domingo, 25 de março de 2012

Espaço para os erros


Rosemeire e Frederico se preocupam em acompanhar as lições do filho, Octávio, para o caso de surgir alguma dúvida: sem definição de nota mínima para parabenizar o menino
Na busca por garantir um bom desempenho Escolar dos filhos, muitos pais ficam em dúvida sobre qual é a melhor forma de agir. É mais eficaz pressionar crianças e adolescentes constantemente para que eles não percam a disciplina e mantenham sempre boas notas ou evitar o excesso de cobrança para que o estresse não prejudique o rendimento?
Dois pesquisadores franceses trazem novas informações que podem ajudar os pais nessa difícil tarefa. Depois de realizar um estudo com alunos do 6º ano do ensino fundamental (idade média de 11 anos), Frédérique Autin e Jean-Claude Croize, pesquisadores, respectivamente, da Universidade de Poitiers e do Centro Nacional de Pesquisa Científica, concluíram que, quanto mais tranquilos e com menos receio de falhar, melhor se saem os estudantes.
Segundo a pesquisa, publicada na edição deste mês do Journal of Experimental Psychology, a pressão para obter um bom desempenho e o medo de errar podem interferir no funcionamento da mente e prejudicar o rendimento dos estudantes. Para os especialistas, as crianças tendem a se sair melhor na Escola quando se sentem confiantes e são ensinadas a ver a falha como algo normal e parte do aprendizado. Essa abordagem, acreditam, garante melhores resultados que a pressão constante.
Para chegar a essa conclusão, ela e seu colega dividiram a pesquisa em três fases. Na primeira, 111 estudantes precisavam resolver problemas de anagramas que não tinham sido ensinados a solucionar. Para um grupo desses alunos, os educadores e os pais diziam, antes da tarefa, que a dificuldade e a falha são aspectos comuns do aprendizado. Para a outra parte, era simplesmente pedido que respondessem às questões. “Os estudantes do primeiro grupo trabalharam melhor do que os outros, especialmente nos problemas mais difíceis e, aparentemente, sem solução”, revela Autin.
O segundo experimento contou com 131 alunos. Em um primeiro momento, parte dos alunos teve de resolver um anagrama bem simples para seu nível de Escolaridade. Depois, todos tiveram de completar um teste de interpretação textual. Parte deles ouviu de adultos que o aprendizado é resultado de um esforço e outro não ouviu nenhuma mensagem. Nesse caso, os alunos com quem adultos tinham conversado e aqueles que já tinham resolvido o anagrama simples se saíram melhor que os demais.
Por fim, em um terceiro experimento, 68 crianças responderam a um questionário que incluía perguntas de interpretação de texto e sobre como eram cobradas por seus pais e professores. Os pesquisadores notaram, então, que aquelas que viviam sob menos pressão se saíram melhor nas perguntas de interpretação.
Autin esclarece ao Correio que muitas crianças crescem em um ambiente no qual há uma “obsessão com o sucesso”. “Reconhecer que a dificuldade é uma etapa crucial no processo de aprendizagem poderia parar com o círculo vicioso que faz com que momentos difíceis criem sentimentos de incompetência, que, por sua vez, resultam em deturpações no aprendizado”, salienta a coautora do estudo.
Fonte: Correio Braziliense (DF)

sábado, 24 de março de 2012

Desafios do ensino médio do brasileiro

Em um país que se alinha às principais economias emergentes do mundo, com influência crescente no panorama político e econômico internacional, os problemas sociais só se explicam pelos ainda altos níveis de desigualdade. Nenhum outro fator influencia tanto essa questão quanto a Escolaridade, que guarda relação direta com as condições de emprego e renda, o que por sua vez implica oportunidades educacionais de mais baixa qualidade para as novas gerações, alimentando um processo de reprodução da pobreza e da desigualdade. Romper esse círculo vicioso requer políticas que garantam, ao filho do pobre, condições para que conclua sua Educação Básica, pré-requisito essencial para a inserção no moderno mercado de trabalho.
Por seu lado, hoje não pairam dúvidas sobre a estreita correlação entre os baixos índices de escolaridade de nossa população e os entraves que enfrentamos no processo de desenvolvimento sustentável. Nenhum país tem possibilidades de competição no mundo globalizado sem que a Escolaridade média de sua gente seja de, no mínimo, 11 anos. Infelizmente, nossa média nacional ainda é de apenas 7,2 anos de estudo e, mesmo entre jovens de 20 a 24 anos, ela alcança somente 9,6 anos. Ou seja, em média, nossa juventude consegue apenas terminar o Ensino Fundamental.
Assim, a prevalência de uma formação Escolar abaixo do patamar mínimo exigido para a inclusão profissional responde, tanto por altos níveis de desemprego entre os jovens, quanto por uma sensível escassez de recursos humanos. Os resultados da Pnad de 2010 mostram, entretanto, que o problema está longe de ser equacionado. Dos 10,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos, apenas 50,9% estão no Ensino Médio. O pior é que, dos 3,3 milhões que ingressaram em 2008 no 1º ano do Ensino Médio, apenas 1,8 milhões concluíram o 3º ano em 2010 (Censo Escolar/MEC/Inep). Uma verdadeira sangria.
Podemos identificar causas internas e externas para essa sangria. Por um lado, a inadequação da Escola oferecida para a maioria de nossos jovens. Por outro, questões socioeconômicas que os empurram precocemente para o mercado de trabalho.
Nosso Ensino Médio tem um currículo enciclopédico (13 componentes curriculares obrigatórios e mais 7 temas transversais), sem nenhuma flexibilidade e divorciado do mundo do trabalho (não chega a 10% o percentual dos alunos que cursam o ensino profissionalizante). Em outras palavras, mais de 90% de nossos jovens estão sendo “preparados” para uma universidade na qual a maioria não pisará, por meio de uma enxurrada de conteúdos superficialmente tratados, e sem nenhuma adequação a seus interesses.
Praticamente não existem alternativas de trabalho e renda associadas à Escola, como projetos de monitoria (trabalho na Escola), estágios remunerados ou programas ligados à Lei de Aprendizagem, que possibilitem o estabelecimento de nexos entre Educação e trabalho e promovam a permanência na Escola, de preferência evitando a optação pelo noturno.
Felizmente, podemos observar que nos últimos anos, após a conquista da universalização do acesso ao ensino fundamental, o ensino médio começa a entrar na agenda pública. Como fruto dessa preocupação temos, por exemplo, a Emenda Constitucional nº 59/2009, que amplia a obrigatoriedade de Escolarização entre 4 e 17 anos de idade, e a recente Resolução n.2 do Conselho Nacional de Educação de 30/1/2012 que estabelece as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM). As novas diretrizes não enfrentam o problema do excesso de componentes curriculares obrigatórios, mas propõem alternativas de flexibilização, mediante a oferta de diferentes formas de organização curricular no âmbito da Escola.
Outro avanço das diretrizes foi a proposta de um exame universal e obrigatório ao final do Ensino Médio, hoje inexistente (o Saeb é amostral e o Enem é facultativo). Para que o Enem cumpra esse papel, entretanto, é necessário que seja repensada sua Matriz de Competências, em função de uma pergunta: Que competências um indivíduo precisa necessariamente ter desenvolvido ao final de seus estudos básicos para entrar no mercado de trabalho ou prosseguir em seus estudos? Em outras palavras, quais as expectativas de aprendizagem para o final do ensino básico? Somente a partir dessa definição, os diferentes componentes curriculares devem ser chamados a identificar sua contribuição específica. Se for feito ao contrário, iniciando-se pelos infindáveis componentes, teremos uma megamatriz e um Enem para superdotados.
Há muitos desafios a serem superados, mas conhecer a realidade que se quer transformar é o primeiro passo para que seja possível adequar o atendimento, planejar e estruturar estratégias de contenção do abandono, avaliar e promover melhorias significativas e eficazes. Para isso, precisamos contar com a sinergia de toda a sociedade na promoção da garantia, às novas gerações, do passaporte mínimo para a inserção no moderno mercado de trabalho – a conclusão e o bom desempenho no Ensino Médio.
Wanda Engel, Doutora em Educação pela PUC-RJ, in: Fonte: Folha de S.Paulo (SP)

Alunos de Cariús produzem cordéis no combate a drogas


O projeto "Cara a cara, construindo rodas de conversa", foi elaborado pelas secretarias de Educação e Saúde de Cariús. A partir de pesquisas sobre os riscos e malefícios dos entorpecentes, a criatividade de um grupo de adolescentes transformou-se em poesias de cordel. Os alunos venceram os obstáculos iniciais e conseguiram colocar no papel estrofes em rima sobre o perigo das drogas. O formato agradou outros jovens e até a população adulta, numa ação inédita que tem por objetivo alertar os moradores desta cidade, localizada na região Centro-Sul do Ceará.
Dezenas de estudantes do ensino fundamental de 14 Escolas públicas da sede urbana e da área rural produziram poesias que se transformaram em cordéis, e participaram de oficinas sobre prevenção de drogas. O projeto "Cara a cara, construindo rodas de conversa" nasceu a partir de uma articulação inédita entre as secretarias de Educação e de Saúde, com apoio do Ministério da Saúde. O objetivo é promover ações de prevenção ao uso abusivo de álcool e de drogas, que são consumidos cada vez mais por adolescentes.
Mesmo em cidades pequenas do Interior, a realidade revela que, precocemente, jovens experimentam drogas e fazem o consumo de álcool. "Infelizmente essa é uma situação que chegou aos pequenos centros urbanos no Interior e até na zona rural", disse a médica psiquiátrica Angélica Sales, instrutora do projeto e coordenadora de uma pesquisa naquela região sobre o uso de drogas lícitas e ilícitas por crianças e adolescentes.
Preocupados com a situação, as secretarias municipais de Saúde e de Educação articularam o projeto, que foi finalizado com a apresentação de uma mesa redonda sobre a temática de prevenção do uso abusivo de crack, maconha e outras drogas. 

PREMIAÇÃO
Ao final do encontro, houve a solenidade de entrega de DVDs e de Netbooks para três alunos vencedores do concurso de cordel, e também para os professores orientadores e para as Escolas onde os alunos vencedores do prêmio estudam.
O cordel com o título "Drogas - legal é prevenir" foi produzido com a inclusão de três poesias sobre a mesma temática, mas com abordagem diferente e de criação livre dos alunos. A primeira colocada foi a aluna Geisy da Silva Alves, da Escola de ensino fundamental Domingos Nonato de Oliveira, com a orientação da professora Liromar Alves da Silva.
Em segundo lugar ficou a aluna Maria Samille Ferreira Fernandes, da Escola de Ensino Infantil e Fundamental Manoel Miguel de Souza, com a orientação da professora Irani Gonçalves. Já a terceira colocação ficou com a aluna Claudiane Souza Silva, da Escola de ensino fundamental Maria Sother Pereira, que recebeu a orientação da docente Robervânia Mendonça Ledo.
A seleção dos trabalhos foi regida por edital que estabelecia a elaboração de uma cartilha em estilo de cordel sobre prevenção ao uso abusivo de álcool e de outras drogas. Cada Escola inscreveu os melhores trabalhos. A aluna Aléxia Milene Oliveira disse que foi motivada por um tio a fazer a poesia. "No começo achei difícil, mas fiz pesquisas e, com a orientação de um tio, fiz a poesia", contou a estudante.

 CULTURA
Em sala de aula, os professores orientaram os alunos sobre o cordel, o estilo de rima e a importância desse tipo de literatura para a cultura nordestina. A secretária de Educação do Município, Maria Nereide Ferreira, destacou a importância da participação dos alunos no projeto. "Houve uma ampla mobilização e os estudantes ficaram motivados a produzir pela primeira vez poemas em estilo de cordel", frisou.
Além da produção dos poemas em cordel, os alunos participaram de oficinas e palestras sobre drogas, prevenção, cuidados, riscos e as consequências decorrentes de seu uso. "O primeiro passo é a prevenção e orientação para as crianças e adolescentes", observou a secretária de Saúde, Roslene Bitu Alencar. "Dessa forma, acreditamos que no futuro os jovens estarão mais conscientes do risco que a droga traz e preparados para evitar o consumo de entorpecentes", acrescentou.
A mobilização local incluiu ainda a realização de um curso de formação de 30 agentes de prevenção às drogas, com entrega de certificados, expedidos pela Escola de Saúde Pública do Município de Iguatu.
O psicólogo, Carlos Prado, coordenador de saúde mental de Icó, participou da mesa redonda, expôs números da pesquisa sobre consumo de drogas e álcool, que foi realizada no Município e mostrou-se preocupado com o elevado consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens.
Fonte: Diário do Nordeste (CE)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Direitos e deveres: e a educação com isso?

SOU PROFESSORA E AMO O QUE EU FAÇO!  Amo ver meus alunos sorrindo, porque aprenderam a fazer uma conta de adição ou porque sabem utilizar corretamente o tempo verbal. Gosto de ver como eles utilizam os conhe-cimentos desenvolvidos em sala de aula no seu dia-a-dia. Gosto da tarefa de EDUCAR para além do conteúdo, ou seja, despertando conhecimentos indispensáveis à vida.  PORÉM, não suporto a hipocrisia do sistema educativo.
Nós, professores, “nos viramos nos trinta” para obtenção um salário digno, ou seja, temos que trabalhar manhã, tarde e noite. Como coadjuvante da rotina de trabalho, temos uma rotina de estudos, necessária para nos manter atualizados e uma vida pessoal que não pode ser deixada de lado. Enfim, somos seres humanos, como qualquer outro.  Somos cidadãos, temos direitos e deveres! O problema se inicia quando só exigem nossos deveres e se esquecem dos nossos direitos, dos direitos dos nossos alunos.
Quem trabalha na rede pública sabe as péssimas condições de algumas salas de aula. Alunos amontoados em cima uns dos outros. Não existe espaço para o professor circular, ventiladores são artigos de luxo, janelas quebradas, banheiros precários e pátio.... é uma palavra que inexiste no vocabulário de grande parte das muitas escolas da rede municipal. Acaso brincar ou mesmo ter um ambiente educativo propício à aprendizagem não é direito do aluno?
PAA... Alguém sabe o significado? PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DA APRENDIZAGEM.  Um programa desenvolvido para solucionar a defasagem idade série pelo instituto Alfa e Beto, implantado na rede municipal. Onde está o problema?  Na execução do programa! Com uma rotina semanal e um cronograma de atividades a serem cumpridos de forma ACELERADA, que não permite a fixação do conteúdo por parte do aluno. Não permite a aprendizagem efetiva. O pior, o professor ouve o tempo todo dos coordenadores e dos OPs que tem que acelerar!!! Então qual é a finalidade? O aluno aprender ou ELEVAR OS INDICADORES DE ESCOLARIDADE? E a ética do professor? E a sua missão de educar? 
O professor comprometido com a educação está sempre atrasado, pois usa material complementar em suas aulas para que os alunos aprendam e, nesses casos, deixa de estar em dia com o cronograma do projeto sendo cobrado por estar “fora do ritmo”. Acaso ensinar não é dever do professor de forma que os alunos aprendam? Acaso organizar as aulas de forma que atendam às necessidades do educandos, respeitando o ritmo dos alunos não é direito do professor? Acaso aprender de forma significativa não é direito do aluno?
Quem trabalha na rede pública municipal sabe que temos uma carga horária de trabalho em sala de aula e algumas horas de planejamento a serem cumpridas semanalmente. Por que temos que cumprir o planejamento na escola quando temos preparado um planejamento anual de conteúdos e somos comprometidos com nossos alunos, elaborando atividades semanais? Por que cumprir uma carga horária ociosa na unidade escolar? Não são suficientes as horas que passamos em casa corrigindo e preparando as atividades? Isso não é planejar? Quem leva menos de 5 horas semanais preparando suas aulas?
Ensinar é dever do professor! Porém é dever do município arcar com as despesas e os custos deste empreendimento. Reformar as escolas criando um ambiente propício para o ensino-aprendizagem, repensar os métodos e as técnicas utilizadas, retribuir economicamente ao professor com um salário digno, pagar o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).
Visto que o governo municipal não cumpre com os seus deveres, proponho um manifesto em favor da educação, em favor de nossos direitos. PROPONHO A RECUSA DO HORÁRIO DE PLANEJAMENTO NA UNIDADE ESCOLAR, PROPONHO A RECUSA DAS AULAS EM SALAS INADEQUADAS, PROPONHO REVISÃO DO PROGRAMA DE ACELERAÇÃO E DE SEU MATERIAL DIDÁTICO. EM DEFINITIVO, PROPONHO UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE EM QUE OS PROTAGONISTAS DA RELAÇÃO ENSINO-APRENDIZAGEM (PROFESSOR E ALUNO) ENCONTREM A FELICIDADE PLENA E SINTAM PRAZER E SABOR EM ENSINAR EAPRENDER O CONHECIMENTO.
Marcela Aguiar Barbosa, professora, Campos dos Goytacazes-RJ

Alerta aos alunos mais descuidados

Como o uso de celulares e tablets com acesso à web é uma tendência forte no Colégio Farroupilha, percebeu-se a importância de um trabalho de orientação voltado aos estudantes. A cartilha serve como um alerta para quem não percebe o alcance e as armadilhas escondidas nas mídias sociais. Ontem à tarde, no intervalo das aulas, os alunos comentavam um dos pontos do guia que mais chamaram a atenção: não expor toda sua vida na internet, em especial telefones, endereços, informações sobre a família.
– A gente toma cuidado, mas não é uma preocupação constante. Às vezes, no Twitter, eu falo sobre assuntos mais pessoais – comentou Giovana Baptista, 15 anos, do 1º ano do ensino médio.
As ofensas trocadas nas redes sociais são outro alvo do manual. Segundo estudantes, são comuns os casos de xingamentos e intrigas via web, que vêm tomando lugar dos tradicionais bate-bocas frente à frente. Diretora do Farroupilha, Magda Von Galen afirma que a Escola não tem recebido reclamações nesse sentido – um dos objetivos do guia é justamente evitar situações do tipo –, mas acredita na necessidade de reforçar a Educação e o respeito em qualquer lugar, seja em sala de aula, no trânsito ou na internet.
– Os alunos vão para as redes sociais e não têm noção de como eles próprios podem se prejudicar. Quando você coloca algo no Facebook, isso se torna público e pode ofender outra pessoa. Buscamos o cuidado de se auto proteger e também de não ofender – explica Magda.
Para a professora Sariane Pecoits, do 5º ano do Ensino Fundamental, é cada vez mais relevante esse estímulo à prevenção, pois seus alunos de 10 anos já têm perfis nas mídias sociais. Ela conta que as crianças se mostraram muito interessadas no assunto ontem e a encheram de perguntas sobre o manual.
A cartilha não ficará restrita aos muros do colégio – haverá distribuição de folhetos em sinaleiras e parques, inclusive com shows de mágica, para acesso do público em geral.
Fonte: Zero Hora (RS)

Prêmio Gestão Escolar

Criado em 1998, o Prêmio Gestão Escolar tem como objetivo reconhecer as boas práticas desenvolvidas nas escolas. A 13ª edição está com inscrições abertas até o dia 1º de junho. Para concorrer, é preciso cadastrar-se no site do concurso: http://www.consed.org.br/pge. Na primeira fase, uma escola por estado recebe o título de Destaque Estadual. Após, seis instituições são elevadas a Destaque Regional - uma delas, a grande vencedora, é designada como Destaque Brasil. Os prêmios são de R$ 6 mil, R$ 10 mil e R$ 30 mil, nas respectivas categorias.
No ano passado, foram realizadas 1.610 inscrições. Segundo a secretária-executiva do Consed, Nilce da Costa, as expectativas são de que esse número seja ampliado nesta edição, chegando a 5 mil escolas concorrentes.
A diretora da instituição Destaque Brasil do ano passado, Adriana Pereira Aguiar, garante que a participação serve de apoio para saber o que está dando certo ou não na escola e o que pode ser melhorado, além de poder converter a escola em exemplo a outras instituições de educação. Durante os 10 anos que participamos, a gente respeitou muito as pontuações dos comitês. As evolutivas apontam o que a escola poderia implementar. Foram 10 anos de muito aprendizado, avalia Adriana.
Fonte: Terra

quinta-feira, 22 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia

            Não tenho nada que me valha mais do que a Poesia. Dia vinte e um de março, por obra da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a obra dos poetas tem licença pra passar. Meio porta-estandarte, quase um Dom Quixote, o poeta avança em direção aos seus. Cada filho de Deus tem o dom da Poesia. Quem não faz versos, aprecia-os. Apreciar é fazer, enfim, o seu dia, a poesia.
            Quanta vida sem nada de vida, correndo pelos ralos, como se a vida não valesse mais do que um cifrão num papel que surge ao final do mês! Poesia, muitos dizem, não enche barriga. Mas Poesia, caro amigo, enche a alma. Mesmo que a gente sofra, mesmo que a gente chore, não há de ser nada: sofrimento, com a Poesia, vira verso, e as lágrimas nada mais são do que as gotículas do grande mar interno que se faz eterno.
            A Poesia tem seu dia no mundo: o Dia Mundial da Poesia. Por isso, como se fosse costume, nada de mais, pare um pouco a rotina, saia do modo automático que lhe rege as últimas horas, os últimos dias, os últimos meses e os últimos anos: pare e pense no quanto a Poesia nos deve ajudar. A folha que um vento carrega pra longe da árvore só pode viver se tiver um bocado de sonho, uma velha varanda onde à noite pousar.
Olivaldo Júnior
Moji Guaçu, SP, vinte de março de 2012.

Uma legião de mentes brilhantes e anônimas

Para cada criança ou adolescente superdotado no Brasil, há outras 140 mentes brilhantes anônimas. O número de talentos não identificados e, portanto, desperdiçados no país chega a 1,2 milhão de meninos e meninas — considerando a estimativa mais rigorosa da Organização Mundial da Saúde, de 3% de detentores de altas habilidades em qualquer população analisada. Reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), entretanto, só existem 9.208 alunos, das redes pública e privada, nas turmas da creche ao ensino médio, incluindo as séries para jovens e adultos. O Distrito Federal se destaca, com a maior proporção de superdotados, cerca de 5% .
“Países que já perceberam que esse capital humano pode ajudá-los a crescer socialmente passaram a investir, alcançando o índice aceito hoje na literatura, de 15% a 20% de alunos altamente capazes. Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão, entre outros, têm políticas sérias”, afirma Maria Cristina Dellou, presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação. No Brasil, embora haja legislação, programa federal e recursos para trabalhar com os superdotados, faltam professores capacitados para identificar e lapidar os talentosos, na avaliação de Maria Cristina, que é doutora em Educação.
Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Denise de Souza Fleith tem percepção igual. “Professores com 20 anos de sala de aula dizem que nunca tiveram um superdotado. Será? É preciso romper também com uma questão cultural e ideológica, que desconsidera a existência das pessoas com altas habilidades ou chega a hostilizá-las”, afirma Denise. O mito de que o superdotado tem de ser gênio em todas as áreas do conhecimento também dificulta a identificação.
“Não é raro o aluno se tornar desinteressado, porque tem de ficar repetindo mecanicamente o que ele sabe analiticamente, em função do raciocínio adiantado em relação à turma”, diz o professor Benilton Rezende Monteiro, que atende superdotados na área de ciências no DF. Em 2006, o MEC instalou núcleos para superdotados nas 27 unidades da Federação. Muitos, porém, funcionam precariamente. “Temos conhecimento que DF, Mato Grosso do Sul e Paraná desenvolvem políticas adequadas. Os demais estados fazem do jeito que podem”, diz Maria Cristina. O MEC foi procurado, mas não retornou os contatos da reportagem.
Fonte: Correio Braziliense (DF)

Destaque de gestão, escola do Tocantins tem índice zero de defasagem

Gincanas pedagógicas, oficinas, projetos temáticos e acompanhamento da frequência escolar. Propostas como essas enriquecem o aprendizado e a convivência na escola, além de tornar a instituição exemplo a ser seguido. No ano passado, a Escola Estadual Presidente Costa e Silva, no Tocantins, recebeu o título de Destaque Brasil do Prêmio Gestão Escolar, concedido pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). O prêmio aponta as melhores gestões em boas práticas pedagógicas em escolas do País.
Foram 10 anos de tentativas e aperfeiçoamento até receber a compensação. "A gente sabia que estava progredindo. Participar é uma política da escola", conta a diretora Adriana Pereira Aguiar. Os 349 alunos, estudantes das séries finais do ensino fundamental (5º ao 9º ano), participam de projetos como a Gincana Cultural Aquarela Costa e Silva. As turmas são divididas em cores e avaliadas em diversos quesitos, desde o rendimento até as relações interpessoais. "A rotina deles é monitorada na escola e pontuada para a turma", explica Adriana. Ao final do ano, os alunos que tiverem melhor desempenho na gincana são premiados com uma viagem cultural, dentro do próprio Estado.
Um dos mecanismos usados para acompanhar o desempenho dos estudantes é a agenda escolar, implantada em 2007. Nela são carimbados, diariamente, selos que indicam a conduta do aluno em sala de aula e a assiduidade na entrega das tarefas. "O retorno tem sido muito positivo. É um meio de comunicação entre a escola e a família, pois os pais também podem verificar se o professor oferece a devida atenção a seu filho", esclarece a diretora Adriana. Outro ponto que contribui para essa relação é que todos os 12 professores são exclusivos da escola.
A agenda ainda é utilizada como suporte ao projeto Uma Visão Social no Combate à Evasão Escolar, uma vez que controla a frequência do aluno. "Detectada a infrequência, a gente faz contato por telefone com a família, ou visitas domiciliares", diz a gestora da escola. Nos últimos três anos, conforme Adriana, a escola atingiu índice zero em defasagem escolar. Em 2009, a instituição obteve 5,1 na medição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O número é superior à meta projetada para aquele ano (4,3) e à média nacional observada (4,0). A média estadual (3,9) também foi superada.
O projeto Lan House Monitorada também se beneficia da agenda escolar. A gente trabalha muito com diagnóstico, sempre buscando o porquê. Notamos que muitos alunos deixavam de vir à escola para frequentar a lan house, analisa Adriana. Para contornar a situação, a saída foi ampliar o atendimento no laboratório de informática da escola. Mas o uso não é totalmente livre. "O aluno recebe carimbos de positivo e negativo na agenda. A partir daí, ele adquire bônus para usar no laboratório no turno inverso", detalha. Em sala de aula, contudo, os alunos utilizam aparelhos do programa Um Computador Por Aluno para acompanhar as atividades pedagógicas.
Fonte: Terra

Mercadante defende correção automática do piso de professor

O terceiro edital do programa Brasil sem Fronteiras, que concede bolsas de estudos para brasileiros no exterior, sairá ainda neste mês e vai incluir parcerias com universidades do Japão, Coreia do Sul, Suécia e Holanda. A prioridade é conceder bolsas nas áreas do conhecimento em que é maior a carência de profissionais no Brasil carreiras tecnológicas, de ciências médicas, física, química e matemática.
Esse é um dos exemplos citados pelo ministro da Educação, Aloízio Mercandante, ao Valor, para mostrar a preocupação do governo em preparar o país para a economia do conhecimento. Não seremos competitivos sem inovação, ciência e tecnologia. O Brasil, especialmente com o pré-sal, pode dar o salto estratégico nesse sentido. Ou simplesmente se acomodar com a doença holandesa supervalorização da moeda como consequência do ingresso de divisas vindas da exportação de poucos ou um só produto e agravar deficiências históricas.
Mercadante também defendeu o piso salarial dos professores, alvo de críticas duras de governadores de Estados, inclusive do PT, dizendo que essa política é essencial para uma Educação de qualidade. Mas reconheceu que o reajuste deste ano, de 22,2%, é muito forte, não podemos dizer que não é. Custa caro o piso do professor? Custa. Mas a ignorância custa muito mais. Ele informou que o Congresso Nacional está criando uma comissão para formular uma regra de reajuste, de forma a atrair os melhores profissionais para a Educação. Precisamos fazer o piso continuar crescendo em termos reais. A ideia é criar uma política de reajuste automático como a do salário mínimo.
Fonte: Valor Econômico (SP)

quarta-feira, 21 de março de 2012

MEC cria prova para alunos de 7 anos

O Ministério da Educação (MEC) criará mais uma avaliação, para crianças de 7 anos. O exame, ainda sem data para começar, quer detectar se esses alunos estão conseguindo aprender a ler. Hoje, 15,2% das crianças no País acabam o período de alfabetização sem saber ler ou escrever.
O dado nacional esconde diferenças enormes entre regiões e Estados. Enquanto em Santa Catarina e no Paraná apenas 5% das crianças não estão alfabetizadas aos 8 anos, no Pará e no Maranhão o índice passa dos 30%. Em São Paulo, a média é de 7,6%.
Apesar de o Ensino Fundamental ser de responsabilidade dos municípios - e, em menor grau, dos Estados -, o MEC quer acompanhar as crianças para que se cumpra a meta de alfabetizar todos os estudantes até os 8 anos.
"Queremos fazer essa avaliação para que seja possível intervir antes dos 8 anos se o resultado não for bom", disse o ministro Aloizio Mercadante, em reunião da Comissão de Educação na Câmara. "Temos outra prova aos 8 anos. Mas aí, se a criança não se alfabetizou, já teremos uma defasagem que pode terminar no abandono da escola."
O MEC faz, desde 2008, a Provinha Brasil, de alfabetização e matemática para crianças de 8 anos. Mas essa avaliação não é nacional. O material é preparado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inpe), repassado para Estados e municípios e utilizado livremente. O resultado é apenas para uso interno. A ideia inicial, de se fazer uma amostra nacional para que se pudesse avaliar o grau de alfabetização antes de as crianças chegarem à 4.ª série - quando passam pela Prova Brasil -, nunca saiu do papel e o MEC hoje usa dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ainda não está definido como e se a divulgação desses números será feita. Mercadante, no entanto, quer destacar pelo menos as escolas que estão conseguindo alfabetizar seus alunos. O novo ministro já pegou o programa, chamado de Alfabetização na Idade Certa, quase pronto quando assumiu o cargo, em fevereiro, mas quer incluir algumas mudanças. Uma delas é dar bônus para escolas e professores que atingirem objetivos.
"Estamos trabalhando um grande programa de bolsa de estudos para os professores que tiverem os melhores resultados, para que eles visitem e façam estágios nas melhores escolas do Brasil e até do exterior. É uma maneira de motivá-los."
Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)

Movimento tenta limitar ensino religioso

Se depender de organizações educacionais e ligadas a direitos humanos, o ensino religioso nas escolas públicas do país será restringido.
Na semana passada, a posição entrou formalmente na discussão no Supremo Tribunal Federal, que analisa a constitucionalidade de artigo sobre a matéria presente em acordo entre o Brasil e Igreja Católica, de 2010.
O grupo de cinco associações quer proibir políticas como a do governo de São Paulo, que prevê o ensino religioso do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental de forma "transversal" --ou seja, dado junto com outros conteúdos.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)

terça-feira, 20 de março de 2012

Brasileiro é escolhido melhor professor do ano de todo condado de Miami-Dade

Alexandre Lopes com as crianças do programa de inclusão que criou na escola Carol City Elementary, em Miami. Foto de Carla Guarilha.
Um brasileiro está fazendo história nos EUA com um projeto de inclusão em escolas: Alexandre Lopes recebeu o prêmio de Melhor Professor do Ano de Miami-Dade.
Ele foi escolhido entre 24 mil professores de todas as escolas públicas do condado. O processo de seleção é longo e incorpora diversos aspectos do professor, fora e dentro da sala de aula, desde o seu método de ensino à filosofia e politica educacional.
“É um orgulho, uma honra muito, muito grande deles terem escolhido neste país um brasileiro nascido e criado no Brasil”, diz ele. “Foi um processo intenso de seleção. “Não foi só pré-escola, não foi só no departamento de crianças especiais, não foi só entre os latinos. Eu competi em termos de igualdade com todos os professores daqui”.
Lopes ganhou um Toyota novinho, US$5.500 e uma bolsa de estudos na Nova University – que ele abriu mão pois já está cursando o doutorado na Florida International University.
Mas para ele, o mais importante foi receber o troféu, que simboliza o reconhecimento do seu trabalho. E as homenagens não param. Hoje, Alexandre vai receber uma homenagem de Bárbara J. Jordan, representante de um dos condados de Miami-Dade.
 “Levou um bom tempo para conseguir o respeito pelo que eu faço, e acho que foi muito importante ganhar esse titulo, não só por mim mas, por todos os outros professores que trabalham na pré-escola”, diz Lopes emocionado.
Hoje aos 43 anos, o carioca é, agora, o porta-voz de educação de todo o condado de Miami-Dade. O próximo passo é o prêmio estadual com mais 71 concorrentes. Se ganhar, entra como finalista ao prêmio nacional, que será anunciado no inicio de 2013.
Seu programa de inclusão é composto de dois grupos diários de 12 crianças, de 3 a 5 anos – um de manhã e outro no inicio da tarde. Em cada grupo, há oito que exibem desenvolvimento regular da idade e quatro com algum tipo de desordem que compromete o desenvolvimento, como, por exemplo, o autismo.
“As crianças com autismo estão integradas a um ambiente onde elas tem a capacidade de interagir socialmente com crianças fora do espectro autista”, diz ele. “É uma sala de aula normal, onde temos alunos com autismo e alunos sem autismo. Não são diferenciados em absolutamente nada”.
Numa rotina extremamente bem estruturada, Lopes, apaixonado pela música – e um estudioso de piano desde cedo, usa a sonoridade e a melodia como técnicas de ensino – na comunicação, compreensão e aprendizado de palavras e respeito mútuo.
Na hora que entram na sala de aula, as crianças dão as mãos e formam uma roda, cantando, “we are glad you are here. Hello to you and me” (“estamos felizes por estarem aqui. Olá para você e para mim”), fazendo com que todos se sintam bem-vindos e unidos. Lopes usa tambores e canções para ensinar conceitos, como tolerância e o controle emocional: “When you are mad, take a deep breath and relax” (“quando está bravo, respira fundo e relaxa”).
O que enfatizamos aqui, que de repente não é tão enfatizado em outras salas de aula, — mas que na minha opinião deveria ser enfatizado em todos os lugares — é o ensino da interação social: como lidar com uma pessoa, pegar sua atenção, olhar no olho daquela pessoa, chamá-la pelo nome”, diz o carioca, que atribui parte do seu sucesso ao fato de ser brasileiro – não só pela sua musicalidade mas pela forma que se relaciona com as pessoas.
 “Eu acho que faço com que cada um se sinta especial, e isso é importante”, diz ele. “Eu acho que o brasileiro tem isso, quando quer, de realmente mostrar ao mundo do que ele é capaz”.
Lopes nunca se imaginou trabalhando na área de educação. Nascido e criado em Petrópolis, o carioca se formou em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhava em companhias aéreas. Sempre gostou muito de viajar, e em 1995, se mudou para Miami. Aqui, como comissário de bordo, na época pela United Airlines, fazia rotas para a América Latina e servia como intérprete de português e espanhol. Com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, as companhias aéreas tiveram muitos problemas financeiros, e a United ofereceu um pacote de benefícios para quem se afastasse. Lopes aceitou imediatamente, e retomou os estudos. Validou em Miami seu diploma do Brasil e começou mestrado em “Educação Especial” na Universidade de Miami, com foco em crianças autistas, rumo a um trabalho sério que, está rendendo frutos.
Assista ao vídeo de Alexandre Lopes com um de seus grupos de inclusão:

Fonte: iG

"A valorização do professor começa pelo piso", diz Mercadante

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, valorizar os professores brasileiros é meta fundamental para o País. Desde que assumiu o comando do ministério, ele anunciou a distribuição de tablets para os docentes do ensino médio, programas de formação, bolsas de estudo. Mas admite que cumprir o piso salarial do magistério deve ser a primeira medida de Estados e municípios para valorizar esse profissional.
Em entrevista ao iG, Mercadante afirmou que essa não é uma tarefa fácil e que há um limite de contribuição do ministério nesse sentido. “Temos outras responsabilidades a cumprir no apoio às prefeituras”, lembra. Garantir recursos do pré-sal para a educação, na opinião dele, pode ser uma boa solução para auxiliar os gestores municipais e estaduais a garantir melhores salários aos educadores.
Durante a conversa de quase uma hora, o ministro ressaltou que os cálculos feitos pelo MEC para reajustar o valor do piso são baseados em determinações legais – rebatendo de forma discreta as críticas feitas pelo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, de que o ministro teria “opinião furada” sobre esse assunto.
Em pouco mais de um mês à frente do MEC – cujo orçamento é dez vezes maior do que o da Ciência, Tecnologia e Inovação, antigo cargo de Mercadante –, o ministro se diz maravilhado com o desafio. “É um ministério complexo, com uma agenda dinâmica, dimensões imensas. Eu considero o maior desafio estratégico do Brasil ter uma educação de qualidade para todos”, afirma.
Nos próximos meses, Mercadante espera anunciar novos projetos para a alfabetização e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Um novo programa para a educação no campo será anunciado ainda este mês. Confira os principais trechos da entrevista:

iG: Ministro, quais serão suas prioridades à frente do Ministério da Educação?
Aloizio Mercadante: Nosso primeiro esforço é acelerar o programa de creches e pré-escolas. Nós estamos contratando 1,5 mil creches por ano, no entanto, as prefeituras só estão conseguindo construir as creches num prazo de dois anos e meio. Montamos uma força-tarefa para, nos próximos 60 dias, verificarmos quais as medidas complementares podemos oferecer aos prefeitos e estamos terminando um estudo com o Inmetro para oferecermos serviços de engenharia de novos métodos construtivos, tipo estruturas pré-moldadas e novas tecnologias para acelerarmos isso. A deficiência é grande. Na pré-escola, estamos com 80% dos alunos matriculados, mas na creche temos em torno de 26% de cobertura.
A segunda grande prioridade é alfabetizar na idade certa. Essa eu diria que é uma das grandes prioridades dessa gestão, porque nós temos uma disparidade muito grande. Só 4,9% das crianças do Paraná não são alfabetizadas até os 8 anos de idade. Em Santa Catarina, 5,1%, para darmos bons exemplos. Quando você vai para o Nordeste, em Alagoas, 35% das crianças não são alfabetizadas na idade certa. Quando há creche e pré-escola, você tem mais chance de alfabetizar na idade certa, por isso esse nosso esforço. Nós temos de formar os professores de forma continuada; ter material pedagógico consistente e disponível; precisamos motivar os professores, premiando e valorizando os resultados que venham a ter e temos de avaliar as crianças.

iG: O programa alfabetização na idade certa vai incluir todas essas ações? Quando ele começará a funcionar?
Mercadante:
Todas. É um projeto bem completo. Analisamos as melhores experiências do Brasil para formatar esse projeto. Nesta quinta-feira, vou participar do encontro do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e quero discutir o projeto com eles. É importante ouvir deles contribuições, esse tem de ser um grande pacto nacional. Nós vamos disponibilizar recursos, materiais, formação para os professores e motivá-los no programa. O melhor instrumento para isso é um novo programa, o Escola sem Fronteiras, que promoverá estágios desses professores nas melhores escolas do Brasil e do exterior. O pessoal da Capes está estudando as modalidades possíveis, mas estamos pensando no período das férias.

iG: O programa também prevê a oferta de bônus financeiro aos professores que tiverem bons resultados?
Mercadante:
Até agora, a forma que achamos mais consistente de estimular os professores é com a bolsa do Escola sem Fronteiras. Também tem de dar algum estímulo para escola. Ela também tem de ser valorizada pelos resultados. Nós vamos discutir com os secretários de Educação para concluirmos o desenho desse programa em parceria, de forma consistente.
Nós estamos lançando também ainda agora em março, o Pronacampo. Só 15,5% dos jovens do campo estão no ensino médio. No campo, 23,2% de todas as pessoas com mais de 15 anos não estão alfabetizadas. O campo precisa ter um outro olhar por parte do Estado.

iG: O senhor poderia adiantar quais serão as ações práticas desse programa?
Mercadante:
Toda a produção de material didático vai ser nova, focada no campo. Vamos oferecer também um programa de formação de professores voltado para isso; construir novas escolas, inclusive escolas com alojamentos. Nos últimos sete anos, tivemos mais de 30 mil escolas fechadas no campo. Estamos fixando também que, para fechar uma escola, a prefeitura ou Estado seja obrigado a consultar os conselhos estaduais e municipais de educação. Vamos estabelecer alguns critérios para o fechamento de escolas acontecer. Às vezes, é necessário, mas tem havido uma política de reduzir despesas, transferindo o ônus para o aluno. É muito mais fácil e barato para uma prefeitura, em vez de ter uma escola no interior, comprar um ônibus e fazer o aluno andar 100 km pra ir e mais 100 pra voltar.
No ensino médio, o que nós identificamos é uma evasão escolar muito alta. Uma parte é por causa da defasagem idade-série que vai se acumulando e se manifesta no ensino médio com o abandono da escola. A outra é que, para grande parte dos alunos, é preciso associar trabalho e educação, o que vamos fazer com o Pronatec. Além disso, a escola precisa ficar mais interessante. Um dos instrumentos mais importantes e rápidos nesse sentido é a distribuição do tablet com projetor digital, para que o professor melhore e crie um ensino interativo na sala de aula. Estamos distribuindo lousa digital, vamos dar toda a produção do Khan Academy, traduzida em parceria com a Fundação Lemann, e o Portal do Professor já tem 15 mil aulas prontas. Esse material vai dar um salto de qualidade na sala de aula.

iG: O senhor acredita que distribuir esse material muda a divisão cultural entre professores e alunos no que diz respeito à tecnologia?
Mercadante:
O arranjo social da escola é do século 18. Os professores são do século 20 e os alunos, do século 21. Eles são nativos digitais. Temos que chegar no aluno. Começando pelo professor, a gente chega mais seguro. É inimaginável um professor do século 21 não poder entrar no Google. Isso vai mudar. Nós já vamos até aumentar a distribuição. Além de dar o tablet aos professores do ensino médio, vamos estender o programa para todos os alunos que participam do Programa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid). Os universitários que estão se formando e fazendo estágio na escola pública vão ter o equipamento, para que eles cheguem na escola preparados para trabalhar novas tecnologias para a educação. Fizemos um seminário com 27 grupos de pesquisa do País na semana passada e a avaliação da inclusão digital na escola é excelente. Estamos montando um relatório completo agora. Todos têm a avaliação de que o processo gera motivação, criatividade, interatividade. É uma mudança de paradigma, que o Brasil tem de enfrentar.
Fonte: iG

Prefeitura dará bônus a 93 mil por atingir metas

Cerca de 93 mil servidores de 36 órgãos públicos do Rio receberão bônus de meio a dois salários por baterem, segundo a prefeitura, metas de desempenho em 2011. Os prêmios foram, em sua maioria, na quinta-feira passada, à exceção dos 45,5 mil professores da rede. Estes receberão os bônus em agosto.
Isso porque as metas das Escolas dependem da divulgação, pelo Ministério da Educação, do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a evolução dos estudantes. Para arcar com os bônus, a prefeitura desembolsará R$250 milhões, o equivalente a uma folha mensal de pagamento dos 112.624 servidores da ativa.
Fonte: O Globo (RJ)