quarta-feira, 20 de julho de 2011

No Brasil, aula de caligrafia perde relevância

No Brasil, principalmente na última década, há uma nova metodologia no ensino da letra cursiva, mas não seu abandono nas escolas.
"Não conheço escola que não a utilize mais", afirma Fernanda Gimenes, diretoria pedagógica da área de português do colégio bilíngue Playpen. "Ela perdeu a prioridade. Antes, o aluno era alfabetizado na cursiva. Hoje, mais do que ensinar uma técnica, queremos desenvolver as habilidades de leitura e escrita."
No Playpen, os alunos utilizam a letra bastão (de forma) até por volta do 2.° ano do ensino fundamental, quando a criança com cerca de oito anos já consegue produzir pequenos textos e ler com interpretação e significado. Só depois é que a letra cursiva é introduzida, sem o uso do caderno de caligrafia.
Esse estágio é resultado de uma mudança gradual, segundo Fernanda. Por séculos, a letra cursiva era a marca da personalidade da pessoa. Muitos eram, inclusive, reconhecidos pela grafia. Depois, introduziu-se a letra bastão, mas o domínio da cursiva era a marca da alfabetização.
Separar o aprendizado da cursiva como requisito para que uma criança seja considerada alfabetizada é uma conquista recente, praticamente da última década. "Vemos como uma evolução, não uma condição", diz Esther Carvalho, diretora-geral do Colégio Rio Branco.
Assim como no Playpen, a escola também inicia a alfabetização com um símbolo mais simples e depois evolui para o mais complexo. "Não consigo pensar em abrir mão. Para mim, a tecnologia trouxe outra dimensão, como o hipertexto, mas não a abolição da letra cursiva", diz.
Mesmo que o aluno opte pela letra bastão no futuro, o aprendizado da cursiva, segundo Esther, é fundamental para desenvolver a coordenação motora fina.
O Estado de São Paulo (SP)

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