sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O segredo de bons resultados na rede municipal

Thaís Fernandes quer ser promotora de Justiça. Os sonhos da menina de olhos expressivos e brincos em formato de flor se constroem dentro da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental (Emeif) Mozart Pinto, no Benfica. Aluna do 5º ano, Thaís, de 10 anos, descreve a escola em que está desde a educação infantil lembrando das pessoas. Diz haver professores e coordenadores “comprometidos e sérios”, além de alunos que “gostam de estudar”.
Essa é a fórmula da escola - dita repetidamente por alunos, professores e gestores - para conquistar os melhores resultados da rede pública municipal de Fortaleza no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011. As turmas de 5º ano obtiveram média de 5,6; já os alunos do 9º conquistaram 4,8. Os índices são maiores que as metas da escola e superam a média de Fortaleza para o 5º (4,2) e o 9º anos (3,5). O desempenho da Emeif Mozart Pinto, porém, não supera os das escolas com melhores resultados no Ceará.
Como O POVO mostrou no último dia 20, duas escolas alcançaram Ideb 8,1 no ensino fundamental I de Pedra Branca. As escolas de Ensino Infantil e Fundamental Cícero Barbosa Maciel e Sebastião Francisco Duarte, ambas na zona rural, ficaram em 12º lugar entre todas as instituições públicas de educação do País. Além delas, outras quatro escolas (de Itarema, Sobral, Mucambo e Fortaleza) estão entre as melhores do Brasil. O Colégio Militar da Capital alcançou nota 6,8..
Mas, afinal, como uma escola da rede pública de Fortaleza constrói um Ideb satisfatório? O somatório que provoca bons resultados é complexo, mas executável, dizem coordenadores escolares, especialistas e professores ouvidos pelo O POVO. Reúne gestão comprometida, acompanhamento pedagógico, formação continuada dos professores, participação familiar na vida escolar das crianças. Assim, chega-se à motivação do aluno; motivado, ele aprende e tem bons resultados.
A preocupação na Mozart Pinto, indica a diretora Antônia Eliane Sampaio Lima, é com alunos e professores. Como em toda a rede municipal, desde julho, os docentes ganharam tempo para planejar atividades e trocar experiências com outros professores. Além disso, pais e mães estão presentes na escola. “É uma parceria”.
Os alunos, comenta, são conscientizados da responsabilidade que têm sobre o próprio futuro. Para os que têm alguma dificuldade, a escola oferece acompanhamento pedagógico e reforço. “Temos laboratório, biblioteca, material. Tudo que uma escola particular tem. Damos suporte para o professor... É um trabalho conjunto”, destaca Eliane, conhecida entre professores e alunos pela cobrança de disciplina e comprometimento - fatores que contribuíram, dizem todos, para as conquistas da escola.

Renascimento
A série que transformou a Emeif José Estanislau Façanha primeira colocada entre as escolas municipais não é ofertada neste ano, mas as iniciativas para a conquista só crescem. O Ideb de 4,8 no 9º ano representou um renascimento para a instituição, que passou por períodos de crise no passado, com confusões entre alunos e até carência de material. Foi a “boa vontade” da nova gestão que causou a transformação, defende a professora Lúcia Jucá, do 5º ano. “E a comunidade percebe a mudança”, diz. A escola fica no Jardim Cearense.
A diretora Fabrícia Maria Gonçalves Gadelha diz que é o trabalho colaborativo entre direção, coordenação, secretaria da educação, família e aluno o gerador do bom índice. “A escola tem todas as ferramentas que a Prefeitura entrega, mas é a gestão que faz diferença; o pedagógico que faz diferença”. O acompanhamento de alunos e a formação continuada dos professores, com tempo de planejamento, somam para um bom resultado. “O aluno ganha com isso.”
Para o diretor da escola Professor Denizard Macêdo de Alcântara, Josa Carlos Vasconcelos de Lima, a transformação que provoca bons resultados é lenta, mas gratificante. A escola, que fica no Quintino Cunha, também alcançou nota 4,8 com a turma de 9º ano - também não mais ofertada em 2012.

Salto qualitativo
Ele conta que ainda é difícil atrair pais para o ambiente escolar. “Na comunidade, a educação é um produto, não um valor. Muitas vezes, os pais se preocupam se vai ter aula para saber se o filho vai ficar em algum lugar. “Quando o pai estiver preocupado para o filho não perder conteúdo, ai vamos ter salto qualitativo”, considera o diretor. Josa destaca que a escola procura garantir o protagonismo dos alunos no processo de formação. Para isso, procuram-se atividades extraclasse - como esporte e rádio-escola - e linguagem que façam parte do cotidiano do estudante. “O professor é um mediador. O jovem precisa ser protagonista”. O bom resultado em uma prova é consequência disso, avalia.
Fonte: O Povo (CE)

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