quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Educação é o caminho

Como o Brasil pode pensar em crescer e se tornar uma potência mundial sem promover uma revolução que passe pela Educação? Não é de hoje que lideranças de vários segmentos da sociedade batem na mesma tecla: sem investimentos para uma Educação de qualidade o país não vai alcançar um desenvolvimento sustentável.
Para se ter uma ideia, os tigres asiáticos saíram de uma situação econômica que se equiparava à realidade de Gana, na África, priorizando a Educação. Enquanto eles investem em média 19,5% do PIB em Educação, no Brasil esse índice não passa de 5%.
“Essa é justamente a nossa luta enquanto instituição de ensino ou dentro da Força Tarefa de Educação do Comitê Brasileiro do Pacto Global. Porém, não é apenas o governo que precisa ser sensibilizado.
O próprio setor corporativo pode e deve mudar esse quadro de investimento, uma vez que precisa mais do que nunca de profissionais capacitados e deve também passar a investir mais em pesquisa e desenvolvimento”, afirma o superintendente do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae), Norman de Paula Arruda Filho.
Uma certa perplexidade com o fraco desempenho do país nesse campo leva empresas como o grupo Votorantim a investir em programas de Educação internos e dentro das comunidades em que costuma buscar boa parte do seu quadro de pessoal.
A corporação parte do pressuposto de que não bastam iniciativas próprias de formação e treinamento de mão de obra para ter profissionais adequados ao novo mercado, informa Rafael Gioielli, gerente de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Votorantim.
“São necessárias políticas públicas de elevação da Escolaridade e da qualidade da Educação. Não adianta só o nosso trabalhador ser bem- educado. Nosso parceiro de negócios tem de praticar isso e nossos gestores públicos também”, diz o executivo.
Como parte dos R$ 55 milhões que o Instituto Votorantim investiu em Educação, esporte e cultura no ano passado, foram apoiados projetos voltados ao desenvolvimento da Escolaridade nas comunidades do entorno dos empreendimentos do grupo e programas de qualificação da gestão pública.
A iniciativa contemplou 45 municípios desde 2008 e deverá chegar a mais 35 cidades neste ano. Batizada de Academia Votorantim, a universidade corporativa do conglomerado ministra formação técnica e gerencial. Outro programa essencial é o Evoluir, com foco na qualificação de nível técnico de jovens que concluíram o ensino médio. A formação se torna a porta de entrada na companhia.

RESPONSABILIDADE
A Usiminas desenvolveu a própria medida para estabelecer metas relativas aos investimentos em Educação, conta o vice-presidente de Recursos Humanos e Desenvolvimento Organizacional da siderúrgica, Vanderlei Schiller.
“Se pudéssemos falar em uma taxa de aprendizado, ela teria de ser maior que a velocidade das mudanças que ocorrem no seu mercado de atuação. Do contrário, as pessoas vão perdendo competência frente a essas exigências”, afirma. Quase 30% dos 30 mil trabalhadores do grupo, ou seja, da diretoria aos operadores da fábrica, têm o nível superior completo.
A responsabilidade de conduzir um programa de treinamento não está restrita ao RH da empresa, mas diluída entre todos os setores administrativos e os ligados à produção.
A companhia criou quatro degraus internos de formação na área da Educação: Escola de lideranças, mais voltada para o corpo gerencial; Escola do aço, dirigida ao aperfeiçoamento das competências técnicas; tecnologia de gestão, que engloba cursos de gerenciamento das rotinas dentro da empresa; e a Escola de administração e negócios.
Em paralelo, concede subsídios de 70% dos gastos dos seus trabalhadores com elevação da Escolaridade, dos níveis técnicos à pós-graduação, e criou o portal Educar, uma plataforma de ensino a distância, já acessada por 11 mil pessoas nos primeiros cinco meses de existência.
A Vale S/A investiu US$ 90,8 milhões em Educação nas suas unidades no mundo ao longo do ano passado, sendo US$ 79,2 milhões no Brasil. Por meio da Valer, um departamento específico para a área, a mineradora capacitou 70 mil empregados nos últimos cinco anos e registrou mais de 900 mil participações em ações educativas dedicadas ao seu quadro de pessoal.
Há mais uma forma de atuação da companhia em parceria com instituições de ensino. Exemplo disso é o convênio firmado recentemente com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) compreendendo o desembolso de R$ 24 milhões neste ano para duplicação do número de bolsas de iniciação científica e tecnológica em engenharia no país, hoje de 6 mil por ano.
Fonte: Estado de Minas (MG)

Nenhum comentário:

Postar um comentário