domingo, 25 de dezembro de 2011

Ciranda de Natal (6)

MELANCOLIA

O sol boceja! A Noite Santa avança
e, em meio ao lusco-fusco do poente,
volto a sentir saudades da criança
que a vida fez crescer e, de repente...

Nada, contudo, guarda semelhança
com os Natais do meu antigamente:
o mundo é outro ¾ a bem-aventurança
da data, um breve hiato, num presente

de tanta violência entre os mortais,
que é fácil compreender não volte mais
essa criança que se foi tão cedo;

prefiro vê-la agora recolhida,
neste meu peito que, de volta à vida
mas, infeliz e trêmula de medo!
(Darly Barros)

Natal!
Magia que se renova em cotidiana esperança
Natal!
Magia que embala o despertar silencioso de todos os sonhos
Natal!
Magia da transformação dos sonhos em FÉ
(Neilde Chalita)

Nem só de presentes faz-se
o Natal, nem de comida.
Natal é aquele em que nasce
Jesus Cristo em nossa vida!
                 (A. A. de Assis)

 JARDINAGEM
 
Chuva . Apaga no céu todas as luzes. Motorista do táxi me transporta sob esta chuva herege, insistente, criadeira, e  pergunta, tipo quem meramente comenta, enquanto  transvasa o formigueiro labiríntico de nossas ruas, se já é dezembro. Pergunta logo a mim que nada sei de tempo e até acho complicadas as manobras militares, tão científicas quanto inúteis, com que buscam acorrentá-lo a medidas exatas. Mas parece  que o calendário impunha como resposta, no momento da pergunta, ser o último dia de novembro. Será talvez dezembro quando pousarem olhos sobre o que escrevo. Mas já agora pessoas se adiantam e  agarram velozes os derradeiros vestígios do ano, nos bancos,na praça,  nas lojas de presentes. Aquela vertiginosa  rapidez lenta, e vacilantemente inútil (acaso a única então possível), carregada dos embrulhos que se carregam apesar da chuva. Ruas vazias de espaço, cheias de gente e carros se arrastando numa pressa concorrente e molhada que tenta correr, tropeçante, antecipando expectativa do décimo-terceiro que a matemática – não a lógica singela dos fatos consumados-   diz ser impossível num ano de doze. Será  - ou é- dezembro? Diferença entre doze e treze, entre o que foi, o que é, e o que será. Nenhuma, se dois mais dois igual a sempre, noves fora zero,  resto nada ou, em conta sem erro, esperanças grandes.  A verdade agostiniana proclama só existir o tempo presente, que engloba lembranças presentes do passado e expectativas presentes do futuro.  Dizem e ouço, enquanto cultivo a teimosia de me colocar em estado de Natal não contradizendo ninguém, para ficar em espírito de paz.  Tento, quando Natal se aproxima. Procuro mesmo, nesta época ao menos, reencontrar, entre as nuvens mais espessas, os comandos da Estrela de Belém, mesmo não sendo eu rei nem tendo a sabedoria dos magos, sabedoria de  cujo conteúdo até hoje não se sabe qual fosse.

Mas a chuva cai, sabida e pegadeira .Extremamente inadequada e pagã, como este frio fora de época. Parece que vai durar até  o Natal. O que mostrarei neste Natal ao meu primeiro neto, já nascido e batizado,  que não comemorou ainda seu primeiro dia de Natal? Disse ser a chuva  pagã e  herege? Já não tenho tanta certeza. Sei é que não termina, sonolenta em seus bocejos, de contar  nos dedos incontáveis seu tempo de acabar. Vejo que cai sem pressa, descolorindo nas coisas um tom sem sol, vagamente cinzento, delindo contornos, velando claridades. Impondo em tudo aquele  fora-de-moda, aquele  ar  estranho de retrato antigo cuja verdade foi-se embora. Retrato onde nós, se nele estávamos, de muito nos retiramos daquela inacreditável figura de menino a aguardar de Papai Noel o seu brinquedo. A chuva cai, e vai escorrendo em lágrimas os últimos vestígios assinalados do calendário, encharcando-nos daquela tristeza desendereçada, fria, tão vaga e indefinível que alguns quase que chamam de saudade. Olho para este céu de borralho que vai cancelando no quadro ainda em processo - ano inconcluso-   os últimos restos, neste  novembro-dezembro do Ano da Graça de  dois mil e onze. Nem sei se digo que será chuvoso,  imbrífero, este Natal sem luzes vistas no céu. Nunca me ensinaram a ciência dos meteoros. Só rudimentarmente a  das estrelas.  Pode que possa mostrar minha espera. Pois não sei se a que todos os anos espero conseguirá abrir caminho e alumiar-me  ao menos os sapatos cambaios que, como de costume,  deixarei , órfão de presentes, sob a árvore ou na janela. Conseguirá chegar-me como das outras vezes, demarcando futuras caminhadas como das outras vezes.  Saiba-se que  não aceito em meu Natal menos que uma estrela.

Chuva sem adjetivos, simplesmente? E grande meu desânimo, embrulhado num frio enorme que encapota os dias. Chuva que cai e persevera por toda a parte, na cidade e no campo. Certamente até entre urtigas, entre pedras, entre espinhos . Verão ou quase-verão embora. Ou será que me enganei de época? Se me enganei de ano, serei o único orgulhosamente humilde o bastante para confessar que nada sei de tempo. Estamos não em dezembro de 2011, mas em algum dia de  5772 como querem os judeus? Ou mesmo em 1432 (contando-se a partir da Hégira) como juram muçulmanos? Entre nós mesmos  usávamos não o atual calendário gregoriano, mas o calendário juliano (reformulado por Augusto) vigente ainda hoje entre certos cristãos orientais . Não sei como me situar em todos eles e, neles, o 25 de dezembro. O que frequentemente dificulta situar-me de pronto, sem recurso à agenda, em qualquer deles. Admito até a possibilidade de ser mais simples o calendário chinês, o qual briosamente desconheço. Sei é que me acostumei a ver, no céu cheio de estrelas nas imediações do Natal,  quando ele se aproxima, a Estrela de Belém a me servir de lume..

Indago se ela, encoberta, já  está aí mesmo, tendo mudado só de    aparência, linguagem, ou de intérprete, para ser entendida. Haja passado  mesmo, como que de contrabando, através das nuvens, através da chuva. Descubro que, apesar da chuva, ou exato por causa da chuva, desabrocharam já, nesta primavera-verão de inverno de agora, risonhas flores carregadas  de primavera plena, acaso em lugar de uma só , solitária e esperada estrela. Posso mostrar incontáveis estrelas em constelações codificadas, exuberantemente descidas, ao mesmo tempo, subitamente do céu sobre os canteiros dos jardins mesmo em descuido. Posso, alegre, mostrar alegres e floridas revoadas deixadas de um céu que está, embora até, olhando-se para cima, não se possa ver que está,  em festa. Posso mostrar ao pequenino pequeninos sóis de cores todas, que se afeiçoaram ao chão, se aninhando nele, fazendo  nele raiz e pouso.Tudo isso nas flores cuidadosamente plantadas por esta chuva cristã com seus dedos jardineiros, nos indicando com clareza o que fazer, exatamente o que fazer, mesmo entre urtigas, entre pedras, entre espinhos...

(Elmar Martins)
NATAL EM SENTIDO REAL

Tempo litúrgico, data comercial
Neste poema esbocemos o que é Natal
De modo que, e forma sem igual,
Seja explicado o seu sentido real.

Digas tu qual luz é mais forte a brilhar.
A estrela de Belém ou a artificial a piscar?
Digas tu onde é pertinente depositar nossa esperança:
Num fictício velhinho ou no Deus que se faz criança?

Digas tu qual presente devemos celebrar:
O que é deixado aos pés da árvore
Ou aquele que o presépio vem revelar.

Perpetue ente os seus tudo o que ela ensina
Nosso maior presente ninguém jamais poderá vender,
Pois, Ele veio de graça doar-se você.

Tempo litúrgico, data comercial
Com alegria festejemos o verdadeiro Natal
Aproveitemos essa época de esplendor universal
Para nos unir fraternalmente e desprezarmos todo mal.
(Érica Viana)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Ciranda de Natal (5)

FELIZ NATAL

Ideal que nos leva a realidade
em momento de grande inspiração,
o Natal faz lembrar a santidade
com amor e condigna devoção.

Coração encantado de lealdade
fazendo mais unido cada irmão,
dos valores fugidos da verdade,
pelo santo proclama do perdão.

São pedidos de máxima realeza
onde a fé traça o rumo da certeza,
a encantar o seu mundo que reluz

sentimento sagrado de nobreza,
conseguindo afirmar com singeleza:
- Bom Natal, meus irmãos... Viva Jesus!
(Agostinho Rodrigues)
 
CRIANÇA

Uma criança bem longe nasceu,
com um destino certo,
mas, no sentimento meu,
ela está aqui bem perto.

O céu, uma estrela iluminou,
lá em cima da manjedoura
e o mundo se encantou
com a promessa de paz duradoura.

Tantos reis querem riqueza
outros só querem poder
mas o maior deles nasceu na pobreza
e na humildade conseguiu vencer.

Aquela pequena criança
nos trouxe salvação
junto com a esperança
nos afastou da solidão.

Ela mostrou em sua face
a grande verdade, afinal:
sempre que uma criança nasce
é dia de Natal.
(Carlos Augusto Souto de Alencar)


O QUE É O NATAL?

Definitivamente que não é consumismo. Mas o Natal já está chegando, e como em todos os anos, a magia das luzes, das árvores coloridas e enfeitadas e dos presépios está renovada, embora a crise econômica mundial de hoje não pressagie que este será um Natal perdulário.
Mas não devemos nos esquecer que o verdadeiro espírito de Natal, antes de tudo, é a festa da Natividade e da vinda ao mundo do Salvador, pois uma maior intimidade e uma maior espiritualidade não são coisas de se jogar fora. No entanto, não devemos nos esquecer que o homem, muitas vezes se esquece disso e se deixa dominar pela inveja, luxúria, cobiça, orgulho e raiva... Acima de tudo, daquele orgulho que descende da arrogância da humanidade de pretender se erguer como a deusa da criação, com todos os perigos que daí resulta, pois a arrogância faz com que os seres humanos questionem até mesmo as próprias leis da natureza e procuram dobrá-las em seu benefício, prescindindo soberbamente das implicações éticas que contemplam essas leis.
Pelo que se vê através da mídia, pareceria que a maioria das pessoas pensa somente nos presentes, na ceia em família, e aqueles com mais sorte pensam também numas férias maravilhosas, mas tudo isso, nos lembra também que esta é a época das reuniões familiares, onde nada é mais importante do que estar com quem você ama, incluindo com os amigos!
E que significado tem o Natal? Talvez não devêssemos sobrecarregar as coisas com significados maiores do que elas devem ter, pois as maiores expectativas muitas vezes são acompanhadas das maiores decepções que reduz a magia de certas atmosferas, de certas situações, de certos cheiros, de certos gostos, de certas cores e de certas imagens que são indeléveis nas nossas vidas. Em qualquer caso, a magia do Natal, neste mundo que cada vez mais fala da negação dos outros, ainda traduz a grande magia da família que mesmo estando na miséria consegue ser realidade.
Mas qual é o verdadeiro significado do Natal? O seu verdadeiro significado é um só: Jesus Cristo. Ele que veio ao mundo com um só propósito: entregar sua vida e morrer por nossos pecados. Assim, em cada Natal nos  comemoramos a vinda do Salvador que ao entrar no mundo foi colocado na humilde manjedoura de um estábulo, mas Ele veio com um destino glorioso.
Devemos sempre nos lembrar que Jesus é o verdadeiro significado do Natal e que Ele é o nosso verdadeiro presente, pois Ele é o Caminho que nós leva ao Pai, Ele é a Verdade que nos guia e Ele é o dom celestial da Vida. Assim, deveríamos aceitá-lo hoje e sempre como nosso grande presente, como se fôssemos igual a uma criança que estende suas mãos e recebe seu presente de Natal.
FELIZ NATAL!
(Alberto R. Fioravanti)

O B R I G A D O

Se foi amor que te trouxe,
Que a Paz seja contigo.
Deste amor que tu me trazes,
Ansiava ter comigo.

Mais um ano, um Natal,
E nada faz a humanidade
Para ajudar aos irmãos,
Liberando a caridade.

Se festas fazes com vinho,
Muito som em desalinho,
De cristão não trazes luz:

Mas, se na noite de festas,
Homenagens tu Me prestas,
Eu te agradeço: - Jesus.
(J. A. Ferraiuoli)


N  A  T  A  L

No  firmamento, estrela   reluzente,
a  rebrilhar  bem  alto, a  sós  exclama:
Quisera  ser  o  leito   resplandecente
do  DEUS – AMOR, JESUS, QUE A TODOS AMA! 

O  MAR   solicitou   rapidamente:
- Quisera ter a  glória  e   ganhar  fama...
- Ofertaria  a  onda   mais   dolente
para   embalar JESUS, QUE  A  TODOS  AMA!

A Natureza  inteira  preparava
um  ninho  requintado ... e  disputava
o   seu  JESUS _ O  GRANDE   CELESTIAL! 

Mas  DEUS, trazendo a  luz  e  os  dons  do  ALÉM,
em  mísera  choupana  de  BELÉM,
da    palha   fez   seu   berço... ERA   NATAL!
(Sônia Vasconcellos)


PAZ NA TERRA... É NATAL!

            As crianças disputavam lugar na pequena janela.  Do lado de fora a mãe, rindo sem jeito, convida a bem vestida e perfumada senhora para entrar.
            Olhos maravilhados contemplam o colorido variado dos diversos objetos que a senhora espalha pela sala.  Em seguida, tira de uma sacola maior de uma árvore, de ramos verdes, tão verdes como eles não se lembram de ter visto um dia!  Sem se dar conta, estão todos envolvidos num abaixa-levanta, num vai-e-vem e, finalmente, lá estava ela, linda! Árvore de Natal, foi o que a senhora disse.  E, enquanto a árvore era montada, a boa senhora falava para a mãe que, desde que seu único filho casara e fora morar no exterior, ela trocou as comemorações de Natal para levar alguma cor àqueles cujos natais são sempre preto-e-branco.  Antes de sair, entregou várias caixas contendo alimentos e inúmeros pacotes de presentes com lindas fitas que só deveriam ser abertos no dia seguinte, ela recomendou.
            Naquela noite, mal fechou os olhos, Nina começou a sonhar.  Mas... não era nenhum daqueles sonhos tristes que a incomodavam sempre!  Dessa vez, ela estava, junto com a mãe e os irmãos, ornamentando uma árvore.  Ela e os irmãos eram os mesmos.  A mãe, porém, tinha as roupas, o rosto e o cheiro “daquela” senhora.  Só a voz era de sua mãe mesmo!  E, com sua voz tão conhecida – e querida –, em resposta a Nina, dizia que o Natal era somente um dia porque os homens e mulheres, em sua maioria, ainda não haviam compreendido a mensagem de amor fraterno, justiça e caridade, trazida pelo aniversariante.
            Espreguiçando, Nina abriu os olhos, correu até a sala.  Será que a árvore estaria lá ou era a magia parte do sonho?  Lá estava ela, linda, cheia de vida!  Foi até a janela, abriu-a e espiou.  Chovia lá fora e o cheiro de terra sedenta, agradecida, chegava-lhe ao nariz.
            O pai – quanta saudade! – sempre lhe dizia que chuva é vida, é esperança.  Olha para cima e o sol – sim, o sol, junto com a chuva –, pisca para ela.
            - Estarei dormindo ainda? – pensou.
            Esfrega os olhos, olha de novo.  Nova piscada!  Compreende tudo, então.  Sorri, grita, pula, bate palmas.  É Natal!  Agora só faltam os homens entenderem seu significado.  A natureza já sabe!
            É Natal!  Paz na Terra a toda criatura!  É possível, se todo mundo acreditar!

(Maria Virgínia Claudino)

Ciranda de Natal (4)

NATAL PARA TODOS

O ano todo ficamos a esperar,
para esse dia poder comemorar.
Iremos a casa iluminar,
O vermelho, o verde  e o amarelo
essa festa vai enfeitar.
Não devemos esquecer
da guirlanda colocar.
Mesa farta vamos fazer,
uma vela vamos colocar
para Cristo agradecer,
que no ano não nos deixou faltar
a comida para nos sustentar.
As crianças começam a gritar:
“meu  presente quero ganhar!”
Cantigas bonitas todos nas ruas vão cantar.
É natal! É natal!
E sinos tocam que é hora de comemorar!
O presente para Cristo é honrá-lo,
e a vida se dedicar.
É natal! Tempo de paz, alegria.
Felizes iremos passar
porque Deus está nos lares
e com todos vai cear.
                                          (Malvelita)

NOITE FELIZ
É noite de Natal. Na casa do Victor tudo é alegria com troca de presentes, presépio e tudo na mais perfeita ordem. Todavia ele está triste. À tarde, quando saiu com a mãe para escolher o presente, observou um menino olhando na vitrine um carrinho e percebeu que o mesmo estava desejando muito aquele brinquedo, mas não tinha condições de comprá-lo. Victor, sem que sua mãe percebesse, saiu da loja, chegou perto do menino e perguntou onde  morava. Ele respondeu:
- Naquele banco ali da pracinha.

Victor voltou para perto da mãe com uma profunda tristeza estampada no rosto e, quando ela insistiu para que escolhesse o presente, ele pediu justamente o carrinho que o menino tanto desejava. Sua mãe ainda insistiu para que escolhesse um presente mais valioso, pois a data era importantíssima, afinal era Natal, mas Victor manteve-se irredutível

Já à noite, quando todos estavam reunidos para troca de presentes, diante farta Ceia e belo Presépio para uma festiva Noite de Natal,  Victor se mantinha triste, pensando naquele pobre menino jogado em um banco da praça.  Inconformado resolve ir até lá e o encontra  infeliz chorando. Imediatamente enxuga as lágrimas  do menino, beija-o na face e pergunta. Qual o seu nome?
Ele responde:
- Meu nome é Jesus.

Victor então o convida para ir até a sua casa e lá chegando, sem que ninguém perceba, leva Jesus até o seu quarto, oferece roupas e sapatos  e manda que tome banho e se arrume. Em seguida conduz Jesus até a sala apresentando-o a todos, dizendo ser seu novo amigo e convidado. Ninguém entende o motivo daquele gesto, mas, sem perguntas, iniciaram a troca de presentes.  Victor recebe seu presente e imediatamente passa as mãos de Jesus explicando a todos o motivo do seu gesto e pedindo desculpas à mãe, diz para ela que o melhor presente é fazer alguém feliz, principalmente numa   Noite de Natal, dizendo que aquele foi a melhor ação de toda sua vida e que foi o seu melhor presente. Conta tudo que havia se passado na hora da compra e pede que a mãe convide Jesus para morar com eles. A mãe, orgulhosa com o pedido do filho, se emociona a ponto de derramar lagrimas de alegria. Jesus foi adotado pela família do menino e todos seguiram felizes.
(Neiva Fernandes)

O BURRINHO DE BELÉM...

I 
Pela estrada até Belém
Recebeu a regalia
De acompanhar, em silêncio,
Jesus, José e Maria.

Caminhou a Galiléia
E as terras da Samaria.
Um pouco ele foi transporte,
Outro pouco, companhia...

Cruzando o calor do vale,
Vencendo a noite vazia,
Parecia preparado
Para a viagem que fazia.

Mas por que fora o escolhido
Para tão nobre honraria?
Não tinha crinas de seda,
E nem pelagem macia,

Não era de raça pura,
Nem muito o quanto valia,
Não tinha casco tratado,
Nem pasto, nem boa cria,

Não tinha sela aprumada,
Não era para montaria,
Não tinha trote, nem nada,
Nem preço, nem garantia,

Nem porte altivo, o coitado,
Seu relinchar nem se ouvia,
Não tinha o couro escovado,
Nem lugar na estrebaria...

Era um burrinho de carga
E só pra isso servia,
Mas que não fosse pesada,
Além do que ele podia.

Sem reclamar da distância,
Do cansaço que sentia,
Cumpriu somente o papel
Que a vida lhe oferecia.

Era um burrinho sem pasto,
Sem porte, sem garantia,
Um burrinho que levava
Para Belém o Messias.

Mas um burrinho, mais nada,
Seu nome, ninguém sabia,
Não tinha casco arrumado,
Bem pouco o quanto valia,

Não era de raça nobre,
Não possuía boa cria,
Mas parecia feliz
Com o papel que lhe cabia.

Por isso mesmo, quem sabe,
Tenha tido a primazia
De acompanhar, em silêncio,
Jesus, José e Maria.

II
Caminheiro, seguindo pela estrada,
Quando cruzares pelo caminho
Com um homem, uma mulher embarrigada
E um burrinho,

Se não notares, nessa hora, nada,
E prosseguires, sozinho,
Continuando sua caminhada
Devagarzinho,

Terás perdido a chance a ti cedida,
Talvez a única da tua vida,
Talvez a mais importante...

Quando, de novo, José e Maria? 
Quando, de novo, esse dia?
Quando, dali pra diante?
(Luis Tavares)

Vinte e cinco de dezembro
noite de paz e de luz,
e nesta data eu me lembro
que em Belém nasceu Jesus.
(Geraldo Linhares)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ciranda de Natal (3)

FELIZ ANIVERSÁRIO JESUS

A festa já está nas ruas!
Tem gente se preparando,
Mas poucos estão lembrando,
Quem é que está aniversariando,
 
É Jesus, o Mestre, o Guia!
Que no Natal vem chegando,


E ele, Pobrezinho,
muitas vezes fica escondidinho,
esquecido por muitos.
 
Por isso, meu irmão,
Nem que seja por um segundo,
Na noite de Natal,
Deseje um Feliz Aniversário,
Para Aquele que o ano inteiro,
Foi o nosso companheiro,
 
O nosso querido Jesus!!!
                                                  (Andreza Deodato)


ESTRELAS NO OLHAR

Nesse domingo a estrada entre o Rio e Campos me parecia longa demais. Infinitamente longa...  
Emanuel, meu neto caçula, por enquanto, já que tá chegando outro, ou melhor, outra netinha, brincava recostado ao barrigão da mãe com um carrinho modelo antigo do Flamengo. Mimo que lhe comprei numa das paradas. O pequeno estava encantado! Toda hora gritava mengão! Para desespero do pai, são paulino doente... rsss
À medida que nos aproximávamos da cidade nossos olhares eram atraídos pela beleza das flores, dos jardins bem cuidados, iluminados...  Estrelas faiscando na noite... Meu Deus, Campos está tão linda!
Na estrada do contorno, esculturas em tamanho original dos Reis Magos, montados em seus camelos, apontavam o caminho para a Praça do Santíssimo Salvador. Quedamo-nos extasiados! Boquiabertos! Num segundo olvidamos o cansaço da viagem para seguir a Estrela...
Estávamos naquele momento nos dando conta de mais um Natal renovando nossas vidas... Tantas emoções... Sentimentos... Lembranças boas acordando sorrisos... Saudades despertando lágrimas... Coração latejando...
Bem canta Roberto Carlos “se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi”...
O Espírito do Natal entrava pelos nossos olhos... Ouvidos... Narizes... Cheiro bom de rabanadas... Castanhas... Papai andando pela casa, feliz por reunir a ninhada... A família... Os amigos... Celebrar a vida em dó maior. E cantarolava e poetava... Aprendi a amar Camões com ele... “Alma minha gentil que te partiste/ tão cedo desta vida descontente/ repousa lá no Céu eternamente/ e viva eu cá na terra sempre triste”...
 Ai, meu pai... Natal tem seu cheiro... Sua voz... Seu sorriso... O azul do seu olhar... Seu abraço forte... Sua bondade... Seus exemplos de humanidade... Sua luz radiante... Seu espírito palpitando em nós...
 “Então é Natal, e o que você fez?/O ano termina, e nasce outra vez./Então é Natal, a festa Cristã/ Do velho e do novo, do amor como um todo./Então bom Natal, e um ano novo também./ Que seja feliz quem, souber o que é o bem”... Emoção revivida... Renascida na voz de Simone...
Nos aproximávamos do centro da cidade... A praça linda, como as mais lindas do mundo... O presépio aguardando o Deus Menino... A Igreja da Lapa, das mais doces lembranças da minha infância, inolvidável cartão postal... As pontes com suas luzes coloridas... A Árvore de Natal imponente adornando a curva mais romântica do velho Paraíba...
           A beleza da minha cidade rimando com fraternidade... Natal de luz... De cor... Ternura... Esperança... Natal de Amor!
(Ineida de Oliveira)

NATAL!

Dia de paz e amor,
Dia do Nosso Salvador,
Dia em que se comemora,
Mais um ano do Senhor.
 
Nesse dia, meu irmão,
Reflita em seu coração,
A importância da união.

É ASSIM QUE DEVEMOS FESTEJAR
O NATAL COM MUITA LUZ!
POIS É ESSE O VERDADEIRO NATAL!
É ESSE O NATAL DE JESUS!
                                                                  (Bruna Lorraynne)


MINHA ÁRVORE DE NATAL
Na árvore que a mamãe enfeitou,
deixei um bilhetinho,
será que ele encontrou?
Estou falando do bom velhinho.
Pedi na minha cartinha,
um pacotinho de alegria,
para tirar a tristeza,
da casa do meu amiguinho.
Pedi também um  pacotão de amor,
porque achei mais prudente,
não sei se ele pode trazer flor.
Vou dar amor de presente.
pois no finalzinho somente,
pedi um presente para mim.
Uma boneca de pano,
aquela que nasceu por engano,
que ninguém queria fazer.
Com retalhos coloridos,
e um laço no vestido,
essa eu gostaria de ter.
Se Papai Noel, tiver tempo,
e conseguir me atender,
teremos um lindo dia,
com saúde  paz e alegria,
sem tristezas e sem maldade.
E o bom velhinho sorrindo,
quando estiver partindo,
verá que o mundo fica lindo,
sem guerras e destruição!
E para todas as pessoas,
pedi um presente especial,
que todos estejam felizes,
quando chegar o Natal!!
(Sandy Freitas)

Decisão pela Educação

O Brasil não cumpre o preceito constitucional de assegurar Educação de qualidade a todos os jovens e crianças. Comparativamente com as necessidades do País e levando em conta a dívida histórica que temos, principalmente com a população mais pobre, ainda estamos longe de afirmar que estamos bem.

Não poderíamos aceitar que metade das nossas crianças do terceiro ano do ensino fundamental não esteja alfabetizada nem saiba fazer contas simples. No entanto, os pais e as mães dessas crianças, quando indagados por pesquisadores, respondem que a Escola de seus filhos é nota 8, numa escala de 0 a 10. Temos aí a enorme contradição que resulta na baixa demanda por qualidade.

Ainda falta muito para garantirmos que todos aprendam e concluam seus estudos na idade correta. Somente se pusermos a Educação no centro das políticas o Brasil terá como romper o ciclo de pobreza e exclusão.

O recente crescimento da classe média, tão festejado por todos nós, poderá ruir mais adiante se não tomarmos a decisão de efetivamente dar um salto na Educação, que é o caminho mais poderoso e sustentável para a promoção de justiça social, com resultados persistentes, duradouros.

Na cena mundial, países com melhor desempenho na Educação, como Finlândia, Coreia do Sul e Canadá, conduziram políticas bem-sucedidas, cuja aplicabilidade no Brasil deve ser refletida pela diferença de contexto social e cultural. Mas o que mais chama a atenção são alguns fatores que eles têm em comum e deveriam inspirar a ação de todos nós, brasileiros. Primeiro, decisão e coragem. Segundo, persistência.

Existe nesses países, há décadas, a decisão institucionalizada de garantir uma Educação de qualidade. É uma decisão das autoridades por influência da sociedade, que tem a Educação como um dos seus valores principais. Consciente, alerta, a sociedade desses países cobra, participa, atua, e as autoridades planejam, cumprem, avaliam, numa movimentação de mão dupla.

Não se trata simplesmente de uma decisão do governo e seguida pela população. É também, e ao mesmo tempo, o anseio manifestado pela população que leva o governo a colocar a Educação como política central e articuladora das demais, com a garantia de que seja de qualidade e com equidade.

A partir do impulso dado pela decisão, vem a coragem da implementação. Os responsáveis pela Educação precisam enfrentar resistências, derrubar padrões antigos, viciados, e, ao mesmo tempo, ousar novos caminhos. Seja nos mais altos gabinetes, seja na linha de frente, na sala de aula, os desafios de seguir adiante com uma proposta inovadora, renovadora, exigem atitude corajosa, firme.

Essa atitude deve ter como princípio o diálogo com a sociedade, incluindo a comunidade Escolar; e como base, um planejamento que todos conheçam e estejam preparados, e engajados, para cumprir. São essenciais metas claras, de entendimento imediato, com monitoramento permanente e transparente.

Como não existe solução única para melhorar a Educação no Brasil, é necessário que diferentes políticas estejam integradas em todos os níveis. E que funcionem em sintonia, de forma a apoiar o trabalho de milhões de profissionais da Educação na enorme tarefa de garantir, a todos os alunos e plenamente, o direito à Educação.

Tramita no Congresso Nacional o novo Plano Nacional de Educação (PNE), com metas que o Brasil deverá cumprir nos próximos dez anos - uma década sabidamente decisiva para nosso país. Além de metas, o PNE propõe um conjunto de estratégias.

Convergem para esse documento as esperanças e os esforços de diversas instituições e de cidadãos que nos últimos anos participaram ativamente dos debates sobre a construção do plano.

Mas de nada adiantará termos um excelente plano se não pusermos uma enorme energia também em sua operacionalização, para que vá muito além de uma declaração de boas intenções e se torne o documento-guia para saldarmos a nossa dívida social e darmos dignidade e oportunidade a todos os brasileiros.

Do planejamento à prática, dos conceitos à realização, percorre-se uma trajetória que passa necessariamente pela rotina que disciplina e aperfeiçoa. A Educação ocorre no dia a dia e se as políticas públicas e as ações de governos e sociedade não conseguirem chegar à sala de aula, para garantir uma Educação de qualidade, todos nós fracassamos nessa missão.

Por fim, deve-nos inspirar a persistência com que os países que estão no topo da Educação mundial conduzem sua política educacional. Não há solução mágica e rápida, nem como promover melhorias sustentáveis sem continuidade - em que políticas, projetos e ações são implementados, avaliados, aperfeiçoados, num processo contínuo.

Ainda que o PNE esteja com sua tramitação muito atrasada na Câmara dos Deputados, pois ficamos todo o ano de 2011 sem plano vigente e continuaremos assim em boa parte de 2012, suas metas e estratégias, logo que aprovadas, devem ser assumidas com o engajamento de todos nós.

Os resultados esperados só serão possíveis se houver o compromisso de sermos persistentes, não desistirmos diante das inúmeras dificuldades que certamente surgirão ao longo desse imperativo percurso.

Enquanto o plano tramita, o cotidiano das Escolas e dos gestores educacionais continua. Já sabemos boa parte do que é preciso com urgência, como melhorar a formação docente e a carreira dos professores, definir as expectativas de aprendizagem, ter avaliações que sejam compreendidas e utilizadas na gestão educacional e mais tempo dos alunos na Escola. A tramitação no Congresso não nos pode imobilizar, há muito a ser feito já.

Sem decisão, coragem e persistência dificilmente cumpriremos a missão que este início de século 21 nos impõe.

O Estado de S. Paulo (SP)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ciranda de Natal (2)

UM LUGAR PARA JESUS
O povo de Belém também não tinha tempo para Jesus, todos preocupados que estavam com os afazeres, as obrigações... Hospedarias lotadas, pessoas indo e vindo, preocupadas em fazer o recenseamento, para provar sua existência.
Não havia espaço em Belém para abrigar Jesus.
Assim continua muito tempo depois...
Mas José e Maria saem à procura de um lugar, qualquer lugar que aquela pequena cidade tivesse, por menor que fosse...
                                        Porque A Vida precisava nos Acontecer
                                        O Amor precisava nos Esclarecer
                                        A Salvação precisava nos Remir.
Mas não encontram. As portas estavam fechadas.
E Ele veio
E Ele ainda vem
Independente da sua indiferença
E da do povo de Belém...
É incrível com depois de tanto tempo as atitudes se repetem...
Vivemos com nossas hospedarias lotadas, com todos os nossos lugares preenchidos, com toda a nossa atenção voltada para a fome de lucros que nos impulsiona, com a pressa de ter. Um novo recenseamento acontece a cada dezembro, e precisamos confirmar nossa existência na sociedade escravocrata de consumismo. E pagar nosso imposto com perus e presentes.
Nós também não temos tempo para Jesus...
Mas, veja:
Maria e José estão presentes hoje em nossa Belém interior.
E eles procuram, desesperados, algum lugar em nós que possa abrigar Deus-Menino.
E nós também não temos tempo para Jesus...
Mas pare um pouquinho...
Venha José! Traga Maria!
Venha vasculhar em nós o mais ínfimo espaço, aquele sem utilidade aparente. Venha afofar as palhas deste nosso lugar.
Venha Maria, trazer à vida, a Luz que veio iluminar nossos recônditos  e nos preencher com a Verdade, que nos liberta e nos redime.
Venha, enrole nossa Salvação nos panos velhos e rotos que encontrar neste nosso lugar e deixe que a gente procure pela Misericórdia e pelo Amor em forma de criança dentro de nós. E o adoremos em espírito e em verdade.
E com essa atitude Maria, eu tenho certeza, nossa Belém deixará de ser a menor de todas as cidades de Judá...  Porque  ali, naquela nossa manjedoura improvisada,   o Verbo se fez carne...  e veio habitar entre nós.
E estrelas guias iluminarão nossos olhos, direcionando a  todos para a nossa Belém interior. E eles terão certeza que ali nasceu o Amor.
Hosana nas Alturas!
Feliz Natal!
(Isabel Assad) 

"No Natal que tive em sonho
Papai-Noel era eu.
E o velhinho tão risonho
A minha infância escondeu.

Agora, criança crescida
Que sabe falar e rezar
Ora pra Deus pela vida
E pra todos Jesus amar."
(Walter Siqueira)


A CRIANÇA E O NATAL
Crianças pirracentas, todas são,
mas no fundo, no fundo,
elas tem bom coração!
Criança quer ser amada!
Criança quer ser respeitada!
e nos braços da sua família,
criança quer ser carregada,
e assim, ser presenteada,
com o melhor presente da vida:
O amor de seus pais!
Criança sente dor e necessita desse amor,
Amor que acalme o seu chororô,
pois crianças pirracentas são,
mas sempre atentas estão,
e choram de montão somente pra chamar atenção!
Sim! Atenção, carinho, cuidado, diálogo,
COLO!!!
Da criança esse é o clamor!
Mas que pena! Quase sempre seus pais estão de mau humor.
Que tal  NESTE NATAL
você começar a presentear?
E todo amor ao seu filho poder dar
Esse presente não lhe custa dor, e é completamente de graça,
Deixe brotar o amor para que a felicidade nasça!
FELIZ NATAL!
                                                (Paola Barreto)