domingo, 6 de maio de 2012
"Universidade não pode estar separada do ensino básico"
Superar a separação entre a universidade e a Escola é um
dos grande problemas do século 21 na área educacional. Quem afirma é o
português António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa e um dos mais
respeitados nomes na área de formação de docentes. Ele esteve em São Paulo para
falar com educadores em encontro promovido pelo Colégio Santo Américo e
concedeu ao Estado a seguinte entrevista.
As universidades precisam pensar na Educação básica?
É absolutamente essencial. Quem forma os professores são
as universidades e se os professores não forem formados numa nova perspectiva,
nova lógica, é muito difícil renovar a Educação. A universidade não pode estar
separada da problemática do ensino básico.
Como a universidade pode colaborar com os governos e as
redes de ensino?
O grande problema é que a formação de professores nas
universidades está muito separada das Escolas, das redes, da realidade dos
professores. É preciso aproximar essas realidades e ao menos tempo criar
instituições que possam definir um pensamento sobre as políticas públicas de
Educação.
Como fazer isso?
Acredito que o modelo da área médica é um bom exemplo.
Junta-se a faculdade de Medicina com centros de pesquisas e hospitais para
criar instituições que, em conjunto, possam produzir pensamento e dar
orientações. O que nos falta em Educação é junção dessas três realidades: da
universidade, da Escola e da pesquisa. A separação desses mundos na Educação é
muito grande e isso é nefasto para o desenvolvimento das Escolas.
A distância entre a universidade e o mercado de trabalho é
mais preocupante na Educação?
Essa critica é bastante habitual, mas não é totalmente
justa em relação a profissões como Engenharia e Medicina. Mas é muito
verdadeira no caso da Educação e ensino, em que a separação é maior. A universidade
tem relação forte com as profissões em algumas carreiras, mas no caso dos
professores é uma relação frágil e isso é um dos grandes problemas do século
21.
Como atacar esse problema?
Não podemos continuar com o modo que
fazemos hoje. A pessoa acaba sua licenciatura e já vai dar aulas, sem nenhum
apoio e transição. A passagem de aluno para jovem professor é muito mal
resolvida. É uma fase que eu chamo de indução profissional. Isso não pode ser
feito dentro na universidade, mas nas Escolas, em um processo de transição, e
não como é agora. Em Portugal, esse assunto vem sendo muito discutido. Há um
projeto de criação de uma espécie de residência em Educação para os primeiros
três anos de carreira. A ideia é integrar de uma forma mais tranquila os professores.
António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa,
in: O Estado de S. Paulo (SP)Cursar a 1ª série antes dos 6 anos não é bom, dizem especialistas
Crianças de 5 anos ainda não possuem
as competências necessárias para ingressar no ensino fundamental. É isso que
afirmam especialistas em educação infantil. Do ponto de vista pedagógico, elas
não são beneficiadas pela decisão da Justiça Federal de Pernambuco, que no dia
12 de abril decretou que menores de seis anos podem se matricular no ensino
fundamental.
Antes, apenas aqueles que
completassem 6 anos até o dia 31 de março do ano letivo a ser cursado tinham o
acesso garantido. A decisão – válida para todo o país - e que vai contra
resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) estende a data limite para o
aniversário para o dia 31 de dezembro. A decisão deverá ser comunicada pela
União às secretarias de Educação dos estados e do Distrito Federal em até 30
dias, sob pena de multa diária de 10.000 reais.
Márcia Malavasi, coordenadora do
curso de pedagogia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que
não há por que antecipar a entrada dos filhos no ensino fundamental e que o
ideal é que todas as crianças frequentem a pré-escola primeiro. “Colocar uma
criança tão nova dentro de uma sala de aula, nos moldes como é hoje, para ficar
sentada tendo aulas expositivas, pode ser penoso para ela”, considera.
Educadores concordam que na faixa dos
cinco anos a criança precisa de espaço maior para se movimentar e brincar e tem
o tempo de atenção limitado. Maria Regina Maluf, pós-doutora em psicologia e
professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirma
que nesta idade é muito difícil ficar sentada, por exemplo, por uma hora e meia
ouvindo o professor falar. “Aos 6 e 7 anos a criança tende a estar mais madura
para este estilo mais formal de ensinar, que se caracteriza o ensino
fundamental.” Além disso ela também terá dificuldades com operações lógicas,
exceto se tiver um desenvolvimento acima da média.
Outro ponto a ser considerado nessa
equação está relacionado ao desenvolvimento neurológico da criança. Nesta idade
estão sendo aprimoradas as relações sociais com o mundo. “Alfabetização exige
mais do que saber letras e não se aprende só brincando, é preciso
autocontrole”, afirma o professor João Batista Araujo e Oliveira, presidente do
Instituto Alfa e Beto, voltado principalmente à alfabetização.
Os critérios de seleção dos alunos
aptos e a própria estrutura do sistema de ensino devem ser levados em
consideração. O juiz Cláudio Kitner, responsável pela decisão, afirma que a
entrada com cinco anos no ensino fundamental pode acontecer desde que
comprovada a capacidade intelectual por meio de avaliação psicopedagógica, a
cargo de cada escola. Há controvérsias já que, segundo os educadores, as
escolas públicas não estão preparadas para tratar de forma diferenciada os
alunos e considerar as especificidades de cada um.
João Oliveira argumenta que é
primordial também saber o número de alunos em cada ano escolar para organizar
as vagas que serão oferecidas. “É lamentável essa decisão. Estabelecer uma data
limite de aniversário é uma atitude prática para organizar o serviço
educacional. Se não há critério, qualquer critério vale”, critica.
Este deve ser também um dos possíveis
argumentos utilizados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) do Estado de São
Paulo caso opte por recorrer da decisão judicial. O órgão ainda estuda de que
forma o ensino paulista será afetado e que medida irá tomar já que há uma
resolução própria em vigor no estado. O presidente do conselho, Hubert
Alquéres, afirma que há o risco de muitos pais quererem matricular os filhos no
ensino fundamental e, na contramão, encontrarem escolas e professores
insuficientes para atender esta demanda. “É muito perigoso uma pessoa dar uma
decisão válida para todo o país sem estudar os impactos que terá. Isto
desorganiza os sistemas educacionais e cria uma expectativa nas famílias que o
estado terá dificuldade em cumprir”, afirma.
Segundo dados da organização Todos
pela Educação, com base no censo demográfico de 2010, há no Brasil 1.156.846
crianças de 4 e 5 anos fora da escola. Na faixa etária entre 6 a 14 anos esse
número é de 968.456.
Pré-escola e estímulos - Os
especialistas ressaltam, porém, que não é por considerarem precoce a entrada no
ensino fundamental aos cinco anos, que as crianças não possam iniciar levemente
o processo de alfabetização nesta idade, ou antes. A boa pré-escola, alertam, é
aquela que não se restringe apenas a brincadeiras.
Foi o que aconteceu com Letícia, que
irá completar seis anos apenas no dia 6 de junho. Ela entrou no maternal de uma
escola particular com dois anos e meio e passou por todos os anos
pré-escolares. Hoje, está alfabetiza e, segundo o pai, o aposentado Manoel
Oliveira da Silva, apesar de conviver com colegas mais velhos no 1º ano do
ensino fundamental, não tem dificuldades. “No pré ela não gostava muito, pedia
para faltar. Agora, está adorando, mais motivada, conta das coisas diferentes
que aprende”, afirma.
Já a partir dos 4 anos, explica Maria
Maluf, é desejável iniciar atividades que levem a criança a ter consciência da
linguagem, como desenhar letras, manipular livros infantis e ouvir histórias.
“Cabe à educação infantil sensibilizar ao sistema de escrita”, afirma. Desta
forma, o acesso ao ensino fundamental – quando chegada a hora – se daria de
forma mais plena e proveitosa.
Fonte: Veja.com
sábado, 5 de maio de 2012
Renda faz família trocar escola pública pela privada
As escolas públicas brasileiras,
principalmente nos níveis fundamental e médio, estão perdendo espaço para os
colégios particulares. Nos últimos dez anos, a Educação básica municipal,
estadual e federal, perdeu um total de 4,834 milhões de estudantes, enquanto o
ensino privado ganhou 1,090 milhão de matrículas.
De acordo com levantamento feito pelo
Valor, na média calculada de 2002 a 2011 o setor público perdeu 480 mil
matrículas por ano e o mercado educacional privado arrebanhou cerca de 110 mil
novos alunos anualmente. Especialistas em Educação arriscam várias hipóteses
para explicar o ocorrido.
Uma das análises mais plausíveis é o
crescimento econômico do país associado ao aumento da renda, o que estimula
famílias que ascenderam socialmente a tirar seus filhos da escola pública e
colocá-los na particular.
Para Priscila Cruz,
diretora-executiva do Movimento Todos Pela Educação, a nova classe média
brasileira cria um movimento de migração na Educação. "É uma nova
fronteira de classe. Há um consumo maior, a família compra um carro, passa a
comer mais fora. Depois disso passa a aspirar mais coisas, como o ensino particular.
Ela se dá conta que Educação é importante para a manutenção na classe média e
até para subir de classe", avalia.
Em dez anos, os maiores movimentos de
aumento de matrículas nas escolas particulares e de perda exponencial de alunos
nas públicas coincidem com os anos em que a economia brasileira mais cresceu. O
Produto Interno Bruto (PIB) avançou acima de 6% de 2007 para 2008, período em
que os colégios privados matricularam 700 mil alunos e os públicos perderam
cerca de 500 mil. Em 2010, quando o PIB cresceu 7,5%, a maior alta em 24 anos,
o país registrou 400 mil novas matrículas no ensino privado e quase 1 milhão de
baixas nas escolas públicas.
O economista Naercio Menezes Filho,
coordenador da área de políticas públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper),
afirma que os números refletem "uma lógica natural": "O fato é
que se a família tem ganho de renda prefere matricular o filho na escola
privada. É a preferência revelada, escolhe porque acha melhor."
Embora a mais recente Pesquisa de
Orçamento Familiar (POF) do IBGE, referente a 2008 e 2009, aponte redução da
participação dos gastos com Educação nas despesas mensais médias das famílias
brasileiras, Menezes Filho pondera que é preciso isolar algumas variáveis para
verificar exatamente os aumentos por grupos de despesas. "A família que
gasta zero com Educação interefere na média final, sem falar que a média é
composta por outras variáveis. Se uma família gasta mais com alimentação e
transporte do que com Educação, isso acaba concorrendo com as despesas de
ensino na média."
Além do fator econômico, a questão
demográfica explica parte da perda de matrículas - em 2002, estavam
matriculados 54,7 milhões de alunos até o ensino médio, número que caiu para
50,9 milhões em 2011, considerando escolas públicas e privadas. O IBGE projeta
queda de 20% da população de 6 a 14 anos até 2022. Outro fator que explica a
perda de matrículas no setor público é a correção do fluxo escolar, com menos
crianças na escola com distorção de idade, informa o Ministério da Educação
(MEC), no documento "Resumo Técnico do Censo Escolar da Educação Básica
2011", divulgado nesta semana.
Por outro lado, a percepção de que a
qualidade do ensino público não vai bem pode influenciar migrações. Mas essa
percepção pode ser um mito, diz Priscila. "É importante sinalizar que boa
parte dos colégios privados tem resultado de escola pública. O que vemos é um
novo mercado crescendo e é importante o governo ficar de olho, afinar a
regulação."
O economista Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos
da Fundação Lemann, pondera que seria importante conhecer a realidade
socioeconômica dos alunos antes de tirar qualquer conclusão. "As pessoas
das classes C e D provavelmente estão indo para escolas privadas não tão boas.
Mas, sem dúvida, esse aumento reflete uma maior importância da pauta Educação
no Brasil."
No "Resumo Técnico do Censo
Escolar da Educação Básica 2011", divulgado nesta semana, o Ministério da
Educação (MEC) admite que é preciso corrigir o fluxo de alunos do ensino
fundamental e que o nível médio no país deveria ter mais 2 milhões de alunos
para chegar "a uma situação de equilíbrio" nas matrículas. O
documento mostra que, nos últimos cinco anos, o número de alunos do ciclo ficou
estável em torno de 8,4 milhões.
"O aluno potencial do ensino
médio é o concluinte do ensino fundamental. A estimativa é que a situação de
equilíbrio da matrícula seja em torno de 10,4 milhões, que corresponde à
população na faixa etária de 15 a 17 anos." O ensino médio é uma das
modalidades mais problemáticas da Educação básica brasileira, com baixa taxa de
conclusão, de 50%.
Por outro lado, o médio profissional
tem registrado crescimento das matrículas. Em 2011, foi o ciclo educacional que
mais cresceu, com 993.187 matrículas, uma alta de 7,5% sobre 2010.
Fonte: Valor Econômico (SP)
Direito do professor, formação dentro da escola falha
“Estou há 23 anos em sala de aula.
Durante todo esse tempo não presenciei HTPC (Hora de Trabalho Pedagógico
Coletivo) que faça justiça ao nome”. O desabafo feito pela professora Vilma
Nardes Silva Rodrigues expõe uma das principais dificuldades que o educador
enfrenta para realizar um bom trabalho: a formação interna na escola, que
deveria ser rotineira, ora não existe, ora se deturpa. A questão é tema da
terceira reportagem da série do iG sobre como o professor tem pouca chance de
aprender a ensinar.
Em tese, a carreira dos mestres é
estruturada para que ele se recicle e estude como ajudar seus alunos durante
todo o tempo em que estiver na ativa. A necessidade de aprender constantemente
é tão clara – ao menos na teoria – que existe legislação para garanti-la.
Por lei, um terço da carga horária
remunerada do professor deve ser destinado a atividades extra-classe. Cabe
neste tempo a correção de provas e trabalhos e o planejamento pedagógico, mas a
recomendação do Conselho Nacional de Educação é de que os profissionais se
reúnam para discutir dificuldades e soluções pedagógicas.
A maioria das redes públicas sequer
cumpre a lei. Em vez de reservar 33% do tempo para que os docentes se preparem
e dêem boas aulas nos outros 66%, prefeituras e Estados esperam que os
profissionais já cheguem preparados. “As pessoas acham que o professor é um ser
que nasce pronto. Longe disso, todos os dias há um duro trabalho de buscar
novas formas de ensinar a partir do diagnóstico dos alunos, que também é
trabalhoso”, diz Norman Atkins, presidente da Escola de Educação Relay, nos
Estados Unidos, e um dos principais críticos ao ensino apenas teórico que os
professores recebem.
Mesmo no tempo destinado à formação,
poucas escolas se dedicam a encarar as dificuldades pedagógicas que os
professores estão enfrentando. “Por mais que estas reuniões sejam marcadas, o
conteúdo é sempre de informes sobre datas, procedimentos e burocracias”,
lamenta Vilma que dá aulas em escola estadual, municipal e particular em
Carapicuíba, na Grande São Paulo.
Ela conta que o tempo previsto fora
de sala nas redes públicas - que não chega a um terço das aulas, mas existe –
sempre tem um roteiro definido por governo ou direção. “Quando, muito
esporadicamente, o tempo é para formação, a equipe se reúne sem saber o que
está ocorrendo com as turmas e o tema acaba sendo um texto, uma apostila
genérica, assuntos distantes do contexto da aula.”
Em uma das melhores escolas
municipais de São Paulo, a Desembargador Amorim Lima, muitos professores estão
prontos para admitir que não têm tempo suficiente para formação. O iG
acompanhou um dia de reunião na unidade durante a semana de organização
escolar, que antecede o início das aulas.
Os professores foram agrupados por
módulos e passaram a maior parte do tempo ajustando horários, turmas e como
funcionaria a recuperação paralela. À tarde, houve um exercício em grupo com a
leitura de um texto sobre portfólio, proposto pela consultora voluntária,
Fátima Pacheco, uma das fundadoras da Escola da Ponte (instituição em Portugal
que conquistou alunos ao substituir a divisão tradicional em turmas e
disciplinas por projetos).
Todos estavam acostumados com a
palavra portfolio no sentido burocrático, ou seja, sabiam que se tratava de um
documento sobre o desenvolvimento da aula que deviam apresentar. Já o sentido
pedagógico, de identificar o avanço e as dificuldades de cada aluno, pegou de
surpresa vários professores. Ao final, os porta-vozes dos grupos admitiram que
preenchiam o documento, mas não exploravam sua função. “É algo que deveria ser
trabalhado toda semana para que os educadores pudessem se ajudar, mas a maioria
das escolas que visito no Brasil não usa bem”, comenta a consultora.
A diretora da unidade, Ana Elisa de
Siqueira, reconhece as dificuldades de formação. “O que posso lhe garantir é
que nesta escola todos estão interessados em fazer o melhor. A Fátima é
benvinda e ajuda muito, mas são tantos problemas para resolver, de toda ordem,
que não conseguimos focar sempre no ensino-aprendizagem.”
Fonte: iG
O valor da avaliação
A Educação conta com pensadores que
transcendem com muita voracidade as suas terminologias. Denotam ciclos de
aprendizagem para o que antes se entendia por séries, floreiam esta
classificação com outras subclassificações e substituem também reprovado por
retido; diretor por gestor; exame por avaliação; notas por conceitos, falta de
limites por hiperatividade; professor por educador; aluno por educando e muitas
outras. Louváveis são esses pensadores que eliminaram termos antes pejorativos.
Contudo, quem pensou em unir essas
reformuladas classificações a uma nova prática de ensino? Quem buscou na
essência das palavras nortes para fazê-las jus? Acredita-se que tenha sido a
minoria de educadores, aquela desprovida de autoritarismo, ignorância, desânimo
e comodidade, pessoas heroicas, pois além de se dedicarem mais que a maioria,
são “bombardeadas” pela mesma, que, convenientemente, prefere fingir que a
Educação flui.
Existem índices que demonstram e
reforçam essa falsa ideia de que o ensino-aprendizado vai bem, como o declínio
de analfabetos no Brasil, por exemplo. Atrás dessa enorme e bem tecida cortina,
a Educação se deteriora. Acredita-se que desses fios, a avaliação da
aprendizagem seja a parte melhor entrelaçada e a de todas, a mais ilustrada.
Os estudantes acreditam que estão
sendo justamente avaliados, os pais deles também, em muitos casos, até os
próprios educadores acham isso. Quando, na verdade, estes estudantes estão
sendo vítimas de um processo que visa aprovar ou reter, e não, investigar a
qualidade da aprendizagem. Em 1996 instituiu-se o termo “avaliação da
aprendizagem” na LDB, porém, ainda hoje, se pratica exame. Cipriano Carlos
Luckesi, autor de vários livros e artigos sobre avaliação, afirma que
“avaliação é um ato democratizante, pois todos precisam aprender o que foi
ensinado”. Se todos os educadores tivessem esse pensamento ao avaliar,
deixariam de maquinar questões que dificultem a compreensão do que se pede, de
formular as “pegadinhas”, de explorar assuntos pouco trabalhados em sala e
criar metodologias não usuais.
É impressionante como é alto o número
de profissionais da Educação que busca por meio dos testes avaliativos coagir,
mostrar o seu poder e até fazer com que determinados educandos se sintam
incapazes e excluídos. Isso é perverso. A cola teria poucos adeptos ou nenhum,
se existisse um trabalho consciente e de conscientização por parte desses
educadores, mostrando aos seus educandos que avaliar é diagnosticar para
tratar.
A prática condizente a isso seria
conhecer e analisar o desempenho dos mesmos, buscando em seguida, fórmulas que
sanem suas dificuldades. Às vezes se faz preciso mudar de caminhos, reformular
explicações e até repeti-las incansavelmente. Os docentes devem sentir que as
suas atuações foram satisfatórias somente quando todos os seus conteúdos
transmitidos foram apreendidos por seus discentes. Não se é cabível culpar quem
não apreende. O nosso referido Luckesi repetiu de ano letivo várias vezes e se
não houvesse um educador que acreditasse e dissesse a ele: “eu vou ensinar, e
você vai ter que aprender”, jamais teria conseguido a sua renomada posição.
Entender a avaliação como um processo
contínuo de observância das construções cognitivas, a fim de aprimorá-las
precisa ser, de fato, o principal objetivo de quem educa. Isso gera inclusão e
demonstra afetividade pelo que se faz e por quem se faz.
Atingir, assim, o país em sua
totalidade com essa forma justa de avaliar, independente de sistemas, condições
e métodos, seria utopia? Espera-se que não, pois se houver um entendimento que
ao se rasgar a já mencionada cortina, a casa que se mostrará não é a do outro,
mas sim, a sua própria casa, cada um fará o melhor por ela.
Fonte: Diário de Cuiabá (MT)
O desafio do ensino
A notícia de que 32% das Escolas
estaduais na cidade de São Paulo enfrentam falta de professores resulta de uma
composição de deficiências variadas, desde pormenores logísticos -como a
substituição de docentes que se aposentam ou saem em licença- até problemas
como a dificuldade de atrair talentos para a carreira.
Deve-se, em primeiro lugar,
reconhecer que a tarefa é complexa. Não é trivial pôr para funcionar 1.072
colégios do Estado com características as mais variadas.
A rede municipal, em contraste,
apresenta problemas no máximo em 14% das unidades. E seus desafios são apenas
um pouco menos complicados que os da rede estadual: com 1.400 Escolas, seu foco
são os cinco anos iniciais do ensino fundamental, em que há menos disciplinas a
ministrar.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
Mario Quintana
(Data de falecimento do poeta - 05/05/1994)
Des(acordo)
Não concordo com Quintana
quando ele diz com firmeza:
“Cidade grande:
dias sem pássaros,
noites sem estrelas”.
Não. Não é assim.
Cidade grande:
pássaros durante o dia
e noites com o céu de estrelas.
Basta olhar e querer ver.
E querer escutar.
Como ouso discordar?
É só para o céu olhar.
Até nos dias chuvosos
os pássaros pousam nos fios
das ruas e avenidas,
como se eles fossem galhos
seguros de um tronco forte
de uma árvore frondosa.
O próprio Quintana diz:
“Os pássaros pousados
na pauta dos fios do telégrafo...”.
Eu acrescento agora,
no ano dois mil e onze,
os pássaros pousados
nos fios do telefone,
da internet, da tv,
além dos fios elétricos...
E continua Quintana:
“Eles é que vão
sucessivamente improvisando
-um após outro-
a letra e a música dos ventos...”
Agora, sim, eu concordo.
Estou de acordo, Quintana!
Heloisa Crespo (2010/01/02)
Des(acordo)
Não concordo com Quintana
quando ele diz com firmeza:“Cidade grande:
dias sem pássaros,
noites sem estrelas”.
Não. Não é assim.
Cidade grande:
pássaros durante o dia
e noites com o céu de estrelas.
Basta olhar e querer ver.
E querer escutar.
Como ouso discordar?
É só para o céu olhar.
Até nos dias chuvosos
os pássaros pousam nos fios
das ruas e avenidas,
como se eles fossem galhos
seguros de um tronco forte
de uma árvore frondosa.
O próprio Quintana diz:
“Os pássaros pousados
na pauta dos fios do telégrafo...”.
Eu acrescento agora,
no ano dois mil e onze,
os pássaros pousados
nos fios do telefone,
da internet, da tv,
além dos fios elétricos...
E continua Quintana:
“Eles é que vão
sucessivamente improvisando
-um após outro-
a letra e a música dos ventos...”
Agora, sim, eu concordo.
Estou de acordo, Quintana!
Heloisa Crespo (2010/01/02)
Metade dos brasileiros não estudou ou não concluiu fundamental
Os resultados do Censo Demográfico de
2010 divulgados nesta sexta-feira mostram que 50,2% da população brasileira não
estudou ou não concluiu o ensino fundamental. Enquanto isso, os que têm ensino
superior completo ou mais chegam a 8,3%.
O recorte do IBGE foi feito com as
pessoas com 10 anos ou mais e, portanto, desconsidera crianças até a idade em
que deveriam estar alfabetizadas e pode considerar outras com os estudos em
curso. Em outra apresentação de dados, o total de analfabetos já havia sido
divulgado em 9,6% da população ou 13,9 milhões de pessoas.
A Região Sudeste foi a que apresentou o nível de instrução
mais elevado. Na população de 10 anos ou mais de idade desta região,
encontrou-se o menor percentual de pessoas sem instrução ou com o fundamental
incompleto (44,8%) e o maior de pessoas com o superior completo (10,5%). Os
níveis de instrução das Regiões Norte e Nordeste situaram-se em patamar
inferior aos das demais, sendo que o percentual de pessoas sem instrução ou com
fundamental incompleto foi 56,5%, na Região Norte, e 59,1%, na Região Nordeste,
e o de pessoas com pelo menos o curso superior concluído, de 5,0%, na Região
Norte, e 4,9%, na Região Nordeste.
35,8% concluíram o ensino médio
Para medir quantos completaram o ensino médio foi
analisada apenas a população com 25 anos ou mais de idade . Entre estas, 35,8%
tinham completado a etapa de ensino que deveria ser concluída por volta dos 18
anos. Houve evolução considerável desde 2000, quando 23,1% da população acima
de 25 anos estavam neste patamar. Veja abaixo a evolução em 10 anos por Estado.
Os dados também mostram que, no País,
3,3% das crianças de 6 a 14 anos não estavam na escola. O porcentual é
equivalente a 966 mil pessoas na idade do ensino fundamental ou uma a cada 33
em todo o Brasil.
Nos resultados por Estado observou-se
que Acre, Roraima e Amazonas tinham mais de 8% das crianças de 6 a 14 anos de
idade fora da escola, vindo em patamar seguinte o percentual do Pará (5,5%).
No contingente de adolescentes de 15
a 17 anos de idade do País, 16,7% não frequentavam escola durante a pesquisa.
Conforme adiantou o Todos Pela Educação, somadas as idades, há quase 4 milhões
de crianças e adolescentes fora da escola.
Fonte: iG
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Há 10 anos a língua brasileira de sinais promove inclusão
Há dez anos, a língua brasileira de
sinais (libras) passou a ser reconhecida como meio legal de comunicação e
expressão pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Passada uma década,
observa-se maior inclusão de pessoas com deficiência auditiva nas escolas
regulares.
Dominar a libras permite às pessoas
com deficiência auditiva ter maior autonomia, independência social e cidadania.
A política de educação inclusiva, adotada pelo Ministério da Educação, orienta
os sistemas de ensino para garantia do ingresso dos estudantes com surdez nas
escolas comuns, mediante a oferta da educação bilíngue, dos serviços de
tradução e de interpretação de libras-língua portuguesa e do ensino de libras.
De acordo com a diretora de políticas
de educação especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização,
Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação, Martinha Clarete
Dutra, o ensino da libras é parte do processo de organização do sistema de
ensino inclusivo. “Para que a educação seja, de fato, um direito de todas as
pessoas, é preciso que os sistemas de ensino identifiquem e atendam as
especificidades educacionais dos estudantes”, disse a diretora.
Para a efetivação da educação
bilíngue, o Ministério da Educação desenvolve programas e ações, em parceria
com os sistemas de ensino. O curso de formação inicial de professores em
letras-libras para promover a formação de docentes para o ensino de libras foi
instituído por meio da Universidade Aberta do Brasil (UAB) e mantém 18 polos.
Em 2010, mais dois cursos foram criados pelas instituições federais de Goiás e
Paraíba, nas modalidades presencial e a distância.
O Instituto Nacional de Educação de
Surdos (Ines) criou o curso de pedagogia bilíngue libras-língua portuguesa para
expandir a educação inclusiva. Ele conta com a matrícula anual de estudantes
surdos e ouvintes.
O Programa Nacional para a
Certificação de Proficiência no Uso e Ensino da Libras e para a Certificação de
Proficiência em Tradução e Interpretação da Libras-Língua Portuguesa
(Prolibras) promove dois exames periodicamente. Um deles, voltado para o ensino
médio e superior, certifica professores para a aplicação e o ensino da libras
em sala de aula. Outro capacita profissionais em tradução e interpretação da
libras. Até 2010, foram realizadas cinco edições do exame em todo território
nacional e certificados 6.100 profissionais.
O panorama da inclusão nas escolas
comuns da rede pública vem se modificando. O número de matrículas de estudantes
que formam o público alvo da educação especial em classes comuns passou de 28%
em 2003 para 74% em 2011. No mesmo período, o número de escolas de educação
básica com essas matrículas passou de 13.087 para 93.641.
Fonte: MEC
Mudanças do ensino médio em debate
O grau de aproveitamento do Ensino
Médio no Brasil é insuficiente e pode melhorar com técnicas para tornar os
conteúdos mais atrativos. A opinião é do presidente da Câmara da Educação
Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), Francisco Cordão. Ele palestrou
ontem na Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS), na Capital, sobre
métodos para adaptar o currículo à nova proposta de Ensino Médio e tornar a
Educação mais atraente. "Precisamos melhorar e é possível fazer isso
organizando o currículo de maneira que chame a atenção do aluno",
explicou. A ideia, complementou, é integrar as disciplinas e contextualizá-las
para que façam sentido ao estudante. A fórmula tem dado certo nas mais de 400
Escolas públicas que seguem o projeto do governo federal "Ensino Médio
Inovador". A resolução do CNE, aprovada no início do ano, propõe que os
currículos se aproximem cada vez mais da vida dos estudantes e que sejam postos
em prática no ano que vem.
O encontro, realizado pelo sindicato
das Escolas particulares (Sinepe/RS), contou com cerca de 250 coordenadores
pedagógicos e diretores da rede privada e teve a presença da conselheira do
Conselho Estadual de Educação, Sonia Balzano. Ela alertou que a mudança nos
métodos de Ensino deve ser acompanhada de um reforço na formação dos
professores e, portanto, acredita que as faculdades irão se adaptar a essa
transformação.
Fonte: Correio do Povo (RS)
Aula atraente deve ser regra em 2013
Escolas particulares e públicas do
Brasil têm pela frente um desafio com prazo definido: tornar o ensino médio,
hoje marcado por índices significativos de evasão e reprovação, novamente
atraente aos estudantes. A partir de 2013, as instituições devem começar a
colocar em prática as diretrizes de uma resolução do Conselho Nacional da
Educação (CNE), que propõe mudanças envolvendo interação entre disciplinas e
uma Educação mais voltada à realidade dos alunos.
No Estado, a Secretaria da Educação
(SEC) começou neste ano a implementar na rede pública um modelo de ensino
politécnico, em que se pretende usar o mundo do trabalho como eixo para o
ensino das disciplinas tradicionais. A decisão gerou controvérsia entre
representantes de professores e especialistas, que acusaram a SEC de afastar os
estudantes de dimensões mais humanas da Educação.
As mudanças foram debatidas em um
encontro ontem em Porto Alegre. Promovido pelo Sindicato do Ensino Privado
(Sinepe/RS), com a presença do presidente da Câmara de Educação Básica do CNE,
Francisco Cordão (leia entrevista ao lado). A ideia é que haja uma
flexibilização dos currículos Escolares, permitindo que as Escolas encontrem
formas de aproximar o conhecimento da vida dos estudantes.
– O ensino médio não está atendendo às expectativas dos
alunos. O conhecimento não é estanque, é global, mas o nosso currículo ainda é
estanque – explica Cordão.
Escola de Viamão aplica metodologia inovadora
No Instituto Marista Graças, Escola
particular de Viamão, na Região Metropolitana, os alunos convivem desde 2009
com um jeito diferente de aprender. Implantado antes apenas em uma turma do 3º
ano do ensino médio, o projeto Contextura hoje é aplicado nas turmas de todos
os níveis. A partir de um grande tema, os estudantes constroem uma pesquisa que
envolve conhecimentos de todas as disciplinas.
– Eles têm uma situação-problema e
têm de construir uma solução. É uma construção que dura o ano inteiro e todas
as disciplinas contribuem de alguma forma – detalha a coordenadora pedagógica
do ensino médio, Cíntia Bueno Marques.
Fonte: Zero Hora (RS)
Ioschpe: aumentar salário de professor não melhora o ensino
Enquanto professores saem às ruas de
diversas partes do País para cobrar o cumprimento da lei que definiu o piso
nacional do magistério, o especialista em educação Gustavo Ioschpe defende que
reajustar os salários não significa que a educação no País vá melhorar.
"Há centenas de estudos empíricos, publicados em revistas acadêmicas,
estimando a relação entre salário de professores e aprendizado de alunos. A
esmagadora maioria desses estudos não demonstra existir essa relação. Aumentar
salário de professores não é um caminho para a melhoria da qualidade da
educação", afirma.
O economista classifica a discussão
em torno do piso salarial como algo sem fundamento. "É surpreendente e
decepcionante que o País perca tanto tempo com uma discussão que toda a
experiência internacional e brasileira já demonstrou ser infrutífera",
completa.
Mas o panorama do ensino brasileiro
tem despertado opiniões adversas. "Entre os componentes da qualidade de
ensino no mundo todo, é indispensável a ideia de garantir uma boa remuneração
para os professores, capaz de dar segurança para trabalhar", diz o
professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Rubens
Barbosa de Camargo, que acredita na lei do piso do magistério como uma garantia
para os profissionais.
Acompanhadas de mobilizações da
categoria, as discussões em torno do salário dos professores têm lançado luz à
relação entre qualidade do ensino e condições de trabalho. De acordo com a
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), até 2 de abril, 17
Estados não pagavam o piso anunciado pelo Ministério da Educção (CNTE), de R$
1.451,00. Entre as maiores reivindicações dos professores, o piso foi
reajustado em 22,2%, de acordo com lei de 2008 e corresponde a pouco mais de
dois salários mínimos, mas não deve entrar em vigor em todos os Estados. O
valor é valido para profissionais com carga horária de 40 horas semanais.
Na opinião de Camargo, que é especialista em gestão de
sistemas e escolas, análise de políticas educacionais e financiamento público
da educação, o aumento dos salários é um dos primeiros passos para melhorar a
qualidade do ensino brasileiro. Entre as medidas que buscam garantir
vencimentos mais altos, está o Plano Nacional da Educação, atualmente em
discussão no Congresso Nacional, que visa a garantir salários equivalentes a
outros trabalhadores com mesmo nível de formação. "O próprio governo
reconhece essa defasagem. Professores da rede pública ganham cerca de 60% do
que ganham outros profissionais com mesmo nível de informação", afirma.
Educação no Brasil melhorou
Para Ioschpe, a educação no Brasil
tem melhorado. No entanto, ele faz ressalvas. "No primeiro Pisa, o mais
respeitado teste internacional de qualidade da educação, o Brasil ficou em
último lugar. Saindo de uma base tão baixa, era de se esperar uma melhora. Mas
a comparação do Brasil consigo mesmo é pouco relevante. O que importa é como o
Brasil está em relação ao resto do mundo, porque o fundamental para a
competitividade do País não é o esforço que ele está fazendo, e sim o resultado
que está alcançando", diz. O especialista garante que debates a respeito
de salário dos professores e porcentagem de investimento do PIB são
infrutíferos. "Dado o erro estratégico da maioria da discussão sobre
educação no Brasil, não há nada que sugira que teremos luz no fim do túnel.
Devemos continuar patinando", enfatiza.
No lado oposto, o professor da USP
aponta o aumento no investimento em educação como a saída para a melhora na
qualidade de ensino. Para Camargo, é equivocada a visão de que o único problema
são os recursos mal administrados. Na opinião do professor, as lacunas existem
em todos os níveis - desde a creche até a pós-graduação. A solução estaria em
dobrar os investimentos de 5% para 10% do PIB, garantindo menor número de alunos
por classe, processos de formação permanente aos professores e valorização
social da profissão por meio de condições de trabalhos mais adequadas.
"Ainda que de maneira muito incipiente, a situação
vem melhorando. A implantação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica (Fundeb) e da lei do piso dão uma espécie de garantia para que
Estados e municípios tenham melhores condições para o pagamento de professores.
Além de começar a implantar o piso, algumas redes públicas também já pensam em
melhorar a infraestrutura das escolas com reformas e compra de
equipamentos" explica. Para o professor, as mudanças são reflexo de
programas criados ao longo de diversos governos e que, mesmo que ainda
timidamente, começam a surtir efeito sobre a educação básica no Brasil.
A formação dos professores
brasileiros também estaria se expandindo. É o que acredita Camargo, professor
da USP, que indica os cursos de especialização como uma das alternativas para a
melhora na qualidade de ensino. "Tem crescido o número dos professores das
redes públicas que se titularam. Em várias redes, esse é um pré-requisito para
evolução na carreira. A geração mais nova também quer se qualificar cada vez
mais", diz.
O número de matriculados em
faculdades para docência, de acordo com Ioschpe, também tem crescido.
"Segundo a sinopse estatística do ensino superior brasileiro 2010, do
Inep, há 923 mil alunos em cursos de graduação na área de educação nas
universidades brasileiras, quase um quinto do total de alunos no nosso ensino
superior. É o curso com mais matriculados no País", afirma. "Isso é
quase oito vezes o total de matriculados em todas as disciplinas de
humanidades, mais do que direito, mais do que administração, cinco vezes mais
do que todas as engenharias, mais do que todas as áreas de saúde juntas",
calcula.
A situação faria coro ao
contentamento dos docentes com a profissão. "Essa imagem que se criou do
professor brasileiro como o cara que trabalha no setor por falta de opção, que
ganha salário de fome, que precisa trabalhar em muitas escolas e que é vítima
da violência representa a minoria da minoria. As pesquisas mostram que os
professores estão satisfeitos com suas carreiras, optaram por ela, não
gostariam de trocar de profissão, trabalham em uma escola cumprindo carga
horária inferior à maioria das profissões e com férias mais longas, e ganha
aquilo que é de se esperar para o seu nível de formação e carga horária.
Enquanto não superarmos esses estereótipos e mistificações, a discussão
nacional não vai pra frente. Estamos discutindo falsos problemas",
enfatiza.
Na contramão de Ioschpe, Camargo
acredita que o interesse pelos cursos de licenciatura e pedagogia vem
diminuindo. "Acho que o grande fator é a questão das carreiras e dos
salários depois que saem da faculdade. Isso torna a carreira e a profissão
pouco atrativas e faz com que os jovens procurem outras profissões, com
atrativos mais interessantes. Conforme essas políticas de valorização docente
se consolidem no País por meio do Fundeb, do piso e de outras a serem
implementadas, quem sabe essa tendência seja revertida", diz.
Fonte: Terra
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Comissão da Câmara aprova limitar peso de mochila escolar
A CCJ (Comissão de Constituição e
Justiça) da Câmara aprovou ontem um projeto que proíbe o uso de mochila escolar
com peso excessivo. A proposta limita o volume em 15% do peso do estudante.
Inicialmente, o texto propunha
restrição de 10%. Se não for apresentado recurso, deve seguir para análise do
Senado.
A proposta prevê que a aferição do peso do aluno deverá ser feita por declaração escrita por ele próprio no ensino médio, ou por pais ou responsáveis em creche, Pré-Escola ou Ensino Fundamental.
A proposta prevê que a aferição do peso do aluno deverá ser feita por declaração escrita por ele próprio no ensino médio, ou por pais ou responsáveis em creche, Pré-Escola ou Ensino Fundamental.
O governo ainda deverá promover
campanha sobre o peso máximo aconselhável de material a ser transportado.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
Alunos saem do fundamental sem saber o básico
Praticamente uma em cada cinco
crianças terminou o Ensino Fundamental em 2009 sem ter alcançado condições
básicas de compreensão de texto. Quando a disciplina muda para matemática, o
dado é mais assustador. Aproximadamente 39% dos estudantes que concluíram os
primeiros nove anos do ciclo educacional, entre 2005 e 2009, não tem o nível
básico de competência para resolver problemas, como se espera de um aluno nessa
etapa do ensino. Os índices da Prova Brasil de 2005, 2007 e 2009 mostram,
segundo análise da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), que,
em algum momento, o sistema educacional brasileiro falhou.
De acordo com o levantamento da
organização Exclusão Intra-escolar nas Escolas Públicas Brasileiras, o perfil
desses estudantes que não conseguiram alcançar o mínimo de desempenho está
relacionado a uma série de fatores dentro e fora da Escola. Segundo a pesquisa
da Unesco, a maioria desses estudantes tem características comuns: piores
condições socioeconômicas, estão concentrados nas regiões mais pobres do país —
Norte e Nordeste —, nas Escolas com os indicadores de qualidade mais baixos,
com bibliotecas, instalações e condições de funcionamento deficientes. Outros
fatores comuns também foram observados, em relação aos gestores e educadores
desses alunos. As equipes que os atendem são as menos coesas, com menos
Escolaridade, piores condições Escolares e maiores índices de violência
Escolar.
Para o coordenador de Educação da
Unesco, Paolo Fontani, os números mostram que o processo de aprendizado, para
esses alunos, foi interrompido. “Esse tipo de atraso tem um impacto muito forte
na capacidade de continuar a aprender por toda a vida”, alerta. Segundo ele,
esses dados apontam que o aprendizado envolve três pilares com elementos de
justiça social, equidade e inclusão. “Não podemos considerar que a
responsabilidade dessa falha é da criança. Não é ela que tem que se adaptar. O
sistema tem que ser capaz de ser inclusivo para fazer com que cada um tenha
oportunidade de aprendizado.”
Esse sistema de ensino, para a
professora de português da rede pública do Distrito Federal Keila Núbia, tem
que priorizar a valorização da Educação e o envolvimento dos pais. “Não ter uma
boa estrutura não impede que os estudantes aprendam. O fato de o pai não
acompanhar, não estar presente, dificulta. Vejo pelos meus alunos, os que têm
pais empenhados são os que saem na frente. Mesmo que eles sejam analfabetos, se
eles valorizam, os alunos também se importam.”
O especialista em ensino com ênfase
em matemática da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB)
Cleyton Hércules Gontijo concorda com a professora de português, mas destaca
que, além do suporte familiar, um plano de ensino poderia ajudar a mudar esse
cenário. “As diretrizes curriculares poderiam ser melhores. Os professores
deveriam saber exatamente o que os estudantes devem aprender em cada etapa
Escolar e esse documento deveria ser o mesmo para todo país.” Programas com
foco no currículo nacional, jornada de tempo ampliada, melhoria nas instalações
físicas da Escolas e qualificação dos docentes completam a lista de sugestões
do especialista.
O baixo índice de rendimento dos
jovens também preocupa o Ministério da Educação. O ministro Aloizio Mercadante
adotou recentemente como meta para a pasta garantir a alfabetização na idade
certa para conseguir melhores índices de aprovação. Um dos argumentos do
ministro é de que, se o estudante não estiver alfabetizado até os oito anos,
dificilmente ele vai ter facilidade de aprendizado no restante da vida Escolar.
Fonte: Correio Braziliense (DF)
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