. Se for de exclamação, é PAIXÃO, que continua com x, como ABACAXI, que, gostando ou não, a gente vai ter alguns para descascar.
SOLITÁRIO ainda tem acento, como SOLIDÁRIO, que só muda uma letra, mas faz uma enorme diferença.
CONSCIÊNCIA ainda é com SC, como ESCOLA de Realengo, que precisa tocar a vida pra frente.
E por falar em VIDA, bem, essa muda o tempo todo, e é por isso que emociona tanto.
Autor desconhecido (Adaptado)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Uma tragédia...

A violência chegou hoje ao seu limite em uma escola municipal de Realengo, subúrbio do Rio de Janeiro. Até o presente 12 crianças morreram, vítimas da insanidade de um ex-aluno, que transformou a escola em um campo de guerra.
Como professores, indignados pela violência social que contamina nossas crianças, adolescentes e jovens, deixamos aqui nossa solidariedade a todas as famílias dos estudantes vítimas desse terrível massacre.
Pobre ser humano: único animal que destrói os de sua espécie por razões que a própria razão desconhece.

A memória da família e a família na memória

Ao iniciar um ano letivo, sempre procuro saber sobre o local de origem dos meus alunos e dos seus pais. Através dessa prática, procuro compreender a formação da comunidade que circunda a escola para melhor direcionar o trabalho em sala de aula. Nesses anos de magistério descobri que muitos alunos não têm noção das suas origens, sendo que o pouco que sabem não vai além do local de nascimento do pai ou da mãe. Os nomes dos avós ou local de origem destes, quase sempre desconhecem.

Essa descontinuidade na história pessoal do indivíduo pode influenciar negativamente na afirmação de alguns sentimentos, como o desejo de pertencimento que origina o nacionalismo e de auto-estima, importante elemento na busca pela cidadania. Não precisamos de muito esforço para perceber que as nossas relações sociais sofreram profundas alterações nos últimos 50 anos.  Considerando as necessidades imperiosas do imediatismo desvalorizamos o passado. E o vazio criado tem sido preenchido com informações massificadas.

O sociólogo francês Maurice Halbwachs afirmava que a memória é um fenômeno cultural, ou seja, que a nossa memória individual é um ponto de vista da memória coletiva. Se tudo que é cultural o é por ser transmitido ao longo das gerações, a “falta de memória” que hoje presenciamos na nossa sociedade é também um fenômeno cultural. Afirmava ainda, que o que consideramos relevante lembrar é também uma construção social, subjugando a memória individual à memória coletiva.

Sendo a memória um fenômeno cultural, a família possui uma grande influência na sua valorização, mas a dificuldade de sobrevivência associada a fatores socioculturais alteram as relações familiares e a sua prática se torna muito difícil. Para piorar a situação, a influência dos avanços tecnológicos no nosso cotidiano tem contribuído para individualizar o ambiente familiar. Hoje muitas famílias passam um fim de semana “juntos”, porém absolutamente separados. Podem dividir o mesmo ambiente, mas não o mesmo assunto ou interesse. Muitas vezes uma falta de energia, de sinal da TV, ou o mau funcionamento da internet, se tornam grandes aliados na recuperação do convívio familiar, condição imprescindível para a conservação da memória da família.

Pensa a experiência cotidiana e externá-la, promove o autoconhecimento e a compreensão da história individual. Pais que educam através das suas experiências, das suas histórias, sejam elas vitórias ou frustrações, contribuem bastante para o crescimento emocional dos seus filhos, além de iniciar o processo de compreensão do saber histórico ao se colocarem como protagonistas da História. O ideal seria que cada ser humano escrevesse as suas memórias ou que pelo menos se preocupasse em transmiti-las. Não há história que não mereça ser contada. O processo de massificação da informação e de deslocamento das prioridades afetivas que têm caracterizado as sociedades de consumo, diminui cada vez a outrora básica necessidade de preservação da memória pessoal. Preservar a memória é prepará-la para enfrentar o desgaste do tempo sobre a tradição.

Outro sintoma desse distanciamento da memória é a maneira como as gerações recentes têm tratado os idosos. Na sociedade da informação, ser velho é ser ultrapassado. Vez ou outra, quando uma escola deseja resgatar a memória recente de um bairro ou cidade, o idoso é entrevistado, sua memória é registrada e depois transformada pelos alunos em redação ou desenho e acaba aí. Um dia, o filósofo iluminista e músico francês, Jean Jacques Rousseau disse: “Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.” Hoje, poucos são os idosos que possuem a oportunidade de exercitar o seu saber, geralmente por falta de ouvintes. No frenesi da evolução tecnológica, o apreço pela memória tem esmorecido e a informação tem sido confundida com conhecimento.

Considerando o quadro de constante “emergência” em que vivemos, pode parecer utópico e despropositado nos preocuparmos com a preservação da memória familiar. Somos compelidos a adotar os valores da maioria, principalmente se a família, enquanto núcleo primário da construção da identidade, não desempenhar o seu papel ideológico. O posicionamento de cada um diante de tal realidade, dependerá justamente das suas experiências de vida, experiências essas que nos tornam únicos e especiais. E como dizem por aí: “Tudo que é especial merece ser lembrado!”

Prof. Rogério Carvalho (Blog História e Coisa e Tal)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mostrando a Língua - 02

Salve, gente!

Aquela história de ‘MINHA PESSOA’ continua em alta! Recebi perguntas que têm a ver (como há pessoas escrevendo haver, no lugar de a ver, não é? Triste, muito triste...) com o tal uso e transformei em dica. Pois bem:

1- De onde surgiu a expressão QUAL É SUA GRAÇA, significando ‘qual é seu nome?’

Lembram-se disso? Virgem Mãe! O uso é do tempo de guaraná com rolha, telefone preto com cadeado, ‘pulso’, ‘discar’!

A expressão é do início do século XX e se mantém em alguns lugares. Vem da cerimônia de batismo dos católicos, na qual o indivíduo se torna cristão e, segundo a doutrina católica, recebe a graça de Deus e, junto com a graça, o nome. A palavra graça provém também de grátis, derivado do latim gratiis (pelas graças, gratuitamente) e gratificar, que desde o século XV equivalia a agradecer.

Para aproveitar a motivação, lembram-se da resposta para a expressão?

─ Qual é sua graça?

─ Ambrósio, seu criado!

Esta vem de longe. Voltaire, ao encerrar suas correspondências com os reis, costumeiramente utilizava-se da expressão “seu criado”. A formalidade, no entanto, não o impediu de vibrar golpes contra o Absolutismo, nem de lutar com destemor pelas liberdades individuais.

O tempo, como podemos ver, determina usos e desusos e, por isso, algumas saudades. Lembro-me, agora, enquanto escrevo para vcs, do respeitoso cumprimento que dirigíamos às madrinhas ─ ‘Bença, madinha’. Se fosse nosso aniversário, com certeza ela perguntaria: ‘Quantas primaveras, minha filha’?

Ih, gente, bateu nostalgia, né?

É isso, pessoal! Até domingo, abraços da Edinalda.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A prisão de cada um

O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver.
Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração. Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço.
Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura. São cativeiros bem mais agradáveis do que Carandiru: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar.
O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos vôos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza. Viver sem laços igualmente pode nos reter. Uma vida mundana, sem dependentes pra sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho.
Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes.
Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós - nascer - foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria, exclusão.
Brindemos!!!
Temos todos cela especial!
Drayan Bouhid de Camargo Farias

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Educação para quê?

Muito se fala que sem educação não há cidadania. Será?
O questionamento faço em ocasião de reflexão profunda. Por quê? Porque vejo, mais uma vez, certas histórias se repetirem e, por absoluta falta de memória histórica, muitos profissionais da educação acreditarem.
O professor é a única categoria no Brasil que, para receber um abono (abono, não aumento) salarial passa pelo crivo da "chantagem", e não da negociação: se não alcançar tal e tal meta imposta, não receberá o abono.
Sinceramente, já vi este filme e, mesmo o mesmo sendo ridículo, ele se repete... Na época do "Nova Escola", pouquíssimas foram as escolas que receberam "nota alta" por parte do governo, mesmo os profissionais da educação se esfalfando para tal. Muito se discutiu sobre a história, mas nunca ficou muito claro (pelo menos para mim e para muitos profissionais da educação) o que se queria.
Esta conversa de dizer que o professor não quer nada é balela. Nunca vi profissional tão abnegado como o professor, tão esforçado e ciente de suas obrigações profissionais. Só quem vive à disposição de político é que não se preocupa com isso, afinal, não está em sala de aula. Mas é uma minoria.
Sinceramente, irei continuar a cumprir com minhas obrigações com meus alunos porque estas fazem parte dos meus deveres profissionais e, também, éticos. Tenho consciência do papel social que o professor desenvolve em seu labutar. Agora, não me preocuparei em fazer milagres, pois, afinal, não sou psicóloga, não sou assistente social. Assim, certas questões teriam que ser tratadas por estes profissionais, e não "resolvidas" pelo professor.
Sonho com a educação de qualidade, busco educação de qualidade, pratico educação de qualidade. O resto...
Profa. Silvia Costa (http://refletiacao.blogspot.com/)

domingo, 3 de abril de 2011

A escola que ecoa no discurso vazio: com a palavra o educando

Escola pra quê?
Fiz a pergunta acima aos alunos de três turmas minhas (6º Ano – Ensino Fundamental) de uma escola pública da rede municipal de ensino em São João da Barra. Para ser mais exato, pedi que meus alunos redigissem a resposta. Queria ouvir as vozes que vêm dos bancos escolares. Acho que não ouvi vozes e sim gritos, principalmente no que tange aos erros de Português que foram gritantes!
Que lástima! Surpreso? Eu? Receio dizer que não. Já esperava por tal situação diante do quadro que tenho visto em sala de aula todos os dias desde que comecei o ano letivo. Ah, devo ressaltar que esta é minha primeira experiência, de fato, com turmas do Ensino Fundamental na rede pública de ensino. Nossa! Quantos alunos chegam ao 6º Ano sem saber ao menos escrever o próprio nome... Caligrafias horrendas, vocabulário paupérrimo! Letras maiúsculas, ponto, vírgula, acentuação? Ó céus, aonde foram parar? Concordância e regência nem pensar! Só me resta, por ora, lamentar... Poderiam até questionar: mas você tá ministrado aulas de língua estrangeira moderna (inglês), não? E daí!
Cruzar os braços, ver a caravana passar e nada tentar fazer para mudar? Nada disso! Não me darei por vencido. Quero encontrar um jeito de remar contra maré... Surpreender e ser surpreendido (positivamente é mais gostoso – tem sabor de vitória). Eis que no final, entre mortos e feridos hão de salvar alguns. Será? Quem viver verá! Ai, meu Deus! Não vejo a hora deste dia chegar. É bem verdade que a maior contribuição que um educador pode dar é ajudar na formação de um cidadão para a vida e, isto é um processo que demanda tempo.
Bem, não fui à busca de checar o quão bom nossos alunos têm andado em língua portuguesa. Minha ousadia levar-me-ia a mergulhar bem mais fundo, coisa de quem gosta de cutucar onça com vara curta. Assim, li folhas e mais folhas de respostas sem parar. Não posso negar, dei algumas risadas (pelo menos alguns alunos têm senso de humor), porém, por vezes tive vontade de chorar. Pouca coisa que se possa aproveitar... Ah, acho que muitos queriam mesmo é responder qualquer coisa pra sacanear?! Sacanear quem, a mim? Quanta ignorância! Estão tripudiando sobre si mesmos...
Mas de quem é a culpa por muitos não saberem pra quê serve a escola? Será que é pedir muito para alunos do 6º Ano? Surpresa maior é saber que têm alunos do 9º Ano que também não dariam respostas louváveis a tal questionamento. Mas eles sabem tanto sobre outros assuntos! Têm respostas prontas na ponta da língua (muitas vezes afiada) quando o tópico refere-se ao besteirol diário... São campeões na elaboração de discursos convincentes (justificativas cheias de razão com voz impostada e tudo) acerca de quem deveria ganhar o BBB11... Porém, quando o assunto é a razão pela qual eles devem ir à escola, resultado: discursos vazios. Acredito que os nossos alunos precisam compreender o porquê da existência da escola na vida deles. Caso contrário, fica realmente difícil conduzi-los rumo a um norte... Continuaremos a pregar no deserto, jogando palavras ao vento se não mudarmos o curso do discurso, da práxis, e tudo mais. Mas como mudar? (Sugestões serão bem-vindas!)
Finalmente, como tudo na vida tem dois lados, reproduzo abaixo a resposta de um dos meus alunos que considerei a melhor entre tantas lidas. Devo ressaltar que não fiz correção do texto original para que a autenticidade fosse mantida:
“A escola é composta de pessoas diretor, espetores, alunos e professores. Eu acho que a escola é para nos tornar pessoas melhores, ela serve para que um dia agente possa ter uma boa profissão e ser um alguém nessa vida eu tenho certeza que aquela pessoa que não teve a oportunidade de estudar um dia vai dizer poxa como isso me fez falta.” _ Wennan da Silva Monteiro (Turma 605)
Obs.: Qualquer semelhança entre as “vozes” citadas acima e as provenientes de outras escolas não terá sido uma mera coincicidêna!
Prof. Carlos Fabiano de Souza 

sábado, 2 de abril de 2011

Tudo sobre filmes

Sabe aquele filme que você gostou muito, mas cujo título não lembra? Nem dos nomes dos atores e das atrizes? Seus problemas acabaram! Tudo o que quiser saber (ou lembrar) sobre filmes estrangeiros em 65 anos está catalogado e ao seu alcance. Ficha completa de filmes. Antes de pegar um filme na locadora, consulte este site feito por uma pessoa detalhista. Um trabalho de alta qualidade!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

“Na sua opinião, o que é um bom professor?”

O site “Todos Pela Educação” lançou essa pergunta a representantes de 10 entidades nacionais e internacionais, entre elas o MEC, a UNESCO, o UNICEF, a UNDIME e a UNE. Quem conhece um pouco de Análise de Discurso percebe claramente que cada um respondeu de acordo com a perspectiva defendida pela instituição a qual representa, ou seja, “o sujeito fala de acordo com lugar em que se encontra”.

É evidente que se lançarmos a mesma pergunta a um sindicalista e a um secretário de educação teremos focos diferenciados na resposta. O primeiro irá condicionar sua posição inicialmente a um bom salário, a boas condições de trabalho, a benefícios, enquanto que o segundo irá focar no compromisso com os alunos, na dedicação à escola, etc.

Não existe um padrão quando se define o perfil de um profissional, até porque nenhuma definição abarca totalmente o objeto conceituado, por isso há em todas as respostas um pouco daquilo que cada um considera como resposta ideal.

Talvez pudéssemos mudar um detalhe na pergunta lançada: trocarmos o “o que” pelo “como”. E por que isso? Simples! O diferencial entre professores não está em “o que” ele é, mas em “como” ele faz.

Já vi inúmeros professores com títulos de mestres, de doutores e até de pós-doutores cujas práticas pedagógicas ficavam devendo bastante a outros que apenas fizeram graduação ou mesmo formação de professores. O aluno quer apenas um professor! O que parece muito pouco, mas não é. Título não dá competência a ninguém e a formação acadêmica pode ser útil para a projeção na carreira, mas o que determina um bom professor é o como ele faz do que sabe e no como ele se relaciona com seus alunos. Simples, não é?
Prof. Erivelton R. Almeida