quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Melhorar o ensino

Na década de 30, o ex-presidente Washington Luís defendia a tese de que "governar era abrir estradas" conceito que, no Século 21, evoluiu para "governar é dar prioridade à Educação", manifestação sintonizada com as exigências da evolução modernista. Nesse sentido, o Governo Federal elabora ações para melhorar os índices de Ensino que apresentam dados ruins com aprendizado em patamar baixo, significando estagnação nos últimos anos.
Duas iniciativas do Ministério da Educação e Cultural (MEC) estabelecem novas regras, visando a reduzir o número de matérias para tentar melhorar o aprendizado, reduzindo o número de disciplinas do Ensino médio, depois de analisar dados divulgados em 2011, pelo Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ided) que mostrou o Ensino com avanços nos primeiros anos do Ensino fundamental, diferentemente do Ensino médio, que teve fraco resultado no mesmo período.
A decisão de reduzir a aplicação de matéria na grade Escolar, encontrará, por certo, opiniões divergentes, mas é medida que poderá ter mais votos favoráveis para adequar os estudantes mais próximos da realidade do mundo moderno. Os defensores da extinção de algumas matérias do currículo se apoiam na própria afirmação do MEC que a Educação avança, mas o Aluno aprende pouco.
Justificarão para apoio das mudanças, o fato de que o tempo gasto nas aulas poderia ser mais objetivo, principalmente naqueles itens de maior praticabilidade. A tentativa de buscar mais agilidade no Ensino é providencial para alçar o Brasil em escala compatível à sua importância e em favorecimento do povo.
Fonte: Diário do Amapá (AP)

Governo vai socorrer escolas com nota baixa

 

Para as instituições de Ensino que obtiveram notas abaixo da média no Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb), o Ministério da Educação (MEC) desenvolve projetos específicos e prioriza os investimentos. O Programa Mais Educação, que leva Ensino integral às Escolas, é um deles. Este ano, a iniciativa tem previsão de recursos de cerca de R$ 574 milhões. A Secretaria de Educação básica tem como foco o desenvolvimento de iniciativas em Escolas com baixo Ideb nas capitais e zonas metropolitanas. Já o PDE Escola, projeto para auxiliar as Escolas públicas a melhorarem a gestão, repassou verba para mais de 19 mil colégios em 2011, com base nos resultados do Ideb 2009.
Um é exemplo de Escola que não alcançou a meta em 2011: o Centro Educacional 6 de Ceilândia. Os resultados do Ideb o colocaram na lanterna na lista das melhores Escolas do Distrito Federal. A notícia do índice de pior instituição deixou o diretor, os Professores e os Alunos inconformados. Jefferson Lobato, responsável pelo colégio, explica que não faltam Professores nem existem problemas na estrutura física, apesar de as salas serem abafadas devido ao teto de zinco. Ele conta que a maioria dos pais e Alunos são engajados e afirma não existir um motivo dramático para a nota baixa. Para ele, o índice refletiu o projeto das Classes de Aceleração, do governo federal
Jefferson explica que o programa visa corrigir o problema de defasagem Escolar, geralmente resultado da evasão e de repetências, quesitos que, na sua avaliação, empurraram a nota para baixo. O Professor de ciência Deneir Meirelles reforça o argumento e esclarece que o indicador de rendimento calculado com base nas aprovações foi de 0,53 enquanto a nota na Prova Brasil foi de 4,53. “O que nos levou para baixo foi a taxa de repetência, porque a nota da prova está na média do DF. Fomos avaliados por um índice que não é só culpa da nossa Escola. Só recebemos o 9º ano, não somos responsáveis pelo histórico de reprovações do Aluno, mas somos avaliados por ele. Isso não está certo. Além disso, esses estudantes estão em fase de aceleração, aprendendo os quatro anos finais do Ensino fundamental em um só”, reclama o Professor.
O diretor acrescenta que no Ensino médio a instituição é referência. “Foi um choque para nossa autoestima. No Exame Nacional do Ensino médio (Enem) estamos sempre entre as 15 melhores Escolas públicas do DF. O Ideb não condiz com a nossa realidade. Temos projetos fora da sala de aula, nosso programa de Educação integral funciona, mas existem políticas que atrapalham o desempenho”, critica. A Professora de português Rose Meire Xavier concorda com o diretor. “Recebemos videoaulas para passar aos Alunos do programa de aceleração. É difícil ensinar quatro anos em um, ainda mais com métodos assim. Alguns chegam sem saber nada, com nível de 6º ano, para aprenderem todo o conteúdo e irem direto ao Ensino médio”, afirma.
Fonte: Correio Braziliense (DF)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Ensino Fundamental melhora no país, mas Médio não avança, aponta Ideb

 

A qualidade do ensino fundamental melhorou, no Brasil, entre os anos de 2009 e 2011, mas, no mesmo período, não houve evolução no ensino médio. O Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, avalia alunos das redes pública e privada.
O índice é calculado a partir das notas dos alunos em avaliações nacionais, como a Prova Brasil, e a taxa de aprovação dos estudantes. Vai de zero a dez e serve para comparar, a cada dois anos, o que acontece dentro das salas de aula, desde o ensino fundamental até o ensino médio.
Em 2011, o índice do 1° ao 5° ano melhorou. Ficou em 5 e a meta estipulada pelo governo era de 4,6, a mesma nota alcançada em 2009. A maioria dos alunos matriculados nessa etapa está em escolas municipais. Mais de 77% dos municípios alcançaram ou superaram a meta.
No Ceará, Minas Gerais e Acre, o número passa de 90%, mas no estado do Rio de Janeiro, nem a metade dos municípios chegou ao objetivo do MEC.
Do 6° ao 9° ano, a meta também foi ultrapassada. A nota ficou em 5,1. Em 2009, foi 4, mas sete estados não conseguiram tirar 3,9. Entre eles Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Sergipe e Espírito Santo.
O ensino médio, que tradicionalmente tem problemas de qualidade, ficou na meta do MEC, com 3,7 pontos. Mas isso não é motivo de comemoração, pelo contrário. Muitos estados praticamente andaram para trás, porque tiveram um desempenho pior do que o do índice de 2009. São eles: Acre, Pará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Para o professor da UnB Remi Castioni, um dos problemas está no modelo de ensino médio que existe hoje no Brasil.
“É onde o jovem recebe uma concentração de conteúdos alta, muito alta que tem um único objetivo de prepará-lo para o vestibular, então é preciso também mudar, modificar o aspecto para que serve afinal o ensino médio no Brasil”.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reconhece as dificuldades nessa etapa de ensino e diz que o governo estuda algumas mudanças.
“Melhorando a qualidade das aulas, estimulando o ensino técnico profissionalizante e avançando na escola tempo integral nós acreditamos que teremos resultados cada vez melhores para o ensino médio”.
As escolas particulares foram avaliadas por amostragem. Em nenhuma das etapas elas atingiram as metas estabelecidas, mas o governo reconheceu que continuam tendo um ensino melhor do que as públicas.
Fonte: Jornal Nacional

Ensino Médio vai mal

 

Se os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) de 2011 indicam melhora na qualidade nos primeiros anos do Ensino fundamental, os resultados não são animadores no Ensino médio. Entre 2009 e 2011, o Ideb dessa faixa subiu apenas 0,1 ponto, passando de 3,6 para 3,7 (o DF obteve 3,8, aquém da meta local, que era 3,9). A meta nacional esperada para o período (3,7) foi atingida, mas em nove estados o índice piorou em relação à edição anterior. Na comparação Ideb-2011 com Ideb-2009, considerando apenas as redes estaduais, caíram Rondônia (-0,4), Acre (-0,2), Pará (-0,2), Paraíba (-0,1), Alagoas (-0,2), Bahia (-0,1), Espírito Santo (-0,1), Paraná (-0,2) e Rio Grande do Sul (-0,2).
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante argumentou que “in - ternacionalmente” o Ensino médio continua sendo um “grande desafio” para qualquer sistema educacional. Ele defendeu que o currículo da etapa precisa ser reformulado porque é muito sobrecarregado. Em algumas redes de Ensino, o total de disciplinas chega a 19. “É uma sobrecarga muito grande que não contribui para você ter foco nas disciplinas essenciais, como língua portuguesa, matemática e ciências.” Outro problema, para Mercadante, é a falta de Professores com formação específica para algumas áreas, como matemática e ciências, além da alta taxa de matrículas no turno noturno – 30% dos jovens do Ensino médio estudam à noite. Mercadante não quis falar sobre os resultados dos estados com Ideb inferior ao de 2009. “Vamos olhar essa informação e tentar tirar lições para avançar”, disse. O ministro aposta que a Educação em tempo integral pode ser uma “grande resposta” para melhorar a qualidade do Ensino. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) estipulou meta nacional de 5,2 para o Ensino médio em 2021.
Nem Fernão de Magalhães, aquele que queria chegar ao Oriente navegando pelo Ocidente, faria serviço melhor à Educação brasileira. O projeto de lei aprovado pelo Congresso que reserva um colosso de vagas universitárias a egressos do Ensino público caminha no sentido do velho Fernão. Quer dar melhores condições aos Alunos de Escolas públicas sem melhorar as próprias Escolas públicas. Na verdade, faz-se o contrário. Entre 2009 e 2011, o Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira do Ensino médio da rede pública, divulgado ontem, ficou estagnado. Significa que não houve evolução digna de nota na qualidade da rede.
O Ideb é o indicador que avalia a qualidade do Ensino com base em percentuais de aprovação e aprendizado dos Alunos. Embora a rede pública tenha mantido o mesmo Ideb, o conjunto do Ensino médio – re d e pública e privada – apresentou melhora. Isso, porém, só ocorreu pelo melhor desempenho das Escolas particulares, que abrangem apenas 12% das matrículas nesse nível educacional. É o contrário do que se pretende. O caminho correto seria melhorar a Escola pública, não partir para um ingresso facilitário na universidade.
Fonte: Jornal de Brasília (DF)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Educação no País avança, mas aluno aprende pouco

 

O Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que o Brasil teve avanços nos primeiros anos do Ensino fundamental, etapa da 1.ª à 5.ª série. Chegou a atingir a meta prevista para ser cumprida em 2013. O País saltou da nota 4,6 para 5 - em um indicador que vai 0 a 10.
Dados mais detalhados desse indicador, no entanto, mostram que os Alunos não aprenderam mais português e matemática - a proficiência dos Alunos nas disciplinas aumentou apenas 0,22. O restante ocorreu por causa do aumento na progressão dos estudantes - houve menos repetência.
Nos anos finais do Ensino fundamental, de 5.ª à 8.ª série, o cenário é um pouco mais difícil: 44% das Escolas brasileiras não atingiram suas metas e 37% delas tiveram resultados ainda piores que os apresentados em 2009, data da avaliação anterior aplicada pelo governo federal.
No Ensino médio, a etapa tradicionalmente mais complicada do Ensino, o Ideb piorou em oito Estados e no Distrito Federal, apesar de a meta nacional, de 3,7, ter sido atingida. O objetivo traçado é chegar a 5,2 em 2021.
Para especialistas ouvidos pelo Estado, os dados divulgados ontem indicam que o Brasil conseguiu avanços muito tímidos e grande parte dos estudantes ainda sai das Escolas sem realmente aprender o que deveriam nas suas respectivas séries.

Qualidade do ensino médio caiu no DF e em 8 Estados
A qualidade do Ensino médio piorou no Distrito Federal e em oito Estados brasileiros, aponta o Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) 2011, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). A leitura dos dados mostra um desafio insistente no Ensino brasileiro: a situação tem melhora no início da Educação básica, mas piora com o passar dos anos e dos ciclos.
Apesar de a meta nacional do Ensino médio, de 3,7, ter sido atingida nessa etapa, em oito Estados brasileiros, além do Distrito Federal, os índices apresentados em 2011 são inferiores aos obtidos em 2009.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) estipulou uma meta nacional de 5,2 para ser alcançada no Ensino médio em 2021. Além das metas estaduais e nacional, o há metas para cada Escola.
Na comparação com 2009, considerando redes estaduais, federais e particulares, caíram de desempenho, por exemplo, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Paraíba. Bahia e Maranhão.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, admitiu que o fraco desempenho do Ensino médio no Ideb é "um imenso desafio". Segundo ele, os problemas são conhecidos e o governo se prepara para enfrentá-los.
"Um fator claro é a estrutura curricular, muito extensa no Ensino médio. São 13 disciplinas, que chegam a 19 se consideradas as disciplinas complementares. São muitas matérias."
Outro fator é o número elevado de estudantes do Ensino médio que estudam à noite. "O rendimento é comprometido porque muitos desses Alunos trabalham e, com tantas disciplinas, eles ficam desestimulados."
Governos locais, De acordo com o Inep, a rede estadual é responsável por cerca de 97% da matrícula do Ensino médio na rede pública do País, o que torna a questão uma responsabilidade dos governos locais. O avanço do Ideb no Ensino médio é mais lento que o observado nos dois ciclos do Ensino fundamental, e as médias são mais baixas.
Embora o Ideb do Ensino médio tenha subido de 3,6 para 3,7 (considerando todas as redes de Ensino), o índice das redes estaduais ficou estável - manteve-se em 3,4. O Ideb da rede privada nesse nível de Ensino é de 5,7.
Segundo Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação básica do MEC, que saiu do ministério com a chegada de Mercadante, o formato da Escola não dialoga com os adolescentes.
"A gente nunca ousou suficientemente na organização dos Ensinos fundamental 2 e médio e não conseguiu avançar mais." Ela diz que o novo currículo do Ensino médio deve trazer resultados.
Finais. Nos ciclo 2 do fundamental, da 5.ª à 8.ª série, 44% das Escolas públicas do País não atingiram as metas do Ideb. São mais de 12 mil Escolas, de um total de 28.514 avaliadas. O levantamento foi feito pela Meritt Informação Educacional.
Em 14 Estados, a maioria das Regiões Norte e Nordeste, mais da metade das Escolas não atingiram as metas. No Amapá apenas 27% das unidades públicas alcançaram o índice.
Em Mato Grosso, com a melhor situação, 81% das Escolas conseguiram. Em São Paulo, foram 2.703 unidades (55%). Houve queda na nota em 37% das Escolas. A pior situação foi em Alagoas, onde 232 Escolas (55% do total) públicas tiveram índice menor que em 2009.
Segundo Mozart Neves Ramos, do Todos Pela Educação e Conselho Nacional de Educação, a situação preocupa. "O crescimento do Ideb nos anos finais do Ensino fundamental é muito discreto." Segundo ele, quatro Estados precisam de uma maior atenção. "Maranhão, Alagoas, Sergipe e Pará ainda não conseguem avançar no processo."
Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), os resultados representam o nível da desigualdade do Ensino.
"O Ideb está bom, a Escola é que está ruim". Ele ressalta que Ideb alto não significa que a Escola boa, nem que o Aluno que esteja nela aprenda.
Da 1.ª à 4.ª série, a média do Ideb teve o maior avanço e chegou a 4,7 na rede pública. Cerca de 66% das 37,1 mil Escolas alcançaram a meta.
Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)

País tem avanço muito tímido na Educação

O fraco desempenho do ciclo final do fundamental e do Ensino médio manchou o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) de 2011, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). Enquanto todo o país cumpriu e superou suas metas de qualidade nos primeiros anos do Ensino fundamental, sete Estados ficaram aquém de seus objetivos no final do ciclo, principalmente na região Norte (RO, RR, PA, AP, SE, ES e RS). A realidade no Ensino médio é ainda pior: a meta não foi alcançada no Distrito Federal e em outros dez Estados, concentrados no Norte e Nordeste (AC, RR, PA, AP, RN, AL, MG, ES, RS e MT).
O Ideb geral nos anos iniciais do Ensino fundamental passou de 4,6 em 2009 para 5 na edição do ano passado, superando a meta de 2011 em 0,4 ponto. A nota do segundo ciclo do fundamental subiu apenas um ponto no período, para 4,1, ficando acima da meta proposta para o ano, de 3,9. No Ensino médio a variação da nota do Ideb entre as duas últimas edições foi de 3,6 para 3,7, resultado que garantiu o cumprimento da meta nacional na risca.
Com resultado estatístico extraído das notas da Prova Brasil (português e matemática) feita por Alunos de 4ª e 5ª séries e 8ª e 9ª séries do Ensino fundamental e do terceiro ano do Ensino médio, cruzado com o fluxo de aprovação de toda a Educação básica, o Ideb, divulgado de dois em dois anos, é o maior indicador de qualidade da Educação brasileira e principal instrumento de avaliação e proposição de políticas educacionais para redes municipais, estaduais, federal e particulares.
Nos anos iniciais do fundamental, as redes Escolares de dois Estados nordestinos se destacam com as notas mais folgadas em relação às metas propostas para 2011. Respectivamente, o Ideb dos sistemas municipais, estaduais e privados de Ceará e Piauí foi 4,9 (0,9 ponto acima da meta) e 4,4 (0,8 acima da meta). Minas Gerais registrou o Ideb mais alto para a etapa: 5,9.
Para especialistas, o bom desempenho nacional do ciclo inicial é explicado pelo foco em políticas de Alfabetização infantil. Para os casos específicos de Ceará, Piauí e Minas, o avanço se deve à melhoria de gestão e de práticas pedagógicas, incrementadas por parcerias entre prefeituras e governos estaduais. "Minas já tem uma política consolidada. No Ceará e Piauí é a mesma coisa, houve pactuação entre as Secretarias Estaduais e os municípios. Os resultados saltam aos olhos porque perceberam que Educação não é uma prova de passar o bastão no final de cada ciclo, mas uma responsabilidade coletiva", avalia Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.
A secretária estadual de Educação do Ceará, Izolda Cela, confirma que a cooperação é estratégica. "Não inventamos a roda, apenas obedecemos os preceitos constitucionais de cooperação federativa. Não há repasse de um centavo, tudo se baseia em organização de gestão, treinamento de funcionários e Professores pago pelo Estado, adoção de material estruturado [apostilas] e metas simples."
Segundo Izolda, o avanço no Ideb do Ceará e dos municípios cearenses começou com a política de Alfabetização infantil em Sobral, quando ela era secretária municipal de Educação, em 2001. "Ao assumir o Estado levamos a política para os municípios em forma de parceria. Em 2005, tirando Sobral, os 184 municípios tinham Ideb abaixo da média nacional. Em 2011, 178 cidades alcançaram média adequada", acrescenta ela.
A secretária acredita que o segredo para avançar no final do fundamental é reforçar as parcerias prefeituras-Estado. "Daqui duas edições do Ideb, teremos resultados melhores, como já pode ser visto em alguns municípios."
A resposta para o Ensino médio é um mistério. Ocimar Alavarse, Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP), recomenda esforços de aprendizagem e melhoria da condição de trabalho e oferta para o ciclo mais problemático da Educação brasileira. "O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem a insatisfação dos Professores com baixos salários. Se durar muito tempo pode influenciar tanto no fluxo de aprovação como no aprendizado, que tem oscilado bastante. Por isso é importante focar o Ensino e condições de trabalho, com salários dignos e ação de formação Docente."
O Ideb do Rio Grande do Sul para o Ensino médio caiu de 3,6 em 2009 para 3,4 no ano passado, deixando o Estado abaixo da meta de 3,7. O secretário de Educação, José Clóvis de Azevedo, admite que não teve tempo para aplicar mudanças. "Encontramos altos índices de repetência e desmotivação grande dos nossos jovens. Propomos mudanças curriculares que começaram este ano, assim como ações ligadas ao mercado de trabalho e à universidade para tornar o Ensino médio mais atraente. Mas elas só surtirão efeito no próximo Ideb, em 2013", resumiu Azevedo.
O secretário estadual de Educação de Goiás, Thiago Peixoto, disse ao Valor que a realização de diagnósticos, criação de políticas de bônus por mérito e de um sistema de avaliação interno ajudaram o Estado a melhorar o Ideb do Ensino médio. Goiás teve um dos melhores desempenhos do país para essa etapa da Educação. "No começo houve muita gritaria, mas com bons resultados acredito que podemos avançar mais."
Fonte: Valor Econômico (SP)

domingo, 19 de agosto de 2012

Mostrando a Língua – 57

Salve, salve, queridos diqueiros!

Sei que não enviei dica na semana passada e vou tentar me redimir.

Antes da de hoje, chamo a atenção de vcs para o seguinte: nosso diqueiro Frank Pavan que enviou a dica sobre 'recorde' (lembram-se? dia 1º /08) logo depois que recebeu a dica percebeu que o que ele propôs foi exatamente o que discutimos, ou seja, ele não ouviu recorde, assim lindinho em português; ouviu 'record' em inglês e pretendia fazer a dica.

Salve, salve, queridos diqueiros!

Sei que não enviei dica na semana passada e vou tentar me redimir.

Antes da de hoje, chamo a atenção de vcs para o seguinte: nosso diqueiro FRANK PAVAN que enviou a dica sobre 'recorde' ( lembram-se? Dia 1º /08)logo depois que recebeu a dica percebeu que o que ele propôs foi exatamente o que discutimos, ou seja, ele não ouviu recorde, assim lindinho em Português; ouviu 'record' em Inglês e pretendia fazer a dica.

Para a dica de hoje, recebi de ERIVELTON, nosso diqueiro, blogueiro, excelente professor de Português e de Latim as seguintes sugestões:

 

Olá, Magistra! Tudo bem? Saudades!!!

Vou abrir o "perguntador" (rsrsrsrs):

1- A frase "João caiu feio" estaria correta conforme nossa gramática?

2- Por que "Olimpíadas" é escrita somente no plural?

3-  Qual a abreviatura correta para "apartamento"? Apto, Apart. ou Ap.?

Um grande abraço!

Eri

 

1-A frase está certa, sim! O que vc estranhou deve ter sido o papel que o adjetivo assume, pq nesse caso, funciona como advérbio. Observe que 'feio' não modifica 'João' e sim, 'caiu'. De que modo Joãp caiu? _ Feio, feiamente.

 

2- A questão de Olimpíadas foi explicada em dica anterior, ok? Trata-se de erro grosseiro ( estamos falando de APENAS uma Olimpíada!) O plural só é permitido se falarmos de , pelo menos, duas.

 

3-A abreviatura de apartamento é ap. Sei que temos visto apto. mas não se pode terminar abreviaturas com vogal, a não ser que seja indicativa do gênero, caso de Ltda, profª, drª.

Também a moçada gosta de apê e usa! Já até ouvimo Latino convidando pra festa no apê, não é? Mas não se tarta de abreviatura, apenas uma redução informal da palavra.

É isso, gente.

Grande abraço da

Edinalda

Ensino Médio a passos lentos

 

A Educação brasileira melhora, principalmente no começo da vida do estudante — os anos iniciais do Ensino fundamental —, mas cresce devagar nos anos finais, o antigo ginásio, e no Ensino médio. Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) 2011, divulgados ontem pelo Inep, do Ministério da Educação, apontam que o país não consegue replicar o bom desempenho de um Aluno no início da sua vida Escolar ao longo das séries: a onda de melhoria da Educação perde força à medida que o Aluno avança até o antigo 2º grau.
Nos anos iniciais do Ensino fundamental, a meta do Brasil para 2011, somando as redes pública e privada era 4,6 — o país ficou com 5, ultrapassando a meta em 0,4 ponto. Nos anos finais, a meta de 3,9 foi superada em 0,2 ponto, com o país ficando com 4,1. No Ensino médio, a nota foi de 3,7, igualando a meta, mas sem ganhos significativos. Nessa última etapa, o Ideb caiu em relação a 2009 em nove estados.
A situação do Ensino médio preocupa até mesmo na rede privada.
Se na rede pública a nota ficou igual desde 2009, na privada subiu apenas de 5,6 para 5,7 (de 2009 para 2011) e ainda ficou 0,1 ponto abaixo da meta.
O quadro do Ensino médio é mais grave por causa de outro problema: segundo o Censo do IBGE, há 17% de jovens de 15 a 17 anos — idade na qual já se esperaria que os jovens estivessem nesse nível de Ensino — que abandonaram os estudos. Outros 32% estão atrasados, ainda no fundamental. Baseandose em testes de Português e Matemática e na taxa de aprovação dos Alunos, o Ideb é o principal indicador para medir o sistema educacional brasileiro. Em 2021, a meta para os anos iniciais é 6; para os finais, 5,5; e para o médio, 5,2.
As redes pública e privada têm resultados dissonantes: nos anos iniciais, a média das públicas foi 4,7. A rede privada teve 1,8 ponto a mais.
Nos finais, a diferença foi maior: 3,9 contra 6,0. No Ensino médio, a diferença das redes foi de 2,3 pontos.
A desaceleração do ritmo de melhora do desempenho Escolar ao longo das séries fica clara nos cálculos feitos por Paula Louzano, da Faculdade de Educação da USP.
Ela viu quantos pontos os Alunos da rede pública (nos anos finais do fundamental e no Ensino médio) melhoraram entre 2005 e 2009, e entre 2009 e 2011, e comparou o resultado dos dois grupos. Conclusão: de 2007 a 2011 os Alunos também melhoraram, mas menos do que em anos anteriores.
— Os Alunos chegam mais preparados nos níveis subsequentes, porque as notas são mais altas, mas a capacidade de acrescentar valor à Educação está diminuindo. Se você quer ter avanço, não precisa só melhorar notas, precisa que o ritmo de avanço se mantenha — diz Paula.
Diretora-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz fez um estudo a partir do Ideb de 2005, para mostrar a evolução do índice nos estados. Descobriu que o Ceará foi o estado que mais avançou nos anos iniciais do fundamental; saltou de 3,2 para 4,9:
— Numa área em que os municípios são os principais responsáveis, o Ceará conseguiu pegar os bons resultados da Alfabetização em Sobral e replicar. Esse pacto entre estado e municípios é fundamental.
O maior investimento no fundamental é o que explicaria em boa parte o melhor resultado desse nível, diz o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara:
— Dos recursos públicos para Educação, 65% são para o fundamental; 13% para o médio; 7% para o infantil; e 15% para o superior.
A aposta foi no fundamental, mas tem de haver continuidade de investimento nos anos seguintes, principalmente porque é no médio que há mais Professores sem formação adequada, e falta de estrutura e projeto pedagógico adequados.
Com o país avançando menos nos anos finais do fundamental, Priscila Cruz acredita em um problema estrutural:
— O currículo é fragmentado, o Professor é da disciplina e não da turma, o MEC não tem um projeto específico para o período e, ao contrário dos anos iniciais, quando o município é o maior responsável pela rede, nesses anos nem os municípios nem os estados se sentem os responsáveis.
— Os anos iniciais são motivo de comemoração. Os anos finais, de preocupação. E o Ensino médio, de decepção — resume Francisco Soares, do Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais da UFMG.
— Os anos finais, não são todos os Alunos que concluem, só 70% deles.
E, como não são todos os que chegam ao Ensino médio, os que chegam, em tese, são melhores Alunos, e mesmo assim não temos melhora significativa no médio.
Com o Brasil tendo tido avanço ínfimo — 0,3 ponto entre 2005 e 2011 — no Ensino médio, o Amazonas se destacou: passou de 2,4 para 3,5 na média total do estado (considerando só a rede estadual, variou de 2,3 para 3,4).
Em 2011, o estado com melhor Ideb é Santa Catarina com 4,3 (4,0 na rede estadual).
Os piores são Pará, que se manteve com Ideb 2,8, e Alagoas, que caiu de 3,0 para 2,9 na média total.

"Ensino médio noturno deve acabar"
Pesquisador em Educação, Ruben Klein crê que é preciso reformular o Ensino médio. Para ele, além de resolver o déficit de Professores, devese acabar com o Ensino noturno:
— Cada Escola tem seu projeto pedagógico e isso não funciona.
É preciso ter diretrizes bem definidas. O jovem tem que estudar de dia.
O Ensino noturno tem menos horas em sala de aula e as pessoas ainda chegam atrasadas e saem mais cedo, além de a cobrança ser menor.
— As Escolas de Ensino médio não flexibilizaram o currículo.
Precisam achar uma maneira de seduzir o jovem— completa Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco.
Coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naércio Menezes Filho acrescenta mais razões para que a melhora no início da vida Escolar não continue ao longo das séries:
— O aumento da Escolaridade dos pais e da renda, com alimentação melhor e bens culturais, influenciou nos anos iniciais. Mas não continua até o médio; aprendizado é cumulativo, e problemas de anos anteriores aparecem no fim — diz ele, lembrando que o parâmetro do Ideb, a situação dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 2005, já estaria defasado: — Os países não estão mais como em 2005.
Fonte: O Globo (RJ)

Robôs na sala de aula

Foi-se o tempo em que para dar uma aula o Professor utilizava apenas giz e um quadro-negro. A tecnologia tomou a sala de aula levando até o Aluno lousas digitais, conteúdos multimídias e até mesmo robôs. Motores, sensores e lâmpadas já fazem parte da rotina de estudantes do Ensino médio, que têm a disciplina de robótica na grade curricular como forma de tornar o aprendizado das disciplinas de física e de matemática mais lúdico e moderno. De acordo com pesquisa do Korea Institute of Science and Technology, 38% das crianças entrevistadas consideram que é possível aprender com os robôs, o que revela todo o potencial que pode ser explorado nessa nova forma de Ensino. Diante dos processos de transformações do mundo, encontrar uma forma de unir o Ensino à tecnologia tem sido um desafio para as Escolas. Principalmente, no que diz respeito a conduzir jovens a criar soluções e utilizar as máquinas de forma crítica em benefício da sociedade. Uma alternativa para superar esse obstáculo é inserir a disciplina de robótica no currículo Escolar.
Nova tendência no setor educacional, as aulas de robótica reúnem vários recursos tecnológicos capazes de contribuir para uma aprendizagem mais interessante e um Ensino mais significativo. As ações incentivam os Alunos a utilizar a tecnologia atual para o desenvolvimento de habilidades e competências como pesquisas, resolução de problemas ou contorno de dificuldades, desenvolvendo a criatividade e o raciocínio lógico. Para garantir o sucesso desse tipo de projeto é necessário que a Escola prepare sua infraestrutura, investindo na criação de um laboratório próprio, na compra de equipamentos e material adequados e na capacitação de seu corpo Docente para lidar com essa nova disciplina. É preciso, ainda, atentar para a necessidade de destinar um espaço especial para área de testes na qual os objetos construídos vão se locomover. Nos protótipos criados pelos Alunos são inseridos componentes elétricos, que, conectados a uma interface ligada ao computador, funcionam de acordo com a programação.
Essas atividades devem ser monitoradas e orientadas por Professores de matemática e de física para que a correlação entre a prática e a teoria aconteça de forma natural e efetiva e tem como intuito tornar o processo de aprendizado mais dinâmico, prazeroso e próximo à realidade do mundo em que o Aluno vive.
Com base em experiências práticas, pode-se concluir que por meio dos recursos da robótica o Aluno passa a ser sujeito da construção do seu conhecimento, de forma ativa e atuante em todos os momentos, uma vez que essa disciplina dá oportunidade ao Aluno de “colocar a mão na massa”. O conhecimento não está pronto, mas é construído em atividades com objetivos pedagógicos e metodologias bem definidas e alinhados ao seu tempo.
Fonte: Estado de Minas (MG)

sábado, 18 de agosto de 2012

O poder educativo das imagens

 

Imagens não devem ficar restritas às aulas de Artes. Aquela foto em um livro de História ou Geografia é muito mais útil para o aprendizado de estudantes do Ensino fundamental do que se imagina. Se bem discutido e interpretado, esse tipo de material ajuda a desenvolver o raciocínio e estimula a leitura e a produção de textos. Conhecida como leitura de imagem, a atividade faz com que as figuras deixem de ser percebidas como mera ilustração e sejam aproveitadas como recurso pedagógico.
Segundo a Professora de Literatura da Universidade Federal do Pa­ra­­ná (UFPR) Marta Morais da Cos­­ta, a lin­­­­guagem visual tem um ritmo pró­­­­prio. Muitos aspectos podem ser analisados nela, como enquadramento, cores, formas, proporção, perspectiva e o que foi destacado. “Uma árvore é mais do que uma paisagem. Pode representar, por exemplo, abrigo ou destruição. Tudo isso tem um significado que precisa ser interpretado pelo Aluno.” Em casa
A partir de livros infantis, os pais também podem estimular os filhos a debaterem sobre as imagens, perguntando o que eles imaginam a partir do que veem. Confira alguns livros:
- Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak. Editora Cosac Naify.
- Willy e Hugo, de Anthony Browne. Editora Martins Fontes.
- Willy, o mágico, de Anthony Browne. Editora Martins Fontes.
- Toupi Toca, de David MacPhail. Editora Globo.
(Fonte: Yara Amaral, diretora do colégio Projeto 21. Abrangência)

Atividades com figuras são possíveis em diversas disciplinas
Em algumas Escolas de Curitiba, a leitura de imagens consegue sair dos planos pedagógicos e ser praticada no dia a dia da sala de aula. Na Escola Anjo da Guarda, por exemplo, livros com figuras – de arte ou não – são deixados no pátio, durante o recreio, para a livre consulta das crianças. Elas podem folheá-los e discutir com os Professores.
A diretora pedagógica, Luci Serricchio, conta que, em todas as aulas de Artes, os Professores começam as atividades pedindo que os Alunos analisem uma imagem. Da mesma forma, Docentes de Literatura usam fotografias de jornais e revistas para praticar a interpretação.
No colégio Projeto 21, a interpretação de imagens faz parte das aulas de Filosofia da Professora Flaviana Lima. É comum os Alunos terem de analisar imagens e escrever uma redação sobre o que foi possível perceber e imaginar diante daquela figura. “A proposta é escrever, construir ideias. Não descrever simplesmente a partir de mera observação”, diz a diretora Yara Amaral. (AS)Compartilhe a sua experiência
Entretanto, cabe ao Professor esse papel. Para se chegar a um resultado, é preciso que ele estimule o debate da imagem em sala de aula, independentemente da disciplina. Em aulas de História, Geografia, Ciências e Português, por exemplo, a tarefa é mais fácil. Mas, até as figuras dos livros de Matemática podem trazer um significado.
Esse tipo de recurso é bastante usado na Pré-Escola, antes de a criança ser alfabetizada, já que o contato visual é o primeiro estímulo que a criança tem e é a forma de adquirirem habilidades pré-linguísticas. Porém, embora a leitura de imagens esteja prevista nas diretrizes curriculares do Ensino fundamental, especialistas e pedagogos são unânimes em dizer que poucos Professores estão preparados para conduzir a atividade com qualidade.
O que muitos ainda estão acostumados a fazer é uma leitura formal das figuras, sem explorar suas várias possibilidades e provocar os Alunos a perceberem outros sentidos em tudo o que veem. Como a imagem é mais fácil de ser lida, ela chama mais a atenção do estudante e pode ser a porta de entrada para a leitura de textos, até maiores e mais complexos.

Apelo estético
É mais comum nas Escolas a análise de imagens de arte por causa do apelo estético, embora todo e qualquer tipo de figura possa e deva ser analisado. Foi a partir dessa constatação que a Professora de Artes Visuais da Universidade de Caxias do Sul (UCS) Maria Elena Rossi criou a coleção de livros didáticos As Imagens Falam, que traz um conjunto de 160 imagens de todos os tipos ao final de cada volume para que o Professor estimule os Alunos a analisá-las.
“Até os 12 ou 13 anos todos percebem as figuras da mesma forma. Com a mesma leitura ingênua. Conforme consolidam sua formação cultural e conhecimento de mundo, mudam a forma de ver. Se estimulados corretamente, conseguem perceber mais características, o que aumenta a perspicácia, atenção e a capacidade descritiva”, explica.

Auxílio na superação de dificuldades
As figuras também são um recurso importante no processo de Ensino de crianças que têm alguma dificuldade de aprendizagem. Várias abordagens da pedagogia e da psicologia baseiam-se em ilustrações e quadros de rotina com imagens. Esses materiais enriquecem e possibilitam o aprendizado de estudantes com diferentes diagnósticos, como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), dislexia, autismo e outros distúrbios que interferem na comunicação.
No caso do TDAH, os recursos visuais são fundamentais, pois facilitam o entendimento e trazem aspectos mais atrativos para o conteúdo. “Essas crianças tendem a se distrair com muita facilidade. O uso de ilustrações para a transmissão do conteúdo pode prender mais a atenção delas, assim, o nível de concentração também aumenta”, explica a psicopedagoga Priscilla Santana Van Kan.
Segundo Priscila, quando o estudante apresenta dislexia e tem muita dificuldade para ler e escrever, as figuras o ajudam a compreender melhor sem depender tanto da linguagem escrita. “Aí ela verbaliza e, dependendo do grau de dificuldade, a Escola pode colocar a prova oral como adaptação curricular para a criança. Estudar e aprender não são só leitura. Cada vez mais as próprias crianças precisam dos recursos visuais”, diz.
Pessoas com diagnóstico de autismo têm déficit na linguagem, mas boa parte delas tem memória e percepção visual bem apuradas. Essa característica faz com que métodos que usam figuras, como o Teach e PECs, sejam um importante canal de comunicação e Ensino. “Os métodos usam uma habilidade que elas têm para compensar e estimular áreas deficitárias”, diz a psicóloga Manuela Christ Lemos.
Fonte: Gazeta do Povo (PR)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Revolução na Educação

 

Finalmente, um governo brasileiro percebeu que deveria usar parte dos R$ 5,6 bilhões anuais com publicidade para promover a leitura no Brasil. É uma decisão louvável e gratificante ver estes anúncios nos intervalos das novelas. Infelizmente, a propaganda não surtirá efeito para 14 milhões de adultos analfabetos, nem para 35 milhões que, embora tenham a capacidade de ler o título de um livro, não captam a mensagem.
Poucos dos atuais 55 milhões de alunos em escola básica vão se dedicar à leitura no futuro, porque raros se transformarão em leitores se não adquirirem esta aptidão na infância e na adolescência. E nossas escolas não são criadoras de leitores.
É preciso elogiar a campanha da ministra da Cultura, Ana Hollanda, mas é fundamental que o governo faça as ações necessárias para transformar o Brasil em um país de leitores.
O primeiro passo é a revolução na educação de base, que passa pela qualidade dos professores e por melhores salários, melhor formação, seleção rígida e avaliações constantes; pelas escolas com edificações bonitas, confortáveis, bem equipadas e horário integral; e por métodos que incluam a leitura como parte substancial do processo educativo. Tudo isso exige responsabilidade federal com a educação básica.
Enquanto o Ministério da Cultura incentiva a leitura por meio da publicidade, o MEC cuida das universidades federais e os municípios têm que educar suas crianças com seus poucos recursos.
O segundo passo é erradicar o analfabetismo, não apenas entre crianças e adolescentes com mais de seis anos, mas também dos adultos. Raros destes adultos alfabetizados se transformarão em leitores vorazes. E para promover a leitura entre os filhos é necessário ter pais alfabetizados.
Terceiro, é preciso baratear os livros com incentivos às editoras e às livrarias, pelo menos iguais aqueles dados às indústrias automobilísticas; instalar bibliotecas, teatros e cinemas, pois tais atividades culturais têm papel importante na promoção da leitura.
Finalmente, no campo da publicidade, mais eficiente do que mensagens nos intervalos comerciais, seria colocar a leitura dentro das novelas. Haveria incentivo maior à leitura se a casa do Tufão tivesse uma estante com livros; se a Nina aparecesse lendo “A Arte da Guerra” para inspirar suas estratégias contra Carminha;se Agatha fosse à escola e lesse algo, além de comer; e se um jovem herói conseguisse impressionar as meninas graças à leitura e não à musculatura. Tais cenas não são gravadas porque, para o público brasileiro, pareceria exageradamente fantasioso: casa com livro, criança lendo.
Quando tudo isso for feito, o Brasil não precisará de campanha publicitária para promover a leitura. No entanto, reafirmo, sem o conjunto de ações necessárias para mudar a educação de base, as mensagens publicitárias do Ministério da Educação não surtirão efeito: será como fazer propaganda de carne em um país de vegetarianos.
Cristovam Buarque, professor e senador pelo PDT-DF, in: O Globo (RJ)

O "X" da Questão

 
Todos os dias nos assustamos com as intolerâncias que acontecem num país cuja economia, paradoxalmente, ostenta uma posição privilegiada no contexto mundial. Está colocada entre as maiores nações e projeta um crescimento há bem pouco tempo inimaginável.Pensando bem, se o desenvolvimento econômico de uma nação avança com tanta celeridade, entende-se que os programas de melhorias da qualidade de vida para a sociedade caminhem juntos, como a Educação, por exemplo.
Estamos há mais de sessenta dias em greve nas universidades federais e parece que nada está acontecendo. Provavelmente, a maioria da população brasileira sequer tem conhecimento que as Escolas universitárias estão sem aula, os Professores, em greve reivindicando dignidade salarial. Que o ano letivo de 2012 só deverá ser concluído em março de 2013, imagina-se!
É a maior demonstração do descaso do governo, com total cumplicidade do próprio povo, omisso com a Educação no Brasil.
Qualquer outro setor que parasse dois dias, uma semana, provocaria um verdadeiro pé de guerra. Se algumas categorias profissionais entrassem em greve como garis, trabalhadores do transporte, polícia, médicos e enfermeiros, ou outras atividades prestadoras de serviços essenciais, todo o foco estaria voltado para o movimento, sem um minuto de tolerância.
Ah, na Educação não, é diferente. Dois meses já se foram e mal se ouve falar do assunto, parece que tá tudo bem, é corriqueiro, já nos habituamos com a total falência da Escola no País, a começar pelo o Ensino fundamental.
Não importa que os mestres continuem sobrevivendo com um terço dos salários de outras profissões tão dignas para a Nação quanto a de Professor.
Não ter bancas nas salas de aula para os Alunos sentarem e prédios desabando sobre suas cabeças, parece comum. No passado, os ditadores entendiam que educar era o combustível para a rebeldia contra o poder.
Hoje, os socialistas comandantes da nau, outrora perseguidos pelos seus algozes, praticam os mesmos graves crimes contra a liberdade do ser humano, o direito de aprender.
O País que avançou com a riqueza da sua indústria e o privilégio que a natureza lhe ofertou, empobrece com a multiplicação de Analfabetos, a melhor de todas as “moedas” para garantir voto a cada eleição.
Aloísio Alves, publicitário, in: Gazeta de Alagoas (AL)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

É preciso repensar a escola

O modelo escolar está em crise. A estrutura monolítica criada para satisfazer às demandas de uma economia industrial se tornou obsoleta e hoje se debate para permanecer ativa e relevante em um contexto social que, embora valorize a Educação como direito e patrimônio, não suporta a ideia de aulas longas e monótonas nem vê muito valor em diplomas. A maioria dos professores está sobrecarregada, mal-remunerada e desmotivada, sem plano de carreira que valorize o aprendizado e a relação com a classe. Processos comerciais travestidos de "metodologias de ensino" padronizam disciplinas e avaliações, transformando muitas instituições em centros de adestramento, preparatórios para determinados exames ou necessidades operacionais do mercado.
Mesmo as instituições que apresentam bom desempenho em classificações têm uma enorme dificuldade em prender a atenção de seus alunos ou prepará-los para os desafios de um ambiente dinâmico, interativo e conectado. A educação em lotes que dirige mensagens entediantes, genéricas e repetitivas a massas de alunos é incapaz de vencer o conteúdo piscante e colorido de notebooks, tablets e dos onipresentes celulares. Não há biblioteca mais conectada e abrangente do que o Google, nem educador que saiba mais do que está na rede.
Luli Radfahrer, professor, in: folha.com

Os donos da educação

 

Li, recentemente, artigo criticando os que se aventuram a opinar sobre Educação sem o preparo acadêmico específico. Educação, a exemplo de outras ciências, segundo aquele texto, somente poderia ser abordada, com propriedade, por profissionais da área. Traduzindo: cada macaco no seu galho.
Como também eu, cá no meu canto do arvoredo, tenho dado pitacos, posso explicar perfeitamente o que leva tantos primatas a se imiscuírem nessa sofisticadíssima pauta: estamos todos apavorados com o que vemos acontecer na Educação nacional. Não é que as coisas vão mal. Não, as coisas vão de mal a pior, numa decadência acelerada que acende sinais de alerta em todas as direções quando se pensa na sustentabilidade do nosso desenvolvimento através da maior riqueza de qualquer nação – o povo que a constitui.
Se estivéssemos em guerra, gente de todas as áreas de conhecimento estaria escrevendo a respeito. E o fato inegável é que os generais da Educação conduziram o Brasil para a vitória de uma pedagogia que derrota a nação.
O que era perfeitamente previsível quando comecei a escrever sobre isso há quase trinta anos passou a ser constatado e medido. Os indicadores da Educação nacional nos arrastam para constrangedoras companhias no ranking mundial. E só os profissionais da área, os mestres dos Educadores em primeiríssimo plano, continuam acreditando nas teorias que deram causa ao desastre em curso.
São Professores que se veem como trabalhadores em Educação, fazedores de cabeça, intelectuais orgânicos com a tarefa essencial de promover a “formação para a cidadania”. Seguem teses segundo as quais não existe saber maior nem menor, mas tão somente saberes diferentes, de tal forma que Alunos e Professores bebem-se uns aos outros na fonte equivalente dos respectivos conteúdos! Contrastando com esses e em meio a imensas dificuldades, alguns Professores ainda preparam seus Alunos – sem distinção de classe – para as competências que lhes abrirão oportunidades ao longo da vida. Sabem que Lula é um case. Jamais um modelo.
O manuseio da Educação para fins políticos e ideológicos passou a ocupar o centro da reflexão acadêmica. Alunos dos cursos de formação para o magistério contam-me que é difícil encontrar, para seus estudos, literatura não marxista. Não sugiro, aqui, que ela não circule. Trato, diferentemente, de apontar o produto visível das ideias dominantes. Eis por que, leitor, não passa ano sem que seja inutilmente denunciada a manipulação ideológica dos livros didáticos. Eis por que o MEC aprovou um livro de história com elogios ao governo Lula e críticas ao governo FHC (imagine-se o resto da história). Eis por que as provas do ENEM contêm perguntas com a mesma orientação. Eis por que o tal kit-gay foi contratado pelo MEC junto a uma ONG de homossexuais para distribuição nas Escolas e só foi barrado (se é que de fato foi) porque virou moeda troca no kit-blindagem do ministro Palocci. Vergonha? Vergonha é para quem tem.
Escrevo sobre inevitáveis relações de causa e efeito. Escrevia quando era previsível e agora escrevo sobre o constatado. A Educação no Brasil, com a malícia de alguns e a dócil ingenuidade de quase todos, deu uma banana para as expectativas sociais, para as necessidades nacionais, para o direito dos jovens e das famílias, para o futuro da pátria, e passou a fazer o que seus donos desejam. O livro do MEC que denuncia a Gramática como instrumento de dominação cultural tem tudo a ver com isso.
Percival Puggina, in: Tribuna da Imprensa (RJ)