sábado, 20 de agosto de 2011

O Brasil precisa de consenso sobre o que quer na educação

Aos 39 anos, o brasileiro Paulo Blikstein tem muitas conquistas no currículo. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), ele é professor da Universidade de Stanford e acaba de ganhar o Early Career Award, da National Science Foundation (NSF).
O prêmio é um dos mais importantes dos Estados Unidos e é concedido a jovens docentes. Blikstein receberá US$ 600 mil para investir em seu projeto, que consiste numa forma inovadora de ensinar conteúdos avançados de ciências nos ensinos fundamental e médio.
"Esse prêmio significa o reconhecimento, mesmo por uma instituição relativamente conservadora, de que as ideias que defendo são possíveis", disse. Ele vai participar do encontro internacional de Educação Sala Mundo Curitiba 2011, nos dias 17 e 18. Leia entrevista que ele concedeu ao Estado.

No que consiste a pesquisa?
Ciência de ponta não é feita mais só com tubos de ensaio, é feita com tubos de ensaio conectados a computadores, que rodam modelos matemáticos. O que eu fiz foi trazer isso para a Escola, trazer ciência de ponta para o aluno. Chega de ciência da década de 30.
E o meu projeto é fazer o equipamento custar o mesmo que um livro didático, e ser de código totalmente aberto e público. Teremos quatro universidades americanas implementando o protótipo em Escolas secundárias a partir de 2012, além de Escolas na Tailândia e na Rússia.

Como a ciência pode ajudar a despertar o interesse do aluno pela Escola?
Ciência é um instrumento de cidadania. Os problemas do mundo moderno são muito mais complexos que antes - aquecimento global, neurociência, etc. Precisamos entender tudo isso para votar, participar do debate público. Mas para criarmos mais cientistas e engenheiros, temos de ensinar de um jeito motivador, fazer o aluno gostar de ciência e engenharia.
Boa parte do meu trabalho é criar formas de ensinar ciência e matemática com o que chamamos de "motivação intrínseca". Você já ouviu falar de alguém que virou ator, mas detestava as aulas de teatro?

Como podemos aplicar isso no Brasil?
Muita gente acha que no Brasil só podemos fazer o básico porque não há dinheiro para aEducação, muito menos para tecnologia. Não é verdade. Há dez anos me disseram que não dava para fazer robótica educacional no Brasil porque os kits custavam US$ 300. Eu voltei para o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e, com meu colega Arnan Sipitakiat, fiz uma placa de robótica de US$ 20, a GoGo Board.

Como você vê a Educação no Brasil hoje?
O Brasil está avançando, mas precisamos de um consenso nacional sobre o que queremos. Às vezes queremos imitar Cingapura, outras vezes a Holanda, sendo que esses países têm sistemas completamente diferentes. Ficamos correndo atrás de rankings internacionais do mesmo jeito que corremos atrás do ranking da Fifa, sem saber o que eles medem.
Hoje temos uma chance rara - com todo o crescimento econômico da última década, podemos reinventar a Educação brasileira. Poucos países têm essa chance. Mas precisamos parar e pensar o que queremos, a Escola da Coreia do Sul, baseada na decoreba, ou a da Finlândia, baseada na liberdade do aluno e do professor. Os dois são líderes. Precisamos fazer escolhas.

Quais são os nossos principais problemas na Educação básica?
Uma parte da Educação pode ser padronizada, uma parte não pode, depende do nível de renda, da família, da região, da cultura. Para isso, precisamos de professores treinados para fazer as duas partes - a parte mais técnica, de ensinar o currículo, e a parte mais sofisticada, de adaptar o currículo à realidade local. professor autômato não funciona.

Você pretende trazer seus projetos para o Brasil?
Adoraria, mas quando estiverem no ponto certo. Vou implementá-los na Rússia, na Tailândia, por que não no Brasil? Só precisamos de bons parceiros. Meu sonho é ajudar a Educação brasileira. Continuo desenvolvendo tecnologia de baixo custo, justamente por isso.
O Estado de São Paulo (SP)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Atividades não didáticas atrapalham alunos

É praticamente impossível falar de escola e não lembrar do quadro, o negro ou a lousa (mais moderna), da chamada oral, da hora do exercício que é quase sinônimo de momento de descontração. São atividades comuns na Educação Básica, mas que podem representar horas ‘desperdiçadas’ em sala de aula. Enquanto o mestre desenvolve essas tarefas, os alunos muitas vezes conversam, relaxam, se distraem e a aula perde produtividade.
Uma pesquisa do Banco Mundial, realizada em três Estados (Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais), revelou que no Brasil se perde até dois meses de aula com tarefas não didáticas. O estudo não trouxe dados da Paraíba, mas visitando escolas da capital é possível verificar que essas práticas são comuns, sobretudo nas instituições públicas, que precisam cumprir critérios como frequência escolar do aluno. 
Além disso, ainda não dispõem, em quantidade, dos mesmos recursos tecnológicos que as escolas privadas. Na Escola Estadual de Ensino Médio Liceu Paraibano uma das mais conceituadas da Paraíba, a professora Verônica de Sá Andrade, que leciona português para turmas de 55 alunos de Ensino Médio, contou que em quase todas as aulas há chamada oral e que gasta aproximadamente dez minutos com a prática. 
“Para falar a verdade, tem dias que não dá tempo. Na maioria das vezes, eu explico o conteúdo e o tempo em que eles estão anotando o que tem no quadro eu aproveito para fazer a chamada”, contou. Ela disse ainda que registrar a frequência é importante, pois, “de repente pode acontecer algo com o aluno e a gente não tem como saber o porquê dele não estar vindo”. 
Outro método utilizado para aproveitar o tempo em sala de aula é não copiar tanto e ‘explorar’ os livros. A professora de História, Fátima Souza, também funcionária do Liceu Paraibano, revelou que dos 45 minutos que dispõe para a aula, 15 são gastos copiando no quadro o esquema que guiará a aula e outros dez para chamada e para os alunos copiarem. 
“O restante (20 minutos) eu uso para explicação e deixo um tempo para eles tirarem dúvidas”, comentou. A professora destacou que a escola possui um data show e um retroprojetor para otimizar e diversificar as aulas, mas nem sempre “podemos usar esse material, pois ainda existe a necessidade desse espaço escrito e oral. Trabalho, na minha disciplina, com as relações humanas”.
No colégio municipal Frei Afonso, a equipe de educadores e os alunos contam com sala de leitura, um laboratório de informática completo – com uma média de um computador para cada dois alunos, inclusive com televisão, data show, câmera fotográfica, de vídeo, recursos de mídia em geral. Mas é uma sala para usufruto de todas as turmas de Ensino Fundamental. 
A supervisora pedagógica e professora do Ensino Fundamental da instituição, Sarah Danielle, reiterou, também, que a frequência não só é necessária (pelas exigência do Ministério da Educação), mas também é o momento para o mestre conhecer cada aluno.
O quadro, para ela, também é uma ferramenta essencial para o estudante visualizar o que é mais importante na aula. Porém, as explicações são feitas utilizando diversos recursos, como os textos trazidos pelos professores e o material didático padrão. Cada turma no Frei Afonso possui de 22 a 30 alunos e aulas de 45 minutos.
Jornal da Paraíba (PB)

Cultura e tradições

A cultura de uma sociedade organizada pode ser avaliada através do apego e respeito às suas tradições originais, o que significa caracterizar uma linha de Educação do seu País. Nos povos do primeiro mundo, essa riqueza cultural do exercício de conservar e transmitir seus hábitos e costumes parece ser símbolo internacional, como parte do orgulho pátrio e glória de uma gente que conseguiu aprimorada Educação.
O Brasil, um dos campeões da sua cultura literária, notável no desempenho dos seus mestres, escritores e ensaístas, que não desmerecem seus patrícios de origem portuguesa, em linhas de Eça de Queirós e Junqueiro, ainda sofre o vexame de ser classificado como um dos grandes redutos de analfabetos, onde a Educação Escolar continua escandalizando as estatísticas pela má qualidade do ensino e a péssimo desrespeito ao professor, cujos honorários inutilizam seu amor pelo magistério, tão mal remunerados e desprestigiados.
Nosso famoso e territorial gigante país sul americano, vivendo apenas seus 510 anos de mudanças civilizadoras, tem se debatido como um náufrago tão próximo a praia, na tentativa de reverter grande parte de sua sociedade organizada a se envolver por um mínimo de equilíbrio no caminho de sua Educação.
Não parece existir aquele alento fiel de responsabilidade dos nossos homens públicos ante o definhado destino do nosso ensino Escolar, como uma herança maldita dos primeiros governantes. A cada mudança de governo, os titulares ministeriais parecem condicionados a se desvanecerem ou se intimidarem por antecipação e quase nada melhorarem no rumo do ensino e do amparo a uma população infantil à toa.
Parte da nossa sociedade insiste em exibir sua elegância elitista, embora sabendo de sua responsabilidade na luta pela Educação e cultura do País, a despeito dos nossos intelectuais, escritores e mestres, que tentam oferecer a parte que lhe foi confiada, como representantes desse setor fundamental ao desenvolvimento do Brasil. Até nossas tradições estão minguando à falta dessa oxigenação cultural.
Diário do Nordeste (CE)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Construtivismo na berlinda

A teoria construtivista, que predomina na Educação brasileira, não é comprovada pelos estudos científicos feitos em diversos países ao longo dos últimos vinte anos.
As pesquisas, ao contrário, mostram que para uma alfabetização rápida e eficaz é essencial o desenvolvimento da capacidade de relacionar as letras aos sons correspondentes, o que ocorre mais facilmente quando as crianças recebem orientações claras sobre isso. 
O tema é mais que oportuno num país onde metade das crianças chega ao 5º ano sem saber ler e escrever frases simples, segundo resultados da Prova Brasil. A situação é pior no Rio Grande do Norte, onde o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do 5º ano é de 3,4, bem abaixo dos 4,4 da média nacional.
"Não podemos continuar negando as evidências cientificas e acreditar que 50% das crianças brasileiras são incapazes de aprender a ler por serem pobres, que não haja nada de errado com nossos métodos", diz João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto (IAB), organizador do seminário.
"Os estudos mostram que pobreza não atrapalha alfabetização, mas estratégias equivocadas, sim. Não há razão para a escola pública não ensinar a ler aos 6 anos, como a privada. Não fazê-lo prejudica todo o desempenho escolar posterior, num mecanismo perverso de reprodução da pobreza".
Nos últimos 15 anos, governos de vários países (EUA, França, Inglaterra, Brasil e Portugal) criaram grupos de cientistas para estudar as melhores estratégias de alfabetização.
Professor da Universidade Livre da Bélgica e palestrante do seminário, José Morais integrou três desses grupos, inclusive do brasileiro.
Ele é categórico em afirmar que toda a pesquisa e experiência prática internacional mostram que compreender a relação entre fonema (som) e grafema (letra) é o primeiro passo para a alfabetização e indicam que essa aprendizagem depende de orientações e exercícios explícitos.
A outra palestrante, Tatiana Pollo, pesquisadora brasileira com doutorado premiado na Universidade de Washington, testou as fases da alfabetização previstas pelo construtivismo e constatou que não se verificam.
Seus estudos confirmaram, entretanto, a importância dos conhecimentos implícitos, ou seja, aqueles que as crianças adquirem pelo contato com a língua escrita já antes de saberem ler: "O contato com textos facilita a alfabetização, embora não substitua as orientações sobre os sons das letras", diz Pollo.
Por isso, os especialistas sugerem que se promova, desde a pré-escola, a leitura em voz alta para as crianças e a exposição visual delas a textos, além de exercícios lúdicos com rimas e divisão de palavras, para desenvolver a consciência dos sons da língua.
Na fase de alfabetização, a recomendação é intercalar exercícios de leitura e decodificação de textos simples com leitura em voz alta e contato visual com textos mais complexos.

Diário de Natal (RN)

Patrimônio histórico


Segundo o dicionário patrimônio quer dizer conjunto de bens culturais ou naturais que importa conservar. Repetindo, que importa conservar. Grifando, que importa conservar. Questionando, que importa conservar? Como? Quando? De que forma?
O grifo, a indagação é do Liceu de Humanidades de Campos, do Asilo do Carmo, da Lira de Apolo e de tantos outros prédios que gritam, imploram pela sua vida, porque estão doentes, morrendo aos poucos, lentamente... E nada é feito... E o tempo passa... E a morte é certa.
Há anos fiquei estarrecida com as ruínas do Asilo do Carmo e emprestei a minha voz a ele, fazendo uma súplica, através de um poema.

SÚPLICA
Já não suporto as dores
dos meus pedaços tirados!
Já não aguento o descaso
com o meu corpo tão cansado!
Sou um prédio com esteios,
interditado, tombado...

Tenho a vida ameaçada!
Eu não quero ter escoras.
Eu quero viver de pé,
seguindo com a minha história,
não de saudade das glórias,
de um tempo que já se foi.

Sou, historicamente,
mais um casarão “tombado”...
Por que tornaram-me assim,
se não há conservação,
se ninguém cuida de mim?
Para que ter minha guarda
se negam-me proteção?

O meu grito é sufocado
com o silêncio das paredes.
Quero viver atuante,
continuando a abrigar
vidas que como eu
tem histórias pra contar!
Sou o Asilo do Carmo,
que suplica, chora e grita:
Sou um patrimônio de Campos,
de Campos dos Goytacazes!

. Versos inspirados na foto do Asilo do Carmo, no jornal Monitor Campista, de 17/09/2003.
Há oito anos o Asilo do Carmo clamou, reclamou, protestou, chamou aos gritos os responsáveis pelo seu estado precário. O que foi feito? Mais escoras foram colocadas! Mas ele diz, quase aos berros, que não quer ter escoras. Ele quer viver de pé. E assim é o Liceu, a Lira e outros e mais outros...
Nomeie os outros quem puder!
Heloisa Crespo

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O bom mestre de hoje fará toda a diferença amanhã

Quem não se lembra da professora dos primeiros anos da vida escolar? Seus "ótimos" e "parabéns" no caderninho enchiam você de orgulho. E se você é um sucesso profissional hoje, saiba que ela ajudou a fazer a diferença.
Prova disso, é que os alunos que tiveram bons professores aprenderam 68% mais do que os colegas instruídos por docentes medianos, segundo o estudo"Caminhos para Melhorar o Aprendizado", realizado pelo Instituto Ayrton Senna e pelo movimento Todos Pela Educação.
O empresário Felipe Pereira Gama, 32 anos, faz parte desse grupo que conseguiu sucesso e uma carreira sólida graças a seus bons professores. Para o ambiente de trabalho, ele levou a lição dos trabalhos em grupo. "Meus professores fortaleciam a união, o estudar juntos. Era um ambiente solidário. Aprendi cedo a trabalhar em equipe".
Felipe passou para o curso de Desenho Industrial na Ufes e criou um grupo de estudos com três amigos. Os trabalhos apareceram e a parceria da faculdade se tornou a sociedade em uma empresa de designer que, atualmente, possui 20 funcionários. O jovem empresário acredita que o bom professor serve de espelho para o futuro.
Para o engenheiro Danilo Pedrini, 26 anos, que passou em um concurso da Petrobras aos 24 anos, a principal função do professor, principalmente o universitário, é ajudar o aluno a desenvolver o senso crítico e o raciocínio. "Não é só aprender a matéria e pronto. Ele faz a pessoa ter mais interesse pelo curso".
A relação entre aluno e educador é uma troca positiva para os dois lados. Há 37 anos na profissão, o professor Carlos Galvão Júnior, 55 anos, tem muita história para contar e, hoje, uniu a paixão de ensinar ao lado social. "Participo do projeto Universidade para Todos e não tenho a menor dúvida de que sou realizado. Os alunos veem no professor a esperança de sucesso. O crescimento deles é o resultado do nosso trabalho".
Atitudes que fazem a escola funcionar, como cumprir o currículo e ter regularidade nas atividades, ao longo dos anos, aumentam muito o aprendizado do aluno. É o que afirma o coordenador do projeto "Caminhos", André Portela. Cada uma tem um impacto pequeno, mas juntas fazem diferença.
Laila Magesk, in: A Gazeta (ES)

''É fundamental investir na formação do diretor''

Para o economista e educador norte-americano Martin Carnoy (doutor em Economia pela Universidade de Chicago e professor na Universidade Stanford-EUA), o Brasil precisa investir melhor na formação não só de seus professores, mas também dos diretores e de equipe de apoio das escolas.
Carnoy estará no Brasil em agosto, para o encontro internacional de Educação Sala Mundo Curitiba 2011 (www.salamundo.com.br). Leia abaixo a entrevista que ele concedeu ao Estado. 

O sr. escreveu um livro sobre o sistema educacional cubano (A vantagem acadêmica de Cuba). Quais lições o Brasil pode aprender com os cubanos?
O Brasil deve continuar sua luta contra a pobreza infantil. Embora Cuba seja um país de baixa renda, as crianças são saudáveis e bem alimentadas e não enfrentam a violência cotidiana. Elas não sofrem as condições associadas à pobreza que têm um efeito esmagador sobre a capacidade de aprender.
Além disso, o Brasil precisa formar melhor seus professores. Os cubanos são mais bem treinados para ensinar. O Brasil também precisa fazer um trabalho muito melhor de treinamento dos diretores, para eles se certificarem de que os professores estão ensinando bem o currículo.
Os diretores de escolas cubanas têm uma ideia muito bem formada sobre como fiscalizar e ajudar os professores a ensinarem bem o currículo nacional. O Brasil precisa se certificar de que os padrões curriculares nacionais sejam ensinados em todas as escolas.
Cuba é um país muito menor, mas as normas são aplicadas em toda ilha. Por fim, na maioria das escolas brasileiras, as crianças têm apenas algumas horas de aula por dia. Em Cuba, as crianças estão na escola o dia inteiro. 

Quais diferenças o sr. vê entre os sistemas educacionais de Brasil e Cuba? 
Em Cuba, aonde quer que você vá, você vê um nível semelhante e o mesmo método de ensino. Embora nem todo professor em Cuba seja um grande professor. No Brasil, há uma variação enorme na qualidade do ensino de sala de aula para sala de aula.
Além disso, o nível de conhecimento dos professores é muito maior em Cuba do que no Brasil. Isso se deve, em parte, à formação de professores, que é muito melhor em Cuba. Professores cubanos passaram por melhores escolas do que professores brasileiros. São melhores em matemática, linguagem e ciências antes mesmo de entrarem na universidade. 

O que faz um bom sistema educacional? 
Crianças saudáveis e bem alimentadas que foram inseridas em um ambiente acadêmico rico em casa ou em uma pré-escola de qualidade antes de ingressarem na escola primária; professores bem treinados, que dominam os assuntos e se sentem confiantes frente a um currículo de alto nível; administradores que têm uma ideia clara do que é um bom ensino e são capazes de ajudar cada professor; e, por fim, que o dia na escola tenha mais aprendizado do que as crianças têm hoje.

O Brasil teve um grande avanço no último Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). É um sinal que a Educação melhorará?
Sim, não há dúvidas de que o Brasil teve grandes ganhos em matemática e avanços menores, mas ainda significativos, em leitura desde o Pisa 2000 e mesmo desde a edição de 2006. México e Chile também deram grandes passos. Isso é bom. O único cuidado que eu teria ao analisar essa situação é que ela depende do tamanho da amostra brasileira que faz as provas do Pisa.
O Estado de São Paulo (SP)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Como lidar com a geração Y

A mudança de comportamento das gerações exige muito mais que criatividade. Conhecidos por Geração Y, jovens que nasceram a partir da década de 1980 até 2000 desafiam os professores a mudar o comportamento em sala de aula.
A especialista em Geração Y Eline Kullock, explica que a forma de aprendizado mudou. As crianças e adolescentes preferem aprender por tentativa e erro:
– Ao comprar um aparelho eletrônico, a minha geração procura ler o manual antes de usá-lo. Esta de hoje não lê. Isso porque ela quer tentar na prática, pelo erro e acerto, e saber como o equipamento funciona. O modelo mental mudou, e o professor precisa entender isso.
A especialista aponta que o uso de jogos é fundamental para o processo de aprendizagem. Ela ainda explica que o tempo de concentração mudou, que hoje é menor do que antigamente, e que por isso o conteúdo não pode se tornar chato:
– O professor não deve ter medo da tecnologia. Ele pode fazer um vídeo de uma aula e colocar no Youtube ou escrever uma história no Twitter.
A coordenadora do Programa de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Maria de Salete Silva, destaca que as crianças de hoje já sabem mexer no celular aos três, quatro anos. Por isso, aponta a necessidade de acompanhar essa evolução para o ensino no futuro.
– O modelo tradicional já não é mais suportado. É preciso haver mudança e ela começa pelo professor – alerta.
Jornal de Santa Catarina (SC)

Educação não comove ninguém

Os problemas na área da segurança provocam reações fortes e rápidas de quem é alvo da situação de desacerto em gestões de diferentes governos. O assalto à porta de casa, o arrastão nos condomínios e restaurantes, o sequestro ou a bala perdida, tudo isso desperta a indignação sem demora. 
O mesmo tipo de revolta diante do fracasso do poder público não se verifica, porém, com a Educação. A bandidagem causa barulho e deixa rastros muitas vezes de dor – e essas coisas não passam batido.
Ao contrário, o descalabro com o ensino para crianças e jovens – um crime de proporções hediondas –, parece não comover ninguém. É uma tragédia silenciosa cujas dimensões demoram até para chegar ao conhecimento da maioria.
Os casos de sucateamento de Escolas representam aquilo que é mais evidente. Mas não só. Há carências de toda ordem, que vão do nível dos professores aos equívocos de metodologias que já envelheceram faz tempo.
Lamenta-se, no entanto, que, mesmo diante de imagens que mostram claramente essa Educação sucateada, a apatia não muda.
Quantas vezes, apenas nos últimos anos (ou nos últimos meses), não se noticiou a situação de alguma Escola a ser fechada, por falta de condições estruturais para funcionar? É de perder a conta, sem dúvida. É a rotina, em Alagoas e no resto do Brasil, com as exceções naturais – que em nada amenizam o quadro geral.
Alunos dividem a mesma carteira. Professores acumulam funções paralelas com as tarefas de sala de aula. Espaços inteiros interditados por risco de desabamento. Estudantes sentam no chão porque nem carteira para dividir com o colega existe. A lista de insultos à sociedade seria interminável. 
Sem falar na roubalheira pura e simples que prefeituras e governos, vez por outra, patrocinam contra a Educação. Já virou folclore o desvio de verbas que deveriam comprar a merenda. 

POTÊNCIA ATRASADA 
O começo do século 21 põe o Brasil como um dos emergentes com maiores condições de se transformar numa nova potência no mundo globalizado. 
Não se trata mais de delírio ou ufanismo. O tal de “Brasil Grande” deixou de ser uma fantasia autoritária; agora é uma realidade reconhecida pelos maiores especialistas e chefes de Estado.
Os sinais mais reveladores dessa transformação estão em todos os lugares, segmentos e camadas sociais. Há mais emprego e mais condições para o consumo. O carro, a casa, o computador, o lazer – todas essas coisas estão mais acessíveis.
Se a medida for o volume de reservas em dólar, o Brasil humilha até os Estados Unidos e outros gigantes. Como disse Lula, todo orgulhoso (com razão), hoje somos credores do FMI.
Parece que é só uma questão de tempo para que estejamos definitivamente no clube dos muito ricos. O capital internacional foge da crise em outros continentes e escolhe o paraíso tropical para se valorizar e gerar ainda mais riqueza.
O grande salto, contudo, ainda é um desafio descomunal. E isso ocorre justamente porque, entre outras coisas, continuamos a desprezar a Educação. Claro, no discurso todo burocrata, aqui e alhures, está pronto para uma “verdadeira revolução”.
Mas basta um índice para desmoralizar a retórica governista. Evasão e baixo desempenho do alunado são as marcas na rede pública. E não se deve esquecer do escândalo que é o tamanho do analfabetismo.
Diante de um problema tão grande, as respostas oficiais não passam de brincadeira. No País em que Escolas desabam e autoridades não conseguem garantir sequer a carteira e a merenda, o futuro continua incerto. Seremos a potência que sofre para somar dois mais dois.
Gazeta de Alagoas (AL)

domingo, 14 de agosto de 2011

Corrente Literária - Dia dos Pais - 2011



Nossos agradecimentos aos poetas participantes:
. Agostinho Rodrigues
. Carolina Ramos
. Célia Lamounier de Araújo
. Diamantino Ferreira
. Heloisa Crespo 
. Hermoclydes Siqueira Franco
. Leonilda Yvonneti Spina
. Maria Inez Fontes Ricco
. Milton Souza
. Neiva de Souza Fernandes
. Olympio Coutinho
. Paulo Walbach Prestes
. Pessoa
. Raymundo Nonato de Araújo (in memoriam)
. Sérgio Luís da Silva Vargas
. Sergio Napp
. Sonia Vasconcelos
. Vanda Alves da Silva




cena 1
desafinado entoa canções
da infância na tarde dos jornais

cena 2
bêbado de domingos é levado
ao quarto pelos amigos

cena 3
na refeição junto à família
chora o amigo morto

panorâmica
o passeio pela biblioteca
entre Hardy e Lawrence
e Pitigrilli (quem lembra) e Susana Flag
a coleção amarela da Globo
e seus cento e trinta e seis
volumes de mistério e suspense

na parede a foto em preto e branco
e o azul inacreditável
dos olhos de meu pai
 Sergio Napp


Dos meus tempos de criança,
que, pelo tempo, se esvai,
guardei a lembrança boa
dos passeios com meu PAI!...

                                Hermoclydes Siqueira Franco


DESAMPARO
                                  (ao velho pai)

O abandono campereando os bichos.
No pasto, um mugir doído.
Ovos esquecidos na solidão dos ninhos.

Onde aquele carinho? O riso fácil?
O abraço terno?

Vida agora sem vida.
Aridez de inverno.

A saudade impregnou esta tarde fria.
Meu Deus! Como dói uma cadeira vazia.

Sérgio Luís da Silva Vargas

MISSÃO DE PAI

Ser pai é a grande missão
que Deus põe no coração
dos homens que têm valor.
Ser pai é dedicação,
é a total realização
da função de dar amor.

Porém eu fico apreensivo
e vejo, às vezes ao vivo,
minha apreensão confirmada:
em tudo se exige estudo,
mas para ser pai, contudo,
não se exige quase nada.

Para um dentista, doutor,
engenheiro, professor
ou qualquer profissional,
precisam muito estudar,
por muitas provas passar
até o diploma final.

Para pôr filhos no mundo,
que é destes dons mais profundos
que o bom Deus ao homem deu,
casais, que mal se conhecem,
juntam trapos... acontecem...
amanhã o filho nasceu...

E o filho fica rolando,
sem pai nem mãe, naufragando
no mar da vida, aonde vai.
Depois vira um marginal
cuja culpa principal
é nunca ter tido um pai.

Por isto, nesta homenagem,
quero, com força e coragem,
este pedido fazer:
Papais, assumam seus filhos,
eles não são empecilhos,
nunca foi culpa nascer.

A família é como um templo
e o pai tem que ser exemplo
que o filho possa seguir.
Pai também pede desculpa,
maior que um erro é a culpa
de num erro persistir.

Ser pobre não é defeito,
na vida tudo tem jeito,
o importante é ter vontade.
Quem planta amor sem cobrança
faz do filho uma esperança,
sabe ser pai de verdade.

O pai tem sempre um tempinho
para escutar, com carinho,
o que o filho quer contar.
Pai tem que dar segurança
sempre que a luz da esperança
ameaçar se apagar.

Um pai precisa ser tudo,
falar muito... ficar mudo...
brincar ou ser o brinquedo.
Educar dando valor,
mostrando, com muito amor,
o caminho desde cedo.

Parabéns papais queridos,
que seus sonhos e pedidos
possam se realizar.
Quem já for um pai completo
prossiga no rumo reto.
Quem não for... tente mudar.

Porém o mais importante
eu vou dizer neste instante,
para deixar bem gravado :
qualquer pai, durante a vida,
só terá a missão cumprida
se tiver Deus ao seu lado!!!

Milton Souza


Eu nunca temo o futuro,
se você pai, me conduz,
ao vasto porto seguro,
com o seu rastro de luz!

Vanda Alves da Silva


MEU PAI...
                 (O soneto que ele não teve tempo de ler.)      

Quando te vejo, assim, domando a vida,
com a fibra invulgar do cavaleiro
que não teme as corcovas da subida,
nos reveses e quedas, altaneiro...

cabeça branca, face já curtida
pelo tempo e inclemência do roteiro,
velho e valente, fronte sempre erguida,
que a rude estrada forja o caminheiro...

mesmo que eu queira te dizer o tudo
que na alma eu sinto, meu falar é mudo,
minha voz na garganta se retrai!

Assim... faço dos versos o ofertório...
do coração, um cálido oratório...
e neles rogo a Deus por ti, meu pai!
Carolina Ramos

Meu pai, que eu nunca esqueci,
veja em mim a sua glória;
segui seus passos, venci!
É sua a minha vitória.

Olympio Coutinho

PAPAI É MUITO LEGAL!

Sabe por quê  ele  é muito legal?...
Porque ele é gente, gente leal,
Gente que pensa, que tem certeza,
Que reconhece, na vida, a beleza!

Sabe por quê ele é muito legal?...
Porque vive suas emoções no real,
Sabe pensar, sabe ouvir, falar, cantar!
Ele é gente que sabe como encantar!

 Sabe por quê ele é muito legal?...
Porque ele é uma pessoa genial,
É gente que soluciona casos sérios,
Sem possuir as chaves dos mistérios!

Sabe por quê ele é muito legal?...
Porque ele é gente, gente especial,
É pessoa boa que busca soluções,
Pessoa que leva alegria a corações! 

Sabe por quê ele é muito legal?...
Porque ele é gente que tem um ideal!
É muito competente e amigo influente!
É gente solidária que ajuda toda gente!

Mifori

TEUS PASSOS


Teus passos pesados ficaram gravados
em nossa memória... Pisaram caminhos,
destruíram espinhos, fizeram uma história!
Com o suor do rosto colheste a vitória!

O amor ao trabalho, a tua luta constante
fizeram de ti nosso exemplo marcante!
O grande respeito que nos incutias
até pelo passo, pausado, imporias!

Já te deitavas, mal a noite surgia.
Ao romper da manhã, disposto acordavas.
Teus passos tão fortes ao longe se ouvia,
quando, no silêncio, a dormir nos deixavas.

Nos livros da vida, meu pai, aprendeste
que só por si mesmo se pode vencer!
A fé e a coragem com as quais conviveste
traçaram, pra sempre, teu modo de ser!

Depois... te cansavas numa caminhada.
Já não tinhas, de outrora, a força dos braços.
Mas, confesso, meu pai, não havia nada
melhor de se ouvir... que o rumor de teus passos!

Leonilda Yvonneti Spina


PAI 

Filhos, enquanto pequenos;
crescer, demora demais!
nem esperamos – ao menos,
a hora de sermos pais!

Diamantino Ferreira


Pai, estou aqui por sua semente,
Como quem planta o trigo para dar o pão...
E com ele, o alimento pra tanta gente;
Pai, obrigado pela vida e pelo rico chão.

Paulo Roberto Walbach Prestes

Meu pai, muito te agradeço
por tudo que me ensinaste:
não existe nenhum preço
pelo quanto tu me amaste.

Agostinho Rodrigues

PAI

Neste domingo de agosto
Os sinos bem mais, badalam
Os passarinhos se calam
Do sol nascente ao sol posto
E o sorriso no meu rosto
Descreve uma frase assim
Cheia de amor, pois, enfim,
Do meu peito um clamor sai:
Quisera eu ser um pai
Tal qual o meu é pra mim.

Pessoa

            DIA DOS PAIS

 Hoje meu domingo é triste,
a saudade dói demais,
o meu pai não mais existe
e hoje é o dia dos pais.

Meu pai foi minha vitória,
meu herói, meu ombro amigo,
e foi meus dias de glória
que sempre me deu abrigo.

Pai você está presente
sempre na minha oração;
eu tenho você na mente
e também no coração.

Quem tem o pai ao seu lado,
trate com carinho e amor...
o meu por Deus foi levado
e foi grande a minha dor.

Neiva S Fernandes

Veio a morte e te levou
deixando um vazio imenso
PAI, o seu nome ficou
em tudo aquilo que penso.

Celiazul


SER PAI É QUERER AOS FILHOS

Mais que a si mesmo e estar
Orgulhoso de seus brilhos
Pronto a lhes abençoar!

Raymundo Nonato de Araújo

PAI-AMIGO

Aqui estou neste instante
trazendo-te no poema,
lembranças que de ti guardei
ao pai amigo,
saudade marcante,
saudade que não superei.
         Reminiscência...
         Um lar... Muita paz...
         Um amigo sempre comigo,
         MEU PAI!
Infância serena,
Juventude amena,
Teu olhar compreensivo...
Nas horas de indagação,
Não eras Pai, sim, o Irmão,
Mais que irmão,
Meu amigo!
         Tempo passou, marcou.
         Na incumbência cotidiana,
         Sou Pai, Sou Mãe,
         Sou Pai e Mãe,
         Sou irmã, Sou amiga...
Seguindo teus ensinamento,
Sem ditar ordens, dou exemplos,
Sou dos filhos, mãe cativa.
Amanhã é teu dia...
Todos os dias são teus,
Pois não morreste, estás comigo...
        Nas horas de dor ou de alegria
        Ou quando surge algum perigo,
        Nada temo, Pai, tudo enfrento.
        Na certeza da tua presença,
        Jamais aceitei tua ausência,
        És sempre presente,
                    Pai Amigo!
Sônia Vasconcellos


A FORÇA DE UM PAI

Se todo pai percebesse
a força dada por Deus,
perante todos os filhos
‘se acharia’ um deus.

Ele é sempre um grande homem,
líder por natureza,
não precisando de esforço
para mostrar sua grandeza,
não importando o que seja:
velho, alegre, fechado,
austero, novo, feliz,
intransigente ou calado.

Pai tem um quê de fascínio
sobre seu filho bebê,
adolescente ou adulto,
tem magia do poder.
O perdão sempre ele tem
para voltar a reinar,
de qualquer gesto ruim,
basta um sorriso esboçar.

Se todo pai percebesse
a força que ele tem,
ensinaria a seu filho
a arte de viver bem:
mão estendida, amor,
carinho e atenção,
uma palavra amiga
cheia de compreensão,
vendo o olhar do seu filho,
vendo o que ninguém vê,
dando o braço num abraço,
fazendo a dor não doer.

Acorde, enquanto é tempo
no tempo que não se vai.
Descubra o valor que tem
e a grande força de um pai!

Heloisa Crespo
Acorde, enquanto é tempo
no tempo que não se vai.
Descubra o valor que tem
e a grande força de um pai!

Heloisa Crespo