segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Educação contra a desigualdade

 

Vinte milhões de brasileiros foram resgatados da pobreza nos últimos cinco anos. Mas, apesar do avanço na distribuição de renda, em toda a América Latina e no Caribe, o Brasil só não é socialmente mais injusto do que Guatemala, Honduras e Colômbia. Isso, numa região em que as cidades são as de maior taxa de desigualdade do planeta. Para aumentar a vergonha, quatro brasileiras, intercaladas pela capital colombiana, estão nos cinco primeiros lugares desse ranking. São elas: Goiânia, Fortaleza, Bogotá, Belo Horizonte e… Brasília. As informações são do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), que também traz notícia boa: há potencial para superar a pobreza. No caso do Brasil, ressalve-se que éramos campeões da desigualdade em 1990. O que não livra o governo da obrigatoriedade de levar a sério e analisar em detalhes o retrato feito pela ONU. Mesmo que alguns números do estudo estejam defasados — como afirmou ao Correio o chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, economista Marcelo Neri —, a imagem de um país injusto está escancarada em esquinas, praças e calçadas de nossas cidades.
Tanto que o encurtamento da distância entre ricos e pobres, em evolução há 12 anos, levou a presidente Dilma não a conformar-se, mas, ao contrário, a estabelecer como meta a erradicação da pobreza. E, se a crise internacional dificulta o desafio, também o torna mais urgente. Em primeiríssimo lugar, para garantir a sua sustentabilidade, qualidade do esforço nacional de combate à desigualdade que pode estar em risco. Afinal, programas como o Bolsa Família têm resultados limitados. 
A única solução capaz de inaugurar um ciclo verdadeiramente virtuoso, a Educação padece de males históricos no país. Professores mal remunerados, desestimulados e, em regra, sem o devido preparo se somam a currículos pouco atraentes e a Escolas de infraestrutura precária, carentes de bibliotecas, laboratórios, computadores, redes de internet sem fio. Nem sequer entramos na era do Ensino em tempo integral, há décadas cobrado por nossos mais célebres Educadores, como Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro. 
Não à toa, no ano passado, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) — que considera expectativa de vida, Escolaridade e renda per capita — do Brasil foi 0,718 ( numa escala de 0 a 1): apenas o 84º entre os de 187 países estudados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). É mais uma foto do atraso. Ainda mais se considerarmos que em 2010 o país atingiu seu mais baixo nível de desigualdade de renda em 50 anos. 
O que pesa? A Educação. Hoje, só 27% dos brasileiros, segundo o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf), são plenamente alfabetizados, mesma situação de 2001. A precariedade do Ensino aparece inclusive entre os de nível superior, universo em que 38% têm dificuldades para ler e escrever. Embora ruim, a Escolaridade faz a diferença na hora de definir os salários, podendo responder por cerca de 70% do valor. Portanto, o caminho indubitável é investir no Ensino de excelência.
Fonte: Correio Braziliense (DF)

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