domingo, 6 de maio de 2012

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Salve, gente!

Eis a dica de hoje. Trata-se de uma consulta de nosso diqueiro 'internacional'- Junior- pai de Luísa, jornalista top que está voltando ao Brasil. E ele quer saber o seguinte:

Edinalda, tudo bem?

Tenho uma pergunta para a próxima edição das suas dicas.

Sempre vejo no facebook que as pessoas, quando publicam uma fotografia, escrevem algo do tipo: "vejam a fotinho...", "mais uma fotinho de..."afinal, fotinho, com a letra o, está correto? Achei muito estranho. Para mim seria fotinha, com a letra a no final, pq a palavra viria de fotografia.

O q me diz?

Bjs, Jr.

Aviso aos senhores internautas diqueiros que a resposta não será curta. Vamos tentar entender o que se esconde sob a questão para que vocês possam concluir.

Na verdade, poderíamos, até, ter: fotografiazinha e fotozinha.

Mas, atendendo à 'consulta' analisemos o caso de fotinha /fotinho (fotografia)- palavra feminina- que é o mesmo de motinha/motinho (motocicleta),  a redução da palavra motocicleta - também feminina. Se as duas palavras são femininas, 'o diminutivo é em a', sugere Junior.

Muita calma!

Analisemos as palavras programa e problema - masculinas-. Fazemos o plural 'programinho ou probleminho? Não, claro que não. O fato de uma palavra terminar em 'a' não significa que seja feminina (o tema, o programa, o problema, etc,) como também as que terminam em 'o' não são sempre masculinas (são poucas: a libido, a foto, a expo (de exposição), a tribo, a imago, a virago). Já ouviram, certamente, alguém falar 'o libido', certamente em razão da terminação o.

Acho que já está ficando claro que a questão do gênero se prende ao uso, não é? A norma oficial afirma que a formação correta do diminutivo é no masculino- fotinho.

No entanto, o uso coloquial já consagrou a outra forma - fotinha- e o uso é permitido, na fala coloquial apenas.

Quando se trata de comunicação formal, é necessário utilizar a norma padrão, fotinho.

O tema continua polêmico e há outras analogias que poderemos fazer, mas cansaria vocês.

Grande abraço da

Edinalda

"Universidade não pode estar separada do ensino básico"

Superar a separação entre a universidade e a Escola é um dos grande problemas do século 21 na área educacional. Quem afirma é o português António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa e um dos mais respeitados nomes na área de formação de docentes. Ele esteve em São Paulo para falar com educadores em encontro promovido pelo Colégio Santo Américo e concedeu ao Estado a seguinte entrevista. 

As universidades precisam pensar na Educação básica?
É absolutamente essencial. Quem forma os professores são as universidades e se os professores não forem formados numa nova perspectiva, nova lógica, é muito difícil renovar a Educação. A universidade não pode estar separada da problemática do ensino básico. 

Como a universidade pode colaborar com os governos e as redes de ensino?
O grande problema é que a formação de professores nas universidades está muito separada das Escolas, das redes, da realidade dos professores. É preciso aproximar essas realidades e ao menos tempo criar instituições que possam definir um pensamento sobre as políticas públicas de Educação. 

Como fazer isso?
Acredito que o modelo da área médica é um bom exemplo. Junta-se a faculdade de Medicina com centros de pesquisas e hospitais para criar instituições que, em conjunto, possam produzir pensamento e dar orientações. O que nos falta em Educação é junção dessas três realidades: da universidade, da Escola e da pesquisa. A separação desses mundos na Educação é muito grande e isso é nefasto para o desenvolvimento das Escolas. 

A distância entre a universidade e o mercado de trabalho é mais preocupante na Educação?
Essa critica é bastante habitual, mas não é totalmente justa em relação a profissões como Engenharia e Medicina. Mas é muito verdadeira no caso da Educação e ensino, em que a separação é maior. A universidade tem relação forte com as profissões em algumas carreiras, mas no caso dos professores é uma relação frágil e isso é um dos grandes problemas do século 21. 

Como atacar esse problema?
Não podemos continuar com o modo que fazemos hoje. A pessoa acaba sua licenciatura e já vai dar aulas, sem nenhum apoio e transição. A passagem de aluno para jovem professor é muito mal resolvida. É uma fase que eu chamo de indução profissional. Isso não pode ser feito dentro na universidade, mas nas Escolas, em um processo de transição, e não como é agora. Em Portugal, esse assunto vem sendo muito discutido. Há um projeto de criação de uma espécie de residência em Educação para os primeiros três anos de carreira. A ideia é integrar de uma forma mais tranquila os professores.
António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, in: O Estado de S. Paulo (SP)

Cursar a 1ª série antes dos 6 anos não é bom, dizem especialistas

 
Crianças de 5 anos ainda não possuem as competências necessárias para ingressar no ensino fundamental. É isso que afirmam especialistas em educação infantil. Do ponto de vista pedagógico, elas não são beneficiadas pela decisão da Justiça Federal de Pernambuco, que no dia 12 de abril decretou que menores de seis anos podem se matricular no ensino fundamental.
Antes, apenas aqueles que completassem 6 anos até o dia 31 de março do ano letivo a ser cursado tinham o acesso garantido. A decisão – válida para todo o país - e que vai contra resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) estende a data limite para o aniversário para o dia 31 de dezembro. A decisão deverá ser comunicada pela União às secretarias de Educação dos estados e do Distrito Federal em até 30 dias, sob pena de multa diária de 10.000 reais.
Márcia Malavasi, coordenadora do curso de pedagogia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que não há por que antecipar a entrada dos filhos no ensino fundamental e que o ideal é que todas as crianças frequentem a pré-escola primeiro. “Colocar uma criança tão nova dentro de uma sala de aula, nos moldes como é hoje, para ficar sentada tendo aulas expositivas, pode ser penoso para ela”, considera.
Educadores concordam que na faixa dos cinco anos a criança precisa de espaço maior para se movimentar e brincar e tem o tempo de atenção limitado. Maria Regina Maluf, pós-doutora em psicologia e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirma que nesta idade é muito difícil ficar sentada, por exemplo, por uma hora e meia ouvindo o professor falar. “Aos 6 e 7 anos a criança tende a estar mais madura para este estilo mais formal de ensinar, que se caracteriza o ensino fundamental.” Além disso ela também terá dificuldades com operações lógicas, exceto se tiver um desenvolvimento acima da média.
Outro ponto a ser considerado nessa equação está relacionado ao desenvolvimento neurológico da criança. Nesta idade estão sendo aprimoradas as relações sociais com o mundo. “Alfabetização exige mais do que saber letras e não se aprende só brincando, é preciso autocontrole”, afirma o professor João Batista Araujo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, voltado principalmente à alfabetização.
Os critérios de seleção dos alunos aptos e a própria estrutura do sistema de ensino devem ser levados em consideração. O juiz Cláudio Kitner, responsável pela decisão, afirma que a entrada com cinco anos no ensino fundamental pode acontecer desde que comprovada a capacidade intelectual por meio de avaliação psicopedagógica, a cargo de cada escola. Há controvérsias já que, segundo os educadores, as escolas públicas não estão preparadas para tratar de forma diferenciada os alunos e considerar as especificidades de cada um.
João Oliveira argumenta que é primordial também saber o número de alunos em cada ano escolar para organizar as vagas que serão oferecidas. “É lamentável essa decisão. Estabelecer uma data limite de aniversário é uma atitude prática para organizar o serviço educacional. Se não há critério, qualquer critério vale”, critica.
Este deve ser também um dos possíveis argumentos utilizados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) do Estado de São Paulo caso opte por recorrer da decisão judicial. O órgão ainda estuda de que forma o ensino paulista será afetado e que medida irá tomar já que há uma resolução própria em vigor no estado. O presidente do conselho, Hubert Alquéres, afirma que há o risco de muitos pais quererem matricular os filhos no ensino fundamental e, na contramão, encontrarem escolas e professores insuficientes para atender esta demanda. “É muito perigoso uma pessoa dar uma decisão válida para todo o país sem estudar os impactos que terá. Isto desorganiza os sistemas educacionais e cria uma expectativa nas famílias que o estado terá dificuldade em cumprir”, afirma.
Segundo dados da organização Todos pela Educação, com base no censo demográfico de 2010, há no Brasil 1.156.846 crianças de 4 e 5 anos fora da escola. Na faixa etária entre 6 a 14 anos esse número é de 968.456.
Pré-escola e estímulos - Os especialistas ressaltam, porém, que não é por considerarem precoce a entrada no ensino fundamental aos cinco anos, que as crianças não possam iniciar levemente o processo de alfabetização nesta idade, ou antes. A boa pré-escola, alertam, é aquela que não se restringe apenas a brincadeiras.
Foi o que aconteceu com Letícia, que irá completar seis anos apenas no dia 6 de junho. Ela entrou no maternal de uma escola particular com dois anos e meio e passou por todos os anos pré-escolares. Hoje, está alfabetiza e, segundo o pai, o aposentado Manoel Oliveira da Silva, apesar de conviver com colegas mais velhos no 1º ano do ensino fundamental, não tem dificuldades. “No pré ela não gostava muito, pedia para faltar. Agora, está adorando, mais motivada, conta das coisas diferentes que aprende”, afirma.
Já a partir dos 4 anos, explica Maria Maluf, é desejável iniciar atividades que levem a criança a ter consciência da linguagem, como desenhar letras, manipular livros infantis e ouvir histórias. “Cabe à educação infantil sensibilizar ao sistema de escrita”, afirma. Desta forma, o acesso ao ensino fundamental – quando chegada a hora – se daria de forma mais plena e proveitosa.
Fonte: Veja.com

sábado, 5 de maio de 2012

Renda faz família trocar escola pública pela privada

As escolas públicas brasileiras, principalmente nos níveis fundamental e médio, estão perdendo espaço para os colégios particulares. Nos últimos dez anos, a Educação básica municipal, estadual e federal, perdeu um total de 4,834 milhões de estudantes, enquanto o ensino privado ganhou 1,090 milhão de matrículas.
De acordo com levantamento feito pelo Valor, na média calculada de 2002 a 2011 o setor público perdeu 480 mil matrículas por ano e o mercado educacional privado arrebanhou cerca de 110 mil novos alunos anualmente. Especialistas em Educação arriscam várias hipóteses para explicar o ocorrido.
Uma das análises mais plausíveis é o crescimento econômico do país associado ao aumento da renda, o que estimula famílias que ascenderam socialmente a tirar seus filhos da escola pública e colocá-los na particular.
Para Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos Pela Educação, a nova classe média brasileira cria um movimento de migração na Educação. "É uma nova fronteira de classe. Há um consumo maior, a família compra um carro, passa a comer mais fora. Depois disso passa a aspirar mais coisas, como o ensino particular. Ela se dá conta que Educação é importante para a manutenção na classe média e até para subir de classe", avalia.
Em dez anos, os maiores movimentos de aumento de matrículas nas escolas particulares e de perda exponencial de alunos nas públicas coincidem com os anos em que a economia brasileira mais cresceu. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou acima de 6% de 2007 para 2008, período em que os colégios privados matricularam 700 mil alunos e os públicos perderam cerca de 500 mil. Em 2010, quando o PIB cresceu 7,5%, a maior alta em 24 anos, o país registrou 400 mil novas matrículas no ensino privado e quase 1 milhão de baixas nas escolas públicas.
O economista Naercio Menezes Filho, coordenador da área de políticas públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), afirma que os números refletem "uma lógica natural": "O fato é que se a família tem ganho de renda prefere matricular o filho na escola privada. É a preferência revelada, escolhe porque acha melhor."
Embora a mais recente Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, referente a 2008 e 2009, aponte redução da participação dos gastos com Educação nas despesas mensais médias das famílias brasileiras, Menezes Filho pondera que é preciso isolar algumas variáveis para verificar exatamente os aumentos por grupos de despesas. "A família que gasta zero com Educação interefere na média final, sem falar que a média é composta por outras variáveis. Se uma família gasta mais com alimentação e transporte do que com Educação, isso acaba concorrendo com as despesas de ensino na média."
Além do fator econômico, a questão demográfica explica parte da perda de matrículas - em 2002, estavam matriculados 54,7 milhões de alunos até o ensino médio, número que caiu para 50,9 milhões em 2011, considerando escolas públicas e privadas. O IBGE projeta queda de 20% da população de 6 a 14 anos até 2022. Outro fator que explica a perda de matrículas no setor público é a correção do fluxo escolar, com menos crianças na escola com distorção de idade, informa o Ministério da Educação (MEC), no documento "Resumo Técnico do Censo Escolar da Educação Básica 2011", divulgado nesta semana.
Por outro lado, a percepção de que a qualidade do ensino público não vai bem pode influenciar migrações. Mas essa percepção pode ser um mito, diz Priscila. "É importante sinalizar que boa parte dos colégios privados tem resultado de escola pública. O que vemos é um novo mercado crescendo e é importante o governo ficar de olho, afinar a regulação."
O economista Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann, pondera que seria importante conhecer a realidade socioeconômica dos alunos antes de tirar qualquer conclusão. "As pessoas das classes C e D provavelmente estão indo para escolas privadas não tão boas. Mas, sem dúvida, esse aumento reflete uma maior importância da pauta Educação no Brasil."

Ensino médio tem déficit de 2 milhões
No "Resumo Técnico do Censo Escolar da Educação Básica 2011", divulgado nesta semana, o Ministério da Educação (MEC) admite que é preciso corrigir o fluxo de alunos do ensino fundamental e que o nível médio no país deveria ter mais 2 milhões de alunos para chegar "a uma situação de equilíbrio" nas matrículas. O documento mostra que, nos últimos cinco anos, o número de alunos do ciclo ficou estável em torno de 8,4 milhões.
"O aluno potencial do ensino médio é o concluinte do ensino fundamental. A estimativa é que a situação de equilíbrio da matrícula seja em torno de 10,4 milhões, que corresponde à população na faixa etária de 15 a 17 anos." O ensino médio é uma das modalidades mais problemáticas da Educação básica brasileira, com baixa taxa de conclusão, de 50%.
Por outro lado, o médio profissional tem registrado crescimento das matrículas. Em 2011, foi o ciclo educacional que mais cresceu, com 993.187 matrículas, uma alta de 7,5% sobre 2010.
Fonte: Valor Econômico (SP)

Direito do professor, formação dentro da escola falha

“Estou há 23 anos em sala de aula. Durante todo esse tempo não presenciei HTPC (Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo) que faça justiça ao nome”. O desabafo feito pela professora Vilma Nardes Silva Rodrigues expõe uma das principais dificuldades que o educador enfrenta para realizar um bom trabalho: a formação interna na escola, que deveria ser rotineira, ora não existe, ora se deturpa. A questão é tema da terceira reportagem da série do iG sobre como o professor tem pouca chance de aprender a ensinar.
Em tese, a carreira dos mestres é estruturada para que ele se recicle e estude como ajudar seus alunos durante todo o tempo em que estiver na ativa. A necessidade de aprender constantemente é tão clara – ao menos na teoria – que existe legislação para garanti-la.
Por lei, um terço da carga horária remunerada do professor deve ser destinado a atividades extra-classe. Cabe neste tempo a correção de provas e trabalhos e o planejamento pedagógico, mas a recomendação do Conselho Nacional de Educação é de que os profissionais se reúnam para discutir dificuldades e soluções pedagógicas.
A maioria das redes públicas sequer cumpre a lei. Em vez de reservar 33% do tempo para que os docentes se preparem e dêem boas aulas nos outros 66%, prefeituras e Estados esperam que os profissionais já cheguem preparados. “As pessoas acham que o professor é um ser que nasce pronto. Longe disso, todos os dias há um duro trabalho de buscar novas formas de ensinar a partir do diagnóstico dos alunos, que também é trabalhoso”, diz Norman Atkins, presidente da Escola de Educação Relay, nos Estados Unidos, e um dos principais críticos ao ensino apenas teórico que os professores recebem.
Mesmo no tempo destinado à formação, poucas escolas se dedicam a encarar as dificuldades pedagógicas que os professores estão enfrentando. “Por mais que estas reuniões sejam marcadas, o conteúdo é sempre de informes sobre datas, procedimentos e burocracias”, lamenta Vilma que dá aulas em escola estadual, municipal e particular em Carapicuíba, na Grande São Paulo.
Ela conta que o tempo previsto fora de sala nas redes públicas - que não chega a um terço das aulas, mas existe – sempre tem um roteiro definido por governo ou direção. “Quando, muito esporadicamente, o tempo é para formação, a equipe se reúne sem saber o que está ocorrendo com as turmas e o tema acaba sendo um texto, uma apostila genérica, assuntos distantes do contexto da aula.”
Em uma das melhores escolas municipais de São Paulo, a Desembargador Amorim Lima, muitos professores estão prontos para admitir que não têm tempo suficiente para formação. O iG acompanhou um dia de reunião na unidade durante a semana de organização escolar, que antecede o início das aulas.
Os professores foram agrupados por módulos e passaram a maior parte do tempo ajustando horários, turmas e como funcionaria a recuperação paralela. À tarde, houve um exercício em grupo com a leitura de um texto sobre portfólio, proposto pela consultora voluntária, Fátima Pacheco, uma das fundadoras da Escola da Ponte (instituição em Portugal que conquistou alunos ao substituir a divisão tradicional em turmas e disciplinas por projetos).
Todos estavam acostumados com a palavra portfolio no sentido burocrático, ou seja, sabiam que se tratava de um documento sobre o desenvolvimento da aula que deviam apresentar. Já o sentido pedagógico, de identificar o avanço e as dificuldades de cada aluno, pegou de surpresa vários professores. Ao final, os porta-vozes dos grupos admitiram que preenchiam o documento, mas não exploravam sua função. “É algo que deveria ser trabalhado toda semana para que os educadores pudessem se ajudar, mas a maioria das escolas que visito no Brasil não usa bem”, comenta a consultora.
A diretora da unidade, Ana Elisa de Siqueira, reconhece as dificuldades de formação. “O que posso lhe garantir é que nesta escola todos estão interessados em fazer o melhor. A Fátima é benvinda e ajuda muito, mas são tantos problemas para resolver, de toda ordem, que não conseguimos focar sempre no ensino-aprendizagem.”
Fonte: iG

O valor da avaliação

A Educação conta com pensadores que transcendem com muita voracidade as suas terminologias. Denotam ciclos de aprendizagem para o que antes se entendia por séries, floreiam esta classificação com outras subclassificações e substituem também reprovado por retido; diretor por gestor; exame por avaliação; notas por conceitos, falta de limites por hiperatividade; professor por educador; aluno por educando e muitas outras. Louváveis são esses pensadores que eliminaram termos antes pejorativos.
Contudo, quem pensou em unir essas reformuladas classificações a uma nova prática de ensino? Quem buscou na essência das palavras nortes para fazê-las jus? Acredita-se que tenha sido a minoria de educadores, aquela desprovida de autoritarismo, ignorância, desânimo e comodidade, pessoas heroicas, pois além de se dedicarem mais que a maioria, são “bombardeadas” pela mesma, que, convenientemente, prefere fingir que a Educação flui.
Existem índices que demonstram e reforçam essa falsa ideia de que o ensino-aprendizado vai bem, como o declínio de analfabetos no Brasil, por exemplo. Atrás dessa enorme e bem tecida cortina, a Educação se deteriora. Acredita-se que desses fios, a avaliação da aprendizagem seja a parte melhor entrelaçada e a de todas, a mais ilustrada.
Os estudantes acreditam que estão sendo justamente avaliados, os pais deles também, em muitos casos, até os próprios educadores acham isso. Quando, na verdade, estes estudantes estão sendo vítimas de um processo que visa aprovar ou reter, e não, investigar a qualidade da aprendizagem. Em 1996 instituiu-se o termo “avaliação da aprendizagem” na LDB, porém, ainda hoje, se pratica exame. Cipriano Carlos Luckesi, autor de vários livros e artigos sobre avaliação, afirma que “avaliação é um ato democratizante, pois todos precisam aprender o que foi ensinado”. Se todos os educadores tivessem esse pensamento ao avaliar, deixariam de maquinar questões que dificultem a compreensão do que se pede, de formular as “pegadinhas”, de explorar assuntos pouco trabalhados em sala e criar metodologias não usuais.
É impressionante como é alto o número de profissionais da Educação que busca por meio dos testes avaliativos coagir, mostrar o seu poder e até fazer com que determinados educandos se sintam incapazes e excluídos. Isso é perverso. A cola teria poucos adeptos ou nenhum, se existisse um trabalho consciente e de conscientização por parte desses educadores, mostrando aos seus educandos que avaliar é diagnosticar para tratar.
A prática condizente a isso seria conhecer e analisar o desempenho dos mesmos, buscando em seguida, fórmulas que sanem suas dificuldades. Às vezes se faz preciso mudar de caminhos, reformular explicações e até repeti-las incansavelmente. Os docentes devem sentir que as suas atuações foram satisfatórias somente quando todos os seus conteúdos transmitidos foram apreendidos por seus discentes. Não se é cabível culpar quem não apreende. O nosso referido Luckesi repetiu de ano letivo várias vezes e se não houvesse um educador que acreditasse e dissesse a ele: “eu vou ensinar, e você vai ter que aprender”, jamais teria conseguido a sua renomada posição.
Entender a avaliação como um processo contínuo de observância das construções cognitivas, a fim de aprimorá-las precisa ser, de fato, o principal objetivo de quem educa. Isso gera inclusão e demonstra afetividade pelo que se faz e por quem se faz.
Atingir, assim, o país em sua totalidade com essa forma justa de avaliar, independente de sistemas, condições e métodos, seria utopia? Espera-se que não, pois se houver um entendimento que ao se rasgar a já mencionada cortina, a casa que se mostrará não é a do outro, mas sim, a sua própria casa, cada um fará o melhor por ela.
Fonte: Diário de Cuiabá (MT)

O desafio do ensino

A notícia de que 32% das Escolas estaduais na cidade de São Paulo enfrentam falta de professores resulta de uma composição de deficiências variadas, desde pormenores logísticos -como a substituição de docentes que se aposentam ou saem em licença- até problemas como a dificuldade de atrair talentos para a carreira.
Deve-se, em primeiro lugar, reconhecer que a tarefa é complexa. Não é trivial pôr para funcionar 1.072 colégios do Estado com características as mais variadas.
A rede municipal, em contraste, apresenta problemas no máximo em 14% das unidades. E seus desafios são apenas um pouco menos complicados que os da rede estadual: com 1.400 Escolas, seu foco são os cinco anos iniciais do ensino fundamental, em que há menos disciplinas a ministrar.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)

Mario Quintana

(Data de falecimento do poeta - 05/05/1994)

Des(acordo)

Não concordo com Quintana

quando ele diz com firmeza:
“Cidade grande:
dias sem pássaros,
noites sem estrelas”.
Não. Não é assim.
Cidade grande:
pássaros durante o dia
e noites com o céu de estrelas.
Basta olhar e querer ver.
E querer escutar.
Como ouso discordar?
É só para o céu olhar.
Até nos dias chuvosos
os pássaros pousam nos fios
das ruas e avenidas,
como se eles fossem galhos
seguros de um tronco forte
de uma árvore frondosa.
O próprio Quintana diz:
“Os pássaros pousados
na pauta dos fios do telégrafo...”.
Eu acrescento agora,
no ano dois mil e onze,
os pássaros pousados
nos fios do telefone,
da internet, da tv,
além dos fios elétricos...
E continua Quintana:
“Eles é que vão
sucessivamente improvisando
-um após outro-
a letra e a música dos ventos...”
Agora, sim, eu concordo.
Estou de acordo, Quintana!

Heloisa Crespo (2010/01/02)

Metade dos brasileiros não estudou ou não concluiu fundamental

Os resultados do Censo Demográfico de 2010 divulgados nesta sexta-feira mostram que 50,2% da população brasileira não estudou ou não concluiu o ensino fundamental. Enquanto isso, os que têm ensino superior completo ou mais chegam a 8,3%.
O recorte do IBGE foi feito com as pessoas com 10 anos ou mais e, portanto, desconsidera crianças até a idade em que deveriam estar alfabetizadas e pode considerar outras com os estudos em curso. Em outra apresentação de dados, o total de analfabetos já havia sido divulgado em 9,6% da população ou 13,9 milhões de pessoas.
A Região Sudeste foi a que apresentou o nível de instrução mais elevado. Na população de 10 anos ou mais de idade desta região, encontrou-se o menor percentual de pessoas sem instrução ou com o fundamental incompleto (44,8%) e o maior de pessoas com o superior completo (10,5%). Os níveis de instrução das Regiões Norte e Nordeste situaram-se em patamar inferior aos das demais, sendo que o percentual de pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto foi 56,5%, na Região Norte, e 59,1%, na Região Nordeste, e o de pessoas com pelo menos o curso superior concluído, de 5,0%, na Região Norte, e 4,9%, na Região Nordeste. 

35,8% concluíram o ensino médio
Para medir quantos completaram o ensino médio foi analisada apenas a população com 25 anos ou mais de idade . Entre estas, 35,8% tinham completado a etapa de ensino que deveria ser concluída por volta dos 18 anos. Houve evolução considerável desde 2000, quando 23,1% da população acima de 25 anos estavam neste patamar. Veja abaixo a evolução em 10 anos por Estado.

Um milhão de crianças estão fora da escola 
Os dados também mostram que, no País, 3,3% das crianças de 6 a 14 anos não estavam na escola. O porcentual é equivalente a 966 mil pessoas na idade do ensino fundamental ou uma a cada 33 em todo o Brasil.
Nos resultados por Estado observou-se que Acre, Roraima e Amazonas tinham mais de 8% das crianças de 6 a 14 anos de idade fora da escola, vindo em patamar seguinte o percentual do Pará (5,5%).
No contingente de adolescentes de 15 a 17 anos de idade do País, 16,7% não frequentavam escola durante a pesquisa. Conforme adiantou o Todos Pela Educação, somadas as idades, há quase 4 milhões de crianças e adolescentes fora da escola.
Fonte: iG

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Há 10 anos a língua brasileira de sinais promove inclusão

Há dez anos, a língua brasileira de sinais (libras) passou a ser reconhecida como meio legal de comunicação e expressão pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Passada uma década, observa-se maior inclusão de pessoas com deficiência auditiva nas escolas regulares.
Dominar a libras permite às pessoas com deficiência auditiva ter maior autonomia, independência social e cidadania. A política de educação inclusiva, adotada pelo Ministério da Educação, orienta os sistemas de ensino para garantia do ingresso dos estudantes com surdez nas escolas comuns, mediante a oferta da educação bilíngue, dos serviços de tradução e de interpretação de libras-língua portuguesa e do ensino de libras.
De acordo com a diretora de políticas de educação especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação, Martinha Clarete Dutra, o ensino da libras é parte do processo de organização do sistema de ensino inclusivo. “Para que a educação seja, de fato, um direito de todas as pessoas, é preciso que os sistemas de ensino identifiquem e atendam as especificidades educacionais dos estudantes”, disse a diretora.
Para a efetivação da educação bilíngue, o Ministério da Educação desenvolve programas e ações, em parceria com os sistemas de ensino. O curso de formação inicial de professores em letras-libras para promover a formação de docentes para o ensino de libras foi instituído por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB) e mantém 18 polos. Em 2010, mais dois cursos foram criados pelas instituições federais de Goiás e Paraíba, nas modalidades presencial e a distância.
O Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) criou o curso de pedagogia bilíngue libras-língua portuguesa para expandir a educação inclusiva. Ele conta com a matrícula anual de estudantes surdos e ouvintes.
O Programa Nacional para a Certificação de Proficiência no Uso e Ensino da Libras e para a Certificação de Proficiência em Tradução e Interpretação da Libras-Língua Portuguesa (Prolibras) promove dois exames periodicamente. Um deles, voltado para o ensino médio e superior, certifica professores para a aplicação e o ensino da libras em sala de aula. Outro capacita profissionais em tradução e interpretação da libras. Até 2010, foram realizadas cinco edições do exame em todo território nacional e certificados 6.100 profissionais.
O panorama da inclusão nas escolas comuns da rede pública vem se modificando. O número de matrículas de estudantes que formam o público alvo da educação especial em classes comuns passou de 28% em 2003 para 74% em 2011. No mesmo período, o número de escolas de educação básica com essas matrículas passou de 13.087 para 93.641.
Fonte: MEC

Mudanças do ensino médio em debate

O grau de aproveitamento do Ensino Médio no Brasil é insuficiente e pode melhorar com técnicas para tornar os conteúdos mais atrativos. A opinião é do presidente da Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), Francisco Cordão. Ele palestrou ontem na Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS), na Capital, sobre métodos para adaptar o currículo à nova proposta de Ensino Médio e tornar a Educação mais atraente. "Precisamos melhorar e é possível fazer isso organizando o currículo de maneira que chame a atenção do aluno", explicou. A ideia, complementou, é integrar as disciplinas e contextualizá-las para que façam sentido ao estudante. A fórmula tem dado certo nas mais de 400 Escolas públicas que seguem o projeto do governo federal "Ensino Médio Inovador". A resolução do CNE, aprovada no início do ano, propõe que os currículos se aproximem cada vez mais da vida dos estudantes e que sejam postos em prática no ano que vem.
O encontro, realizado pelo sindicato das Escolas particulares (Sinepe/RS), contou com cerca de 250 coordenadores pedagógicos e diretores da rede privada e teve a presença da conselheira do Conselho Estadual de Educação, Sonia Balzano. Ela alertou que a mudança nos métodos de Ensino deve ser acompanhada de um reforço na formação dos professores e, portanto, acredita que as faculdades irão se adaptar a essa transformação.
Fonte: Correio do Povo (RS)

Aula atraente deve ser regra em 2013

Escolas particulares e públicas do Brasil têm pela frente um desafio com prazo definido: tornar o ensino médio, hoje marcado por índices significativos de evasão e reprovação, novamente atraente aos estudantes. A partir de 2013, as instituições devem começar a colocar em prática as diretrizes de uma resolução do Conselho Nacional da Educação (CNE), que propõe mudanças envolvendo interação entre disciplinas e uma Educação mais voltada à realidade dos alunos.
No Estado, a Secretaria da Educação (SEC) começou neste ano a implementar na rede pública um modelo de ensino politécnico, em que se pretende usar o mundo do trabalho como eixo para o ensino das disciplinas tradicionais. A decisão gerou controvérsia entre representantes de professores e especialistas, que acusaram a SEC de afastar os estudantes de dimensões mais humanas da Educação.
As mudanças foram debatidas em um encontro ontem em Porto Alegre. Promovido pelo Sindicato do Ensino Privado (Sinepe/RS), com a presença do presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, Francisco Cordão (leia entrevista ao lado). A ideia é que haja uma flexibilização dos currículos Escolares, permitindo que as Escolas encontrem formas de aproximar o conhecimento da vida dos estudantes.
– O ensino médio não está atendendo às expectativas dos alunos. O conhecimento não é estanque, é global, mas o nosso currículo ainda é estanque – explica Cordão.

Escola de Viamão aplica metodologia inovadora
No Instituto Marista Graças, Escola particular de Viamão, na Região Metropolitana, os alunos convivem desde 2009 com um jeito diferente de aprender. Implantado antes apenas em uma turma do 3º ano do ensino médio, o projeto Contextura hoje é aplicado nas turmas de todos os níveis. A partir de um grande tema, os estudantes constroem uma pesquisa que envolve conhecimentos de todas as disciplinas.
– Eles têm uma situação-problema e têm de construir uma solução. É uma construção que dura o ano inteiro e todas as disciplinas contribuem de alguma forma – detalha a coordenadora pedagógica do ensino médio, Cíntia Bueno Marques.
Fonte: Zero Hora (RS)

Ioschpe: aumentar salário de professor não melhora o ensino

Enquanto professores saem às ruas de diversas partes do País para cobrar o cumprimento da lei que definiu o piso nacional do magistério, o especialista em educação Gustavo Ioschpe defende que reajustar os salários não significa que a educação no País vá melhorar. "Há centenas de estudos empíricos, publicados em revistas acadêmicas, estimando a relação entre salário de professores e aprendizado de alunos. A esmagadora maioria desses estudos não demonstra existir essa relação. Aumentar salário de professores não é um caminho para a melhoria da qualidade da educação", afirma.
O economista classifica a discussão em torno do piso salarial como algo sem fundamento. "É surpreendente e decepcionante que o País perca tanto tempo com uma discussão que toda a experiência internacional e brasileira já demonstrou ser infrutífera", completa.
Mas o panorama do ensino brasileiro tem despertado opiniões adversas. "Entre os componentes da qualidade de ensino no mundo todo, é indispensável a ideia de garantir uma boa remuneração para os professores, capaz de dar segurança para trabalhar", diz o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Rubens Barbosa de Camargo, que acredita na lei do piso do magistério como uma garantia para os profissionais.
Acompanhadas de mobilizações da categoria, as discussões em torno do salário dos professores têm lançado luz à relação entre qualidade do ensino e condições de trabalho. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), até 2 de abril, 17 Estados não pagavam o piso anunciado pelo Ministério da Educção (CNTE), de R$ 1.451,00. Entre as maiores reivindicações dos professores, o piso foi reajustado em 22,2%, de acordo com lei de 2008 e corresponde a pouco mais de dois salários mínimos, mas não deve entrar em vigor em todos os Estados. O valor é valido para profissionais com carga horária de 40 horas semanais.
Na opinião de Camargo, que é especialista em gestão de sistemas e escolas, análise de políticas educacionais e financiamento público da educação, o aumento dos salários é um dos primeiros passos para melhorar a qualidade do ensino brasileiro. Entre as medidas que buscam garantir vencimentos mais altos, está o Plano Nacional da Educação, atualmente em discussão no Congresso Nacional, que visa a garantir salários equivalentes a outros trabalhadores com mesmo nível de formação. "O próprio governo reconhece essa defasagem. Professores da rede pública ganham cerca de 60% do que ganham outros profissionais com mesmo nível de informação", afirma. 

Educação no Brasil melhorou
Para Ioschpe, a educação no Brasil tem melhorado. No entanto, ele faz ressalvas. "No primeiro Pisa, o mais respeitado teste internacional de qualidade da educação, o Brasil ficou em último lugar. Saindo de uma base tão baixa, era de se esperar uma melhora. Mas a comparação do Brasil consigo mesmo é pouco relevante. O que importa é como o Brasil está em relação ao resto do mundo, porque o fundamental para a competitividade do País não é o esforço que ele está fazendo, e sim o resultado que está alcançando", diz. O especialista garante que debates a respeito de salário dos professores e porcentagem de investimento do PIB são infrutíferos. "Dado o erro estratégico da maioria da discussão sobre educação no Brasil, não há nada que sugira que teremos luz no fim do túnel. Devemos continuar patinando", enfatiza.
No lado oposto, o professor da USP aponta o aumento no investimento em educação como a saída para a melhora na qualidade de ensino. Para Camargo, é equivocada a visão de que o único problema são os recursos mal administrados. Na opinião do professor, as lacunas existem em todos os níveis - desde a creche até a pós-graduação. A solução estaria em dobrar os investimentos de 5% para 10% do PIB, garantindo menor número de alunos por classe, processos de formação permanente aos professores e valorização social da profissão por meio de condições de trabalhos mais adequadas.
"Ainda que de maneira muito incipiente, a situação vem melhorando. A implantação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e da lei do piso dão uma espécie de garantia para que Estados e municípios tenham melhores condições para o pagamento de professores. Além de começar a implantar o piso, algumas redes públicas também já pensam em melhorar a infraestrutura das escolas com reformas e compra de equipamentos" explica. Para o professor, as mudanças são reflexo de programas criados ao longo de diversos governos e que, mesmo que ainda timidamente, começam a surtir efeito sobre a educação básica no Brasil.

Professores vêm buscando se qualificar, dizem especialistas
A formação dos professores brasileiros também estaria se expandindo. É o que acredita Camargo, professor da USP, que indica os cursos de especialização como uma das alternativas para a melhora na qualidade de ensino. "Tem crescido o número dos professores das redes públicas que se titularam. Em várias redes, esse é um pré-requisito para evolução na carreira. A geração mais nova também quer se qualificar cada vez mais", diz.
O número de matriculados em faculdades para docência, de acordo com Ioschpe, também tem crescido. "Segundo a sinopse estatística do ensino superior brasileiro 2010, do Inep, há 923 mil alunos em cursos de graduação na área de educação nas universidades brasileiras, quase um quinto do total de alunos no nosso ensino superior. É o curso com mais matriculados no País", afirma. "Isso é quase oito vezes o total de matriculados em todas as disciplinas de humanidades, mais do que direito, mais do que administração, cinco vezes mais do que todas as engenharias, mais do que todas as áreas de saúde juntas", calcula.
A situação faria coro ao contentamento dos docentes com a profissão. "Essa imagem que se criou do professor brasileiro como o cara que trabalha no setor por falta de opção, que ganha salário de fome, que precisa trabalhar em muitas escolas e que é vítima da violência representa a minoria da minoria. As pesquisas mostram que os professores estão satisfeitos com suas carreiras, optaram por ela, não gostariam de trocar de profissão, trabalham em uma escola cumprindo carga horária inferior à maioria das profissões e com férias mais longas, e ganha aquilo que é de se esperar para o seu nível de formação e carga horária. Enquanto não superarmos esses estereótipos e mistificações, a discussão nacional não vai pra frente. Estamos discutindo falsos problemas", enfatiza.
Na contramão de Ioschpe, Camargo acredita que o interesse pelos cursos de licenciatura e pedagogia vem diminuindo. "Acho que o grande fator é a questão das carreiras e dos salários depois que saem da faculdade. Isso torna a carreira e a profissão pouco atrativas e faz com que os jovens procurem outras profissões, com atrativos mais interessantes. Conforme essas políticas de valorização docente se consolidem no País por meio do Fundeb, do piso e de outras a serem implementadas, quem sabe essa tendência seja revertida", diz.
Fonte: Terra

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Comissão da Câmara aprova limitar peso de mochila escolar

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aprovou ontem um projeto que proíbe o uso de mochila escolar com peso excessivo. A proposta limita o volume em 15% do peso do estudante.
Inicialmente, o texto propunha restrição de 10%. Se não for apresentado recurso, deve seguir para análise do Senado.
A proposta prevê que a aferição do peso do aluno deverá ser feita por declaração escrita por ele próprio no ensino médio, ou por pais ou responsáveis em creche, Pré-Escola ou Ensino Fundamental.
O governo ainda deverá promover campanha sobre o peso máximo aconselhável de material a ser transportado.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)

Alunos saem do fundamental sem saber o básico

Praticamente uma em cada cinco crianças terminou o Ensino Fundamental em 2009 sem ter alcançado condições básicas de compreensão de texto. Quando a disciplina muda para matemática, o dado é mais assustador. Aproximadamente 39% dos estudantes que concluíram os primeiros nove anos do ciclo educacional, entre 2005 e 2009, não tem o nível básico de competência para resolver problemas, como se espera de um aluno nessa etapa do ensino. Os índices da Prova Brasil de 2005, 2007 e 2009 mostram, segundo análise da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), que, em algum momento, o sistema educacional brasileiro falhou.
De acordo com o levantamento da organização Exclusão Intra-escolar nas Escolas Públicas Brasileiras, o perfil desses estudantes que não conseguiram alcançar o mínimo de desempenho está relacionado a uma série de fatores dentro e fora da Escola. Segundo a pesquisa da Unesco, a maioria desses estudantes tem características comuns: piores condições socioeconômicas, estão concentrados nas regiões mais pobres do país — Norte e Nordeste —, nas Escolas com os indicadores de qualidade mais baixos, com bibliotecas, instalações e condições de funcionamento deficientes. Outros fatores comuns também foram observados, em relação aos gestores e educadores desses alunos. As equipes que os atendem são as menos coesas, com menos Escolaridade, piores condições Escolares e maiores índices de violência Escolar.
Para o coordenador de Educação da Unesco, Paolo Fontani, os números mostram que o processo de aprendizado, para esses alunos, foi interrompido. “Esse tipo de atraso tem um impacto muito forte na capacidade de continuar a aprender por toda a vida”, alerta. Segundo ele, esses dados apontam que o aprendizado envolve três pilares com elementos de justiça social, equidade e inclusão. “Não podemos considerar que a responsabilidade dessa falha é da criança. Não é ela que tem que se adaptar. O sistema tem que ser capaz de ser inclusivo para fazer com que cada um tenha oportunidade de aprendizado.”
Esse sistema de ensino, para a professora de português da rede pública do Distrito Federal Keila Núbia, tem que priorizar a valorização da Educação e o envolvimento dos pais. “Não ter uma boa estrutura não impede que os estudantes aprendam. O fato de o pai não acompanhar, não estar presente, dificulta. Vejo pelos meus alunos, os que têm pais empenhados são os que saem na frente. Mesmo que eles sejam analfabetos, se eles valorizam, os alunos também se importam.”
O especialista em ensino com ênfase em matemática da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Cleyton Hércules Gontijo concorda com a professora de português, mas destaca que, além do suporte familiar, um plano de ensino poderia ajudar a mudar esse cenário. “As diretrizes curriculares poderiam ser melhores. Os professores deveriam saber exatamente o que os estudantes devem aprender em cada etapa Escolar e esse documento deveria ser o mesmo para todo país.” Programas com foco no currículo nacional, jornada de tempo ampliada, melhoria nas instalações físicas da Escolas e qualificação dos docentes completam a lista de sugestões do especialista.
O baixo índice de rendimento dos jovens também preocupa o Ministério da Educação. O ministro Aloizio Mercadante adotou recentemente como meta para a pasta garantir a alfabetização na idade certa para conseguir melhores índices de aprovação. Um dos argumentos do ministro é de que, se o estudante não estiver alfabetizado até os oito anos, dificilmente ele vai ter facilidade de aprendizado no restante da vida Escolar.
Fonte: Correio Braziliense (DF)